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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 26

O Senhor desfrutava na companhia do Senhor Baladeva e dos outros vaqueirinhos, e às vezes sentava-Se com eles na mesma pedra. Juntos, eles comiam alimentos simples como arroz, dhal, vegetais, pão e coalhada, que tinham trazido de suas casas e que compartilhavam em intercâmbios amigáveis.

No Bhagavad-gita o Senhor expressou seu desejo de aceitar frutas, flores, folhas e água de Seus devotos quando oferecidas a Ele com afeição devocional. O Senhor pode comer toda e qualquer coisa, porque tudo não passa de uma transformação de Sua própria energia. Porém, quando surge a questão de se Lhe oferecer algo, os oferecimentos devem estar dentro da classe de alimentos que o Senhor exigiu. Não podemos oferecer ao Senhor algo que Ele não tenha pedido. Não se pode oferecer à Personalidade de Deus, Sri Krsna, nada que esteja fora da classe de comestíveis saudáveis como arroz, dahl, trigo, vegetais, leite, preparações lácteas e açúcar. Em Jagannatha Puri esses alimentos são oferecidos ao Senhor, e em todas as escrituras os mesmíssimos alimentos são mencionados em toda a parte.

O Senhor nunca está com fome, nem precisa de comida alguma para encher Seu estômago vazio. Ele é completo em Si mesmo. Entretanto, devido à Sua misericórdia, Ele sempre come os alimentos oferecidos com afeição sincera por Seus devotos. Os vaqueirinhos trouxeram alimentos simples de casa, e o Senhor, que é servido constantemente por centenas de milhares de deusas da fortuna, fica sempre alegre de aceitar tais alimentos simples de Seus amigos devotos. Todos os parentes do Senhor são apenas Seus devotos, e estão situados em diferentes sentimentos transcendentais como amigos, pais e amantes. O Senhor sente prazer transcendental em aceitar os serviços de Suas diversas classes de devotos, que estão situados em diversas classes de rasas. Essas rasas transcendentais refletem-se de maneira pervertida na atmosfera material. Assim, o ser vivo espiritual, devido apenas à ignorância, busca em vão a mesma bem-aventurança na matéria.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 25

O Senhor reciprocava os sentimentos dos habitantes da floresta de Vrndavana. Quando a chuva caía, o Senhor Se refugiava aos pés das árvores ou nas cavernas e desfrutava o sabor de diferentes frutas com Seus associados eternos, os vaqueirinhos. Ele brincava com eles, sentava-Se com eles e comia frutas com eles.

Tornar-se uno com Deus nem sempre indica que o ser vivo tenha de se fundir na existência do Senhor. Tornar-se uno com Deus significa que a pessoa alcança sua qualidade espiritual original. A menos que obtenha essa qualidade espiritual, ela não poderá entrar no reino de Deus. Os membros da escola impersonalista explicam sua idéia de unidade através do exemplo da água do rio que se mistura com a água do mar. Contudo, devemos saber que dentro da água do mar existem seres vivos que não se fundem na existência da água, senão que conservam suas identidades separadas e gozam a vida dentro da água. Eles são unos com a água no sentido de que alcançaram capacidade de viver dentro da água. Analogamente, o mundo espiritual não está à parte de sua parafernália separada. O ser vivo pode conservar sua identidade espiritual distinta no reino espiritual e gozar a vida com o ser espiritual supremo, a Personalidade de Deus.

Em Vrndavana, todas as entidades espirituais - os vaqueiros, as vaqueirinhas, a floresta, as árvores, as colinas, a água, as frutas, as vacas etc - desfrutam a vida espiritual na associação do Senhor, Sri Krsna. Eles são simultaneamente unos com o Senhor e diferentes dEle. Mas, em última análise, eles são iguais em diferentes variedades.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 24

Quando o Senhor entrou na floresta de Vrndavana, todos os habitantes da floresta, tanto animados quanto inanimados, ficaram ansiosos por recebê-lO. Ele viu que todas as flores da floresta, desabrochando inteiramente, choravam de êxtase, com mel a fluir de suas pétalas. As cascatas fluíam alegremente das rochas das montanhas, e podia-se ouvir sons doces provenientes das cavernas próximas.

O Senhor possui multifárias energias, entretanto, o Senhor e Suas energias são idênticos. A energia material é uma de Suas variadas energias, e afirma-se no Bhagavad-gita que a energia material, em qualidade, é inferior à energia espiritual. A energia espiritual é superior porque sem o contato com a energia espiritual a energia material sozinha não pode produzir nada. Mas a fonte de todas as energias é a todo-atrativa Personalidade de Deus, Sri Krsna.

Este mundo material é uma combinação de matéria e espírito, mas o mundo espiritual, que está muitíssimo distante do céu material, é puramente espiritual e não tem nenhum contato com a matéria. No mundo espiritual, tudo é espírito. Já expusemos isso. A Personalidade de Deus, a fonte original de todas as energias, é capaz de converter espírito em matéria e matéria em espírito. Para Ele não há diferença entre matéria e espírito. Portanto, ele é chamado de kaivalya.

Nos passatempos transcendentais do Senhor Sri Krsna, Ele reciproca com o espírito, e não com a matéria. Quando Ele está no mundo mortal, as qualidades materiais não podem influenciá-lO. Um eletricista sabe como produzir força da eletricidade. Com a ajuda da eletricidade ele pode congelar ou ferver a água. De forma semelhante, a Personalidade de Deus, através de Seu poder inconcebível, pode transformar a matéria em espírito e o espírito em matéria. Logo, mediante a graça do Todo-poderoso, tudo é matéria e espírito, embora, do ponto de vista do ser vivo comum, haja diferença entre matéria e espírito.

Flores, cascatas, árvores, frutas, colinas, cavernas, pássaros, feras e seres humanos não são mais do que combinações de energia de Deus. Portanto, quando a personalidade de Deus apareceu, todos eles manifestaram sua inclinação espiritual, e em virtude da afeição natural desejaram servir ao Todo-poderoso segundo suas diferentes capacidades.

Existem níveis distintos de desenvolvimento espiritual na matéria. No mundo material, as centelhas espirituais da Personalidade de Deus estão cobertas pela energia material em diferentes proporções, e gradualmente, enquanto transmigram em várias espécies de vida, elas vão se espiritualizando. A forma de vida humana representa o desenvolvimento completo dos sentidos através dos quais pode-se lograr a realização espiritual da afeição original pelo Senhor. Por conseguinte, se a despeito desta oportunidade da vida humana formos incapazes de reviver nossa afeição natural pelo Senhor, é bom que saibamos que estamos desperdiçando nossa vida em troca de nada. Entretanto, pela graça do Senhor, a consciência espiritual de todas as espécies de vida pode ocupar seu lugar apropriado, e estas espécies podem exprimir sua afeição espiritual pelo Senhor na santa-rasa, como exibida pela terra, pela água, pelas colinas, pelas árvores, pelas frutas e pelas flores de Vrndavana durante a presença do Senhor Sri Krsna, a Personalidade de Deus.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 23

As vacas que seguiam o Senhor dentro da floresta movimentavam-se vagarosamente por causa de seus pesados úberes cheios de leite. Mas quando o Senhor as chamava por seus nomes elas imediatamente ficavam alertas, e enquanto se apressavam em direção a Ele suas tetas derramavam leite no chão devido à afeição pelo Senhor.

Compreende-se através de escrituras tais como o Brahma-samhita que na morada espiritual do Senhor as casas são feitas de pedra filosofal e as árvores são todas árvores-dos-desejos. Lá, o Senhor costuma apascentar milhares e milhares de kamadhenus (vacas capazes de suprir ilimitada quantidade de leite). E todas as casas, árvores e vacas são qualitativamente não-diferentes do Senhor. O Senhor e Sua parafernália na morada espiritual são idênticos em qualidade, embora, para o prazer do Senhor, existam diferenças. No mundo material, também temos uma diversidade de parafernália para os prazeres de nossa vida, contudo, porque toda esta parafernália é feita de matéria, ela é, afinal, perecível. No céu espiritual, existem as mesmíssimas variedades de prazer, mas todas elas são destinadas ao Senhor. Lá, apenas o Senhor é o desfrutador e beneficiário supremo, e todos os demais são desfrutados por Ele. O Senhor é servido por todas as classes de servos, e tanto o amo quanto os servos são da mesma qualidade. Esta variedade espiritual é exibida pelo Senhor quando Ele desce em Vrndavana, e assim temos conhecimento de que o Senhor desce com Seu cortejo pessoal de vacas, vaqueirinhos e vaquerinhas, todos os quais são tão somente expansões espirituais do Senhor para o Seu próprio prazer. Dessa maneira, ao serem chamadas pelo Senhor, as vacas ficaram dominadas pela afeição e prazer, assim como o seio de uma mãe verte leite quando a criança chora por ele.

Todos nós, seres vivos, somos expansões diferenciadas do Senhor. Porém, nossa afeição pelo Senhor está latente em nós, artificialmente coberta pela qualidade material da ignorância. A cultura espiritual tem como propósito reviver esta afeição natural do ser vivo pelo Senhor. Os ingredientes do fogo já estão presentes num palito de fósforo, e basta apenas um leve atrito para acender o fogo. De igual modo, nossa afeição natural pelo Senhor tem de ser revivida através de um pouco de cultura. Sobretudo, devemos receber o conhecimento acerca do Senhor com um coração purificado.

Para lograr a compreensão espiritual, deve-se purificar o coração e conhecer as coisas na sua perspectiva verdadeira. Tão logo alguém faça isto, o fluxo de sua afeição natural começa a fluir em direção ao Senhor, e com o progresso desse fluxo a pessoa torna-se cada vez mais auto-realizada nos vários relacionamentos com o Senhor. O Senhor é o centro de toda a afeição de todos os seres vivos, os quais são todos suas partes integrantes. Quando o fluxo da afeição natural pelo Senhor fica obstruído pelo desejo de imitar Seu domínio, diz-se que a pessoa está em maya, ou seja, ilusão. Maya não tem existência substancial, mas enquanto suas alucionações prosseguirem, sentir-se-á sua influência. O Senhor, por Sua misericórdia imotivada, exibe a realidade da vida de modo que nossas alucinações possam ser completamente dissipadas.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 22

Terminada a estação das chuvas, a floresta de Vrndavana encheu-se de frutas, tais como tâmaras e amoras silvestres que amadurecem nas árvores e arbustos. O Senhor Sri Krsna, juntamente com Seu irmão mais velho, Sri Baladeva, e outros vaqueirinhos da vizinhança, entraram na bela floresta acompanhados das vacas para exibir passatempos transcendentais com Seus amigos eternos.

O Senhor Sri Krsna, a Suprema Personalidade de Deus, aparece com Seu séquito pessoal a cada 4.320.000.000 de anos e exibe Sua parafernália transcendental, só para atrair as almas condicionadas do mundo material. Embora o mundo material seja apenas uma sombra do mundo espiritual, as entidades vivas encarceradas pela matéria buscam aqui a felicidade espiritual sob a forma pervertida decorrente do apego material. Filósofos empiristas com pobre fundo de conhecimento imaginam um quadro espiritual impessoal. Porém, o ser vivo espiritual, menos atraído pela forma impessoal da emancipação espiritual, torna-se mais atraído pela forma material, ficando sem nenhuma esperança de emancipação espiritual.

Portanto, a Absoluta Personalidade de Deus, em virtude de Sua misericórdia ilimitada e imotivada, desce do reino espiritual e exibe Seus passatempos pessoais em Vrndavana, a réplica do planeta Krsnaloka do céu espiritual. Vrndavana é o lugar mais sagrado dentro deste universo cósmico, e as pessoas que procuram alcançar a emancipação espiritual e entrar no reino de Deus podem fazer um lar em Vrndavana e tornar-se estudantes sérios dos seis Gosvamis, que foram instruídos pelo Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu. Os seis Gosvamis eram encabeçados por Srila Rupa Gosvami, que era seguido por Srila Sanatana, Srila Bhatta Raghunatha, Srila Jiva, Srila Gopala Bhatta e Srila Raghunatha dasa Gosvami. Todos eles se ocuparam seriamente na pesquisa e escavação do mistério de Vrndavana-dhama.

O Senhor Sri Krsna, a Suprema Personalidade de Deus, apareceu em Vrndavana cerca de cinco mil anos atrás, e as relíquias de Seu aparecimento em Vrndavana desapareceram de vista. Contudo, o Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu, que é o mesmíssimo Senhor Sri Krsna sob a forma de um grande devoto, apareceu em Navadvipa, um distrito da Bengala Ocidental, e escavou os locais sagrados dos transcendentais passatempos do Senhor Sri Krsna. Ele ordenou aos seis Gosvamis que escrevessem livros autorizados sobre o culto de Vrndavana. Logo, todo estudante sério e ansioso por conhecer acerca do Senhor Supremo pode tirar proveito desta literatura inestimável e da orientação de eruditos autorizados e assim informar-se a respeito do Senhor de Vrndavana, Sri Krsna, a Personalidade de Deus.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 21

O vento carrega as nuvens para diferentes partes do globo, e as nuvens distribuem chuvas, para a satisfação das pessoas em geral, assim como os reis e os mercadores ricos distribuem sua riqueza acumulada, inspirados pelos sacerdotes.

Como já explicado, as quatro classes da sociedade - isto é, a classe de homens inteligentes (os brahmanas), a classe governante (os ksatriyas), a classe mercantil (os vaisyas) e a classe dos trabalhadores braçais (os sudras) - destinam-se a alcançar um objetivo na vida: auto-realização, ou seja, o cultivo do espírito humano. A classe de homens inteligentes, os brahmanas, deve estimular os ksatriyas e os vaisyas a executar sacrifícios em prol do cultivo espiritual, e assim a cooperação dos brahmanas, ksatriyas e vaisyas elevará as pessoas em geral, ou a classe dos trabalhadores comuns. Tão logo esta cooperação entre as quatro classes de homens na sociedade é interrompida e os princípios básicos da cultura espiritual são negligenciados, a estrutura social da humanidade torna-se uma reedição da vida animal, baseada nas propensões a comer, dormir, temer e acasalar-se. É dever dos homens inteligentes induzir os membros de comunidades mais ricas - os ksatriyas e os vaisyas - a fazer sacrifícios conducentes ao cultivo espiritual. Só desta maneira poderá a tensão entre os capitalistas e os operários ser devidamente mitigada.

Nesta era de Kali, quando uma mera diferença de opinião conduz à discórdia, chegando a ponto de causar motins, é dever dos homens inteligentes, os brahmanas, estimular altruistamente as pessoas mais ricas a fazer sacrifícios para este propósito. Sugere-se com isso que os próprios homens da classe inteligente não devem tentar tornar-se ksatriyas ou vaisyas, nem devem imiscuir-se nas ocupações das outras classes; em vez disso, os brahmanas devem apenas guiá-las no cultivo espiritual, assim como o vento transporta as nuvens para outros lugares para derramarem água. O vento por si mesmo não assume a responsabilidade de derramar a água. 
Os homens mais inteligentes da sociedade são os santos e os sábios que sacrificaram tudo a serviço do cultivo espiritual. Sempre prontos a sacrificar suas palavras, dinheiro, inteligência e vida, seu dever é viajar por toda a parte e estimular todos os seres humanos a se ocuparem em atividades conducentes ao cultivo espiritual. Esse deve ser o objetivo da vida humana a fim de fazer dela um êxito completo. Uma sociedade que não tem gosto pelo cultivo espiritual é como um incêndio ardente, onde todos sofrem perpetuamente as três classes de misérias. Assim como as nuvens derramam água sobre um incêndio ardente na floresta e assim o extinguem, os homens inteligentes, que agem como mestres espirituais da sociedade, derramam água no incêndio ardente das misérias, ao disseminar o conhecimento espiritual e estimular as classes mais ricas da sociedade a ajudar esta causa. Templos de adoração, por exemplo, são construídos pelos ricos, e esses templos visam dar educação espiritual às pessoas em geral. Cerimônias espirituais periódicas são realizadas para dar inspiração, e não para explorar. Se existem falhas agora, devido à era de Kali, elas deverão ser retificadas, mas a instituição tem que ser salva.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 20

Torrentes violentas de chuva investem contra as margens do rio e as barragens do campo de arroz. Esses distúrbios assemelham-se àqueles criados pelos oponentes sazonais dos princípios modelares dos Vedas, oponentes estes que estão influenciados pela era de Kali.

Originalmente o caminho da auto-realização foi estabelecido pelas instruções básicas dos Vedas. Srila Vyasadeva dividiu o Veda original em quatro seções, isto é, Sama, Atharva, Rg e Yajur. Em seguida dividiu os mesmos Vedas em dezoito Puranas (suplementos) e o Mahabharata, e mais tarde o mesmo autor resumiu-os nos Vedanta-Sutras. O propósito de todas essas escrituras védicas é levar a pessoa a compreender que ela é um ser espiritual, eternamente relacionado com a Suprema Personalidade de Deus, a forma todo-atrativa (Sri Krsna).

Porém, todas essas diferentes escrituras védicas foram sistematicamente deformadas pelas investidas da era de Kali, assim como as barragens do campo de arroz e as margens do rio são deformadas pelas investidas de chuvas violentas. Esses ataques deturpadores são perpetrados por filósofos ateístas que estão preocupados apenas em comer, beber, divertir-se e desfrutar. Esses ateístas são todos contra as escrituras reveladas porque estão muitíssimo apegados aos prazeres sensuais e ao materialismo grosseiro. Existem também outros que não acreditam na eternidade da vida. Alguns deles propõem que a vida será, afinal, aniquilada e que apenas a energia material é que se conserva. Outros estão menos interessados em leis físicas, mas não crêem em nada além de sua experiência. E ainda outros igualam o espírito à matéria e afirmam que a distinção entre eles é ilusória.

Não há nenhuma dúvida de que os Vedas figuram como os mais reconhecidos compêndios de conhecimento, de todos os pontos de vista. Mas com o passar do tempo o caminho védico tem sido atacado por filósofos, tais como Carvaka, Buddha, Arhat, Kapila, Patanjali, Sankara, Vaikarana, Jaimini, os nyayakas, os vaisesikas, os sagunistas, os empiristas, os pasupata saivas, os saguna saivas, os brahmas, os aryas e muitos outros (a lista de especuladores não-védicos cresce dia a dia sem restrição). O caminho dos Vedas rejeita qualquer princípio desprovido de relacionamento eterno com Deus, obtenção do Seu serviço devocional e culminância em transcendental amor por Ele.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 19

O grou posta-se à margem de um lago, que é sempre perturbado pela correnteza, pela lama e pelas pedras. O grou é como o chefe de família que é importunado no recesso de seu lar, mas que, devido ao apego excessivo, não deseja mudar de posição.

A vida esquecida da alma condicionada no seio da família é um escuro poço matador da alma. É esta a opinião de Sri Prahlada Maharaja, um célebre devoto do Senhor. Almas auto-realizadas jamais estimulam o apego excessivo ao lar e à família. Portanto, o período de vida humana deve ser dividido metodicamente.

A primeira fase chama-se brahmacarya-asrama, ou a ordem de vida da infância, onde o estudante é treinado para lograr a meta última da vida. A fase seguinte é o grhastha-asrama, no qual o homem é treinado para entrar na Transcendência. A seguir vem o vanaprastha-asrama, a fase preliminar da vida renunciada. A última fase recomendada é a ordem de sannyasa, ou a ordem de vida renunciada. Dessa maneira a pessoa aceita um processo gradual de atividades espirituais para lograr a meta última da liberação.

Infelizmente, em virtude da carência de suficiente cultura espiritual, ninguém deseja abandonar a vida familiar, muito embora ela seja cheia de aguilhoadas e lama. E aqueles que são muito apegados, a despeito das aguilhoadas da vida familiar lamacenta, assemelham-se aos grous que postam-se à margem do rio em troca de algum gozo dos sentidos apesar de todas as inconveniências lá existentes. Devemos sempre lembrar que a sociedade, amor e amizade que esperamos desfrutar na vida familiar são apenas representações sombrias da verdadeira sociedade, amor e amizade reciprocados no reino de Deus. Não existe realidade na vida condicionada da existência material, porém, devido à nossa ignorância estamos apegados à miragem. A concepção de sociedade, amor e amizade não é de modo algum falsa, mas o lugar onde a procuramos é falso. Temos de abandonar esta posição falsa e elevarmo-nos à realidade. Esse deve ser o objetivo da vida, e esse é o resultado de se cultivar o espírito humano.

Lamentavelmente, devido à falta dessa cultura, o homem materialista permanece agarrado a este falso lugar a despeito de todas as conturbações. Diz-se que o homem deve abandonar a ordem de vida familiar aos cinqüenta anos. Mas nesta era de ignorância mesmo um homem idoso deseja rejuvenescer nas funções corpóreas, colocar dentes artificiais e agir como se fosse um jovem, mesmo à beira da morte. Sobretudo os políticos, semelhantes a grous, são excessivamente apegados ao falso prestígio decorrente de sua posição e classe, e assim sempre buscam ser reeleitos, mesmo no decadente fim da vida. Estes são alguns sintomas de uma vida inculta.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 18

Muitas plantas e trepadeiras que quase morreram durante os meses de abril e maio voltam agora a ser vistas em diversas formas, pois elas estão sendo nutridas em suas raízes pela terra úmida. Essas inumeráveis plantas e trepadeiras assemelham-se a pessoas que secam devido a severas penitências executadas em vista de algum ganho material mas que então alcançam seus objetivos e ficam voluptuosamente gordas, nutridas pelo gozo dos sentidos.

No Bhagavad-gita, afirma-se que ao terminar o dia de Brahma todas as criações manifestas do Universo desaparecem e que após o fim da noite de Brahma a criação novamente se manifesta.

Assim, a criação cósmica, em sua manifestação e não-manifestação, assemelha-se a trepadeiras e plantas que aparecem durante a estação das chuvas e que pouco a pouco desaparecem quando a estação se acaba.

bhuta-gramah sa evayam
bhutva bhutva praliyate
ratry-agame 'vasah partha
prabhavaty ahar-agame


"Repetidas vezes, ao chegar o dia de Brahma, todas as entidades vivas vêm a existir, e com a chegada da noite de Brahma elas são irremediavelmente aniquiladas". (Bg. 8.19)


Mesmo quando as plantas e as trepadeiras não mais podem ser vistas, suas sementes permanecem, e estas sementes adormecidas frutificam em contato com a água. De igual modo, as centelhas espirituais semelhantes a sementes, que são dominadas pelo desejo de assenhorear-se da natureza material, permanecem num estado adormecido depois que a manifestação cósmica é aniquilada; e quando a manifestação cósmica reaparece, todos os seres vivos silentes dentro do ventre da natureza material despontam e ocupam-se no gozo dos sentidos, destarte ficando voluptuosamente gordos.

Para alcançar a liberação a pessoa deve estar livre por completo das diferentes classes de desejos pervertidos. O ser vivo não pode suprimir os desejos, e a prática artificial de suprimir as ações dos desejos é mais perigosa que os próprios desejos ativos. Todos os desejos devem ser reformados e canalizados para as atividades espirituais; caso contrário, esses mesmos desejos se manifestarão repetidas vezes sob diferentes formas de gozo material, condicionando o ser vivo perpetuamente ao cativeiro material.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 17

Quando as nuvens aparecem no céu o pavão começa a dançar em êxtase, assim como uma alma sincera fica submersa em alegria ao aparecer uma pessoa santa em sua casa.

O dever dos sábios e das pessoas santas é ir de porta em porta e iluminar os chefes de família, dando-lhes conhecimento espiritual. Compara-se a vida de chefe de família a um poço escuro. Num poço escuro a rã não consegue ver luz profusa do céu aberto. O poço escuro da vida de chefe de família mata a alma. Deve-se, portanto, sair dela para que se possa ver a luz da visão espiritual. As pessoas santas e os sábios misericordiosamente tentam resgatar as almas caídas do poço escuro da vida de chefe de família. Portanto, um chefe de família iluminado fica satisfeito quando eles vêm à sua casa. A mente de um chefe de família, que é uma alma condicionada, está sempre perturbada pelas três classes de misérias da vida material. Todos desejam ser felizes em sua vida familiar, mas as leis da natureza não permitem que alguém seja feliz na existência material, que é como um fogo que surge na floresta sem nenhuma intervenção humana.

Na era de Kali, como descrito antes, as pessoas em geral não se satisfazem mais com a presença das pessoas santas e dos sábios, nem estão interessadas em iluminação espiritual. As pessoas santas e os sábios, no entanto, correm todos os riscos para propagar a mensagem de Deus. O Senhor Jesus Cristo, Thakura Haridasa, o Senhor Nityananda Prabhu e muitos outros sábios arriscaram suas vidas para propagar a mensagem de Deus. Pessoas santas e sábios auto-realizados correm esse risco em prol da iluminação espiritual das pessoas. Eles não fazem votos de silêncio visando receber glorificação barata da massa de pessoas ignorantes. Deus fica satisfeito apenas quando Seus devotos correm toda sorte de riscos para propagar Suas glórias. Semelhantes devotos não temem a difícil jornada para cruzar o oceano de ignorância. Eles estão sempre ansiosos pelo bem-estar das almas caídas, que estão apegadas ao falso gozo da vida material, na qual elas esquecem seu relacionamento eterno com Deus.

É dever das pessoas santas e dos sábios iluminar as almas caídas, e, por sua vez, é dever do chefe de família recebê-los cordialmente, assim como o pavão dança em êxtase devido à presença de nuvens no céu. Só se pode extinguir o fogo das três classes de misérias experimentadas pelos homens materialistas com a nuvem da misericórdia das pessoas santas e dos sábios, que podem derramar a água dos tópicos transcendentais para pôr um fim às misérias dos chefes de família.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 16

À noite, graças ao luar, podem-se ver as nuvens movendo-se no céu. E a própria Lua também parece estar se movendo, assim como o ser vivo parece movimentar-se devido à falsa identificação com a matéria.

À noite, na estação chuvosa, as nuvens em movimento, refletindo a luz da Lua fazem com que esta pareça estar se movendo. Isso se chama ilusão. A alma espiritual, ou o ser vivo, é a raíz de todas as atividades do corpo material, mas por causa da ilusão a alma espiritual permanece coberta pelos corpos materiais grosseiro e sutil. Dessa maneira, a alma condicionada identifica-se com o corpo material e fica sujeita aos ditames do falso ego.

Esse falso ego obriga a entidade viva a considerar que seu corpo material é seu verdadeiro eu, que os frutos do corpo são seus filhos e que a terra natal do corpo é um objeto de adoração. Desse modo, a concepção de nacionalismo do ser vivo é outra espécie de ignorância. Por causa da ignorância, o ser vivo identifica-se com sua terra natal e atua segundo concepções errôneas de idéias nacionalistas. Entretanto, ele de fato não pertence a nenhuma nação ou espécie de vida. Ele não tem nada a ver com o corpo, assim como a Lua não tem nada a ver com as nuvens moventes.

A Lua está muito distante das nuvens e fixa em sua própria órbita, mas a ilusão apresenta uma cena em que a Lua parece estar se movendo. O ser vivo não deve pairar na concepção errônea de que é o corpo temporário; ele deve sempre saber que seu verdadeiro eu é transcendental à identidade corpórea. Esse é o caminho do conhecimento, e o conhecimento completo fixa o ser vivo na órbita das atividades espirituais.

A força viva espiritual é sempre ativa por natureza. Devido à ilusão, suas atividades são executadas erroneamente em prol do corpo, mas na condição liberada, com conhecimento completo, suas atividades são conduzidas em devoção espiritual. Liberação não significa cessar as atividades, mas sim abandonar as atividades ilusórias e transcender à identificação com os corpos grosseiro e sutil.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 15

Entre trovões no céu nublado, aparece um arco-íris sem corda. Seu aparecimento é comparado ao aparecimento da Suprema Personalidade de Deus ou de Seus servos em meio à atmosfera material.

A palavra sânscrita guna significa “qualidade” ou “modo”, como também “cordão” ou “corda”. Quando um arco-íris aparece durante a estação das chuvas, observa-se que ele é como um arco sem guna, ou corda. Da mesma forma, o aparecimento da Personalidade de Deus ou de Seus servos transcendentais não tem nada a ver com os modos qualitativos da natureza material. O aparecimento fenomenal da Transcendência é desprovido das qualidades da natureza material, e assim ele assemelha-se a um arco sem corda.

O transcendental Senhor Supremo possui uma forma eterna dotada de existência, conhecimento e bem-aventurança transcendentais. A energia material funciona a Seu bel-prazer; portanto, Ele nunca é afetado pelos modos da natureza material. Ao aparecer diante de nós, em meio às interações materiais, Ele sempre permanece não afetado, como um arco-íris sem corda.

Mediante Sua energia inconcebível, o Senhor Supremo pode aparecer e desaparecer como um arco-íris, que aparece e desaparece sem ser afetado pelo trovão tonitruante ou pelo céu nublado. O Senhor é eternamente o maior dos maiores e o menor dos menores. Os seres vivos, Suas partes integrantes, são os menores dos menores, e Ele, a Verdade Absoluta, a Suprema Personalidade de Deus, é o maior dos maiores.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 14

O relâmpago é instável em sua amizade, deixando de permanecer fiel a qualquer uma das nuvens, embora elas sejam as amigas do mundo inteiro, assim como as mulheres luxuriosas não permanecem estáveis mesmo na companhia de homens que possuem excelentes qualidades.

Durante a estação chuvosa, o relâmpago aparece em um grupo de nuvens e logo passa a outro grupo de nuvens. Esse fenômeno é comparado a uma mulher luxuriosa que não fixa sua mente em apenas um homem. Compara-se a nuvem a uma pessoa qualificada porque ela derrama chuva e dá sustento a muitas pessoas. De igual modo, o homem qualificado dá sustento a muitas criaturas vivas, tais como os membros familiares e diversos trabalhadores no comércio. Infelizmente, toda a sua vida pode ser perturbada por uma esposa que dele se divorcia. Quando o marido se perturba, a família inteira se arruína, as crianças se dispersam, seus negócios vão à falência e tudo é afetado. Recomenda-se, portanto, que a mulher interessada em avançar pacificamente na consciência de Krsna viva com o esposo e que o casal não se separe em nenhuma circunstância. Esposo e esposa devem controlar o desejo sexual e concentrar suas mentes na consciência de Krsna para que a vida deles possa ser bem sucedida. Afinal, neste mundo o homem precisa da mulher e a mulher precisa do homem. Ao se unirem, eles devem viver pacificamente a consciência de Krsna e não devem ser inconstantes como o relâmpago, passando de um grupo de nuvens para outro.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 13

Na estação chuvosa algumas estradas não são usadas com muita freqüência e ficam cobertas de relva; logo, torna-se muito difícil ver a estrada. Da mesma maneira, nesta era as escrituras transcendentais não são estudadas apropriadamente pelos brahmanas. Cobertas pelos efeitos do tempo, as escrituras ficam praticamente perdidas, e torna-se muito difícil compreendê-las ou seguí-las.

Uma estrada coberta é tal qual um brahmana que não está habituado a estudar e dedicar-se às práticas reformatórias dos preceitos védicos - ele fica coberto pelas relvas da ilusão. Nessa condição, afastado de sua natureza constitucional, esquece sua posição de servo eterno da Suprema Personalidade de Deus. Ao ser desviada pelo excessivo crescimento sazonal das relvas criadas por maya, a pessoa se identifica com as manifestações ilusórias da natureza e sucumbe à ilusão, esquecendo-se de sua vida espiritual.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 12

As montanhas, embora açoitadas por torrentes de chuva durante a estação chuvosa, não se abalam. Assim aqueles cujos corações são dedicados à transcendental Personalidade de Deus nunca se perturbam, mesmo quando importunados por grandes infortúnios.

Porque a pessoa dotada de avanço espiritual aceita qualquer condição adversa como misericórdia do Senhor, ela tem toda a qualificação para entrar no reino espiritual.
Muito embora alguém adote o serviço devocional ao Senhor Supremo, poderá às vezes ficar doente, pobre ou desapontado devido às fatalidades da vida. O verdadeiro devoto do Senhor sempre considera que esses sofrimentos são decorrentes de suas atividades pecaminosas passadas. Logo, sem se perturbar, ele aguarda pacientemente a misericórdia do Senhor Supremo. Comparam-se tais devotos a enormes montanhas que não se movem de maneira alguma, mesmo quando açoitadas por tempestuosos aguaceiros da estação chuvosa. Assim, eles permanecem humildes em virtude da iluminação espiritual. Livres do orgulho e da inveja, eles facilmente conquistam a misericórdia do Senhor e voltam ao lar, voltam ao Supremo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 11

Na estação chuvosa, quando os rios se avolumam e correm para o oceano, e à medida que o vento sopra as ondas, o oceano parece ficar agitado. Da mesma forma, se a pessoa ocupada no processo de yoga mística não for muito avançada na vida espiritual, ela poderá ser afetada pelos modos da natureza e assim ficará agitada pelo impulso sexual.

Quem é fixo em conhecimento espiritual não se deixa atrair pelo fascínio da natureza material sob a forma de belas mulheres e de prazer sexual desfrutado na associação delas. Alguém que, todavia, ainda é imaturo no cultivo do conhecimento espiritual talvez seja atraído, a qualquer momento, pela ilusão da felicidade temporária, tal como o oceano que, durante a estação chuvosa, é agitado pelos rios caudalosos e pelas rajadas de vento. Portanto, para que não seja arrastada pela agitação sexual, é muito importante que a pessoa se fixe aos pés de lótus de um mestre espiritual autêntico que seja um representante de Deus.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 10

Assim como o ser vivo alcança uma forma transcendentalmente atrativa ao prestar serviço ao Senhor Hari, todos os habitantes da terra e da água assumem belas formas ao tirar vantagem da água recém-caída.

Temos experiência prática disso com os nossos estudantes da Sociedade Internacional da Consciência de Krishna. Antes de se tornarem nossos estudantes, eles pareciam sujos, embora tivessem aspectos pessoais naturalmente belos. Todavia, porque não tinham nenhuma informação sobre a consciência de Krsna, eles pareciam muito sujos e deploráveis. Desde que abraçaram a consciência de Krsna, sua saúde melhorou, e por seguirem as regras e regulações, seu brilho corpóreo aumentou. Quando estão vestidos com roupas açafroadas, com tilaka em suas testas e contas em suas mãos e pescoços, parece que eles vieram diretamente de Vaikuntha.

Os residentes da água são os peixes, as rãs e assim por diante; e os residentes da terra são as vacas, veados e assim por diante. Por beber constantemente a água fresca da chuva que cai na estação de outono, e banhar-se nessa água, os animais fatigados e ressequidos ficam refrescados; e, à medida que sua saúde se fortalece com a chegada da água da chuva, seus aspectos ficam brilhantes. Os lagos, açudes, e rios ficam limpos e revigorados pela queda de nova água de chuva e dessa forma tornam-se belíssimos. De igual modo, o devoto do Senhor Supremo, que tira vantagem da bela e revigorante chuva de descrições transcendentais acerca de Deus encontradas na literatura védica, tem sua consciência espiritual revigorada e refrescada. Dessa maneira, seu corpo espiritualizado torna-se muito belo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Luz Do Bhagavata - Verso 9

Uma cena pitoresca de verdejantes campos de arroz anima o coração do agricultor, mas traz melancolia ao capitalista que vive da exploração dos pobres fazendeiros.

Com boas chuvas, floresce o trabalho do fazendeiro na agricultura. A agricultura é a profissão mais nobre. Ela faz a sociedade feliz, próspera, saudável, honesta e espiritualmente propícia para uma vida melhor após a morte. A comunidade vaisya, ou a classe mercantil, abraça esta profissão. No Bhagavad-gita, os vaisyas são descritos como os agricultores naturais, os protetores das vacas e os comerciantes em geral. Ao encarnar em Vrndavana, o Senhor Sri Krsna teve prazer de tornar-Se o filho querido de uma família vaisya. Nanda Maharaja era um grande protetor das vacas, e o Senhor Sri Krsna, como o filho mais amado de Nanda Maharaja, costumava cuidar dos animais de Seu pai na floresta próxima. Através de Seu exemplo pessoal o Senhor Krsna desejava ensinar-nos o valor da proteção às vacas. Diz-se que Nanda Maharaja possuía novecentas mil vacas, e à época do Senhor Sri Krsna (cerca de cinco mil anos atrás) a extensão de terra conhecida como Vrndavana era inundada de leite e manteiga. Portanto, as profissões abençoadas por Deus para a humanidade são a agricultura e a proteção às vacas.

O comércio objetiva tão-somente o transporte da produção excedente para os locais onde a produção é escassa. Porém, ao tornarem-se muito cobiçosos e materialistas, os comerciantes lançam-se ao comércio e à indústria de grande escala e induzem os pobres agricultores a viverem em cidades industriais insalubres com a falsa esperança de ganharem mais dinheiro. O industrialista e o capitalista não desejam que o fazendeiro fique em casa, satisfeito com sua produção agrícola. Quando os fazendeiros estão satisfeitos em virtude do crescimento luxuriante de cereais, o capitalista fica com o coração melancólico. Mas o fato verdadeiro é que a humanidade tem de depender da agricultura e obter seus meios de subsistência através da produção agrícola.

Ninguém pode produzir arroz ou trigo em grandes indústrias metalúrgicas. O industrialista vai até os camponeses para comprar os cereais que ele é incapaz de produzir em sua fábrica. O pobre agricultor recebe adiantado do capitalista, mas vende sua produção a um preço inferior. Portanto, quando os cereais são produzidos em abundância os fazendeiros tornam-se financeiramente mais fortes, e assim o capitalista fica irritado por não ser capaz de explorá-los.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Luz Do Bhagavata - Verso 8

O verde vívido da grama recém-crescida, as flores sazonais, os cogumelos, as borboletas e as outras variedades da estação chuvosa representam perfeitamente uma família próspera absorta na vaidade de suas posses.

O homem rico exibe sua opulência de várias maneiras coloridas. Ele possui uma bela mansão residencial com um enorme terreno e um jardim bem cuidado. A mansão é decorada com mobília e tapetes modernos. Ele possui automóveis com polimento ofuscante e um aparelho de rádio que recebe e transmite notícias ao vivo e canções melodiosas. Tudo isto cativa o seu proprietário como se ele estivesse numa terra de sonhos por ele mesmo criada.

Quando esse mesmo homem era tão árido quanto a terra não cultivada e não tinha nehuma dessas opulências, seu comportamento era simples. Porém, desde que obteve todos esses meios materiais de desfrute, ele esqueceu-se do princípio de que tudo no mundo vem e vai como as estações mutáveis. O belo Forte Vermelho e o Taj Mahal foram construídos por Xá Jahan, que deixou o local há muito tempo, e muitos outros vieram ao mesmo local e se foram, como flores sazonais. As posses mundanas assemelham-se às flores sazonais. Ou as flores murcham, ou o próprio jardineiro se vai. Esta é a lei da natureza. Portanto, se desejamos vida, conhecimento e bem-aventurança permanentes, devemos buscá-los em outro lugar, não na estação chuvosa, temporária e mutável, que é repleta de muitas variedades de visões prazerosas que se desvanecem quando a estação acaba.
A manifestação dos elementos materiais não passa de representação sombria da realidade. Ela é comparada à miragem no deserto. No deserto não existe água, mas o cervo estulto corre em direção à água ilusória do deserto para saciar sua sede. A água não é irreal, porém, o lugar onde a procuramos é ilusório. O avanço da civilização materialista é exatamente como uma miragem no deserto. O tolo cervo corre atrás da água no deserto com toda a velocidade, e a ilusão da água move-se à sua frente à mesma velocidade. A água não é falsa, mas não devemos buscá-la no deserto. A entidade viva, devido a sua experiência passada, lembra a verdadeira felicidade de sua original existência espiritual, contudo, desde que se esqueceu de si mesma, busca felicidade espiritual ou permanece na matéria, embora isto seja impossível de alcançar.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Luz Do Bhagavata - Verso 7

Os pequenos córregos que quase secaram durante os meses de maio e junho começam agora a transbordar suas margens, tal como os novos-ricos que subitamente excedem os limites de seus gastos.

Deve-se aprender a gravidade com o mar e o córrego. Embora muitos rios lancem suas águas no mar, este permanece sempre dentro de seus limites. De forma semelhante, deve-se usar apropriadamente os bens da vida e não esbanjá-los visando a propósitos que não têm valor permanente. Pessoas descontroladas e luxuriosas brincam com os bens do corpo e acumulam riqueza. Contudo, o vigor físico deve ser usado para auto-realização, não para gozo dos sentidos.


Os seres humanos têm duas classes de temperamento. Alguns são introspectivos e outros são esbanjadores. Aqueles que são esbanjadores ficam cativados pelos aspectos externos da beleza fenomenal e não têm compreensão da manifestação total. Sua introspecção está praticamente adormecida, e por isso são incapazes de auferir qualquer lucro permanente da riqueza da forma de vida humana. Porém, quem desenvolveu a introspecção é tão grave quanto o mar. Enquanto os esbanjadores permanecem calmos e tranqüilos em seu torpor, aqueles que são graves usam toda a vantagem oferecida pela forma de vida humana.


Embora as propensões animais do corpo devam ser minimizadas, aqueles que são esbanjadores excedem-se por certo tempo no desfrute material. Entretanto, tão logo a estação chuvosa da vida termina, eles tornam-se tão áridos quanto os leitos de rios secos. A vida tem por objetivo a causa certa, ou sat - aquilo que existe para sempre. No mundo material nada é sat, eterno, todavia, o mau negócio do mundo material pode ser usado para o melhor propósito. A mente dedicada ao esbanjamento é um mau negócio, mas pode-se fazer o melhor uso da mente através da introspecção.