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sábado, 2 de março de 2013

Sobre Adolf Hitler E Todos Nós

Quase uma unanimidade quando o assunto é mau exemplo para a humanidade, o líder que conduziu a Alemanha ao maior conflito do século XX (a Segunda Guerra Mundial) trata-se de uma figura que desperta sentimentos intensos.

Particularmente, não vejo condições de criar simpatia e muito menos admiração por alguém que seja responsável pela matança sistemática e premeditada de tantos seres inocentes.

Mas o que temos nós a ver com isso?, poderá perguntar alguém ao ler esse tópico. Hitler é totalmente diferente da gente!, exclamaria em seguida.

Talvez a maior diferença entre Adolf Hitler e muitos de nós esteja no uso daquele bigode um tanto exótico. Em se tratando da matança sistemática e premeditada de tantos seres inocentes, a semelhança é grande.

No período em que Adolf Hitler esteve no poder, grupos minoritários considerados indesejados - tais como Testemunhas de Jeová, eslavos, poloneses, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais, e judeus - foram perseguidos no que se tornou conhecido como Holocausto. A maioria dos historiadores admite que a maior parte dos perseguidos foi submetida a Solução Final, enquanto certos seres humanos foram usados em experimentos médicos ou militares (ver: Experimentos humanos nazistas).

No período em que a indústria de animais para consumo está prosperando, grupos de animais considerados mercadorias – tais como vacas, bois, porcos, frangos, galinhas, cavalos e peixes – foram perseguidos no que se tornou banalizado como cultura. A maioria dos cientistas admite que a totalidade dos perseguidos é submetida a situações de tortura, enquanto certos animais são usados em experimentos médicos ou militares (ver: Vivissecção).

Hitler não era um mau cidadão durante 100% do tempo. Infelizmente, suas empreitadas cruéis deixaram milhões de vítimas ao longo de uma década. Agora, e quanto a nós? Será que somos bons cidadãos durante 100% do tempo? Infelzimente, algumas de nossas escolhas cruéis (na maioria das vezes impensadas, pois simplesmente não paramos para refletir sobre o tema) deixaram e continuam deixando bilhões de vítimas todos os anos.

Testemunhas de Jeová, vacas, eslavos, bois, poloneses, porcos, ciganos, frangos, homossexuais, galinhas, deficientes físicos e mentais, cavalos, judeus e peixes, para somente citar alguns exemplos, pois a lista é mais extensa, são todos eles, sem exceção, seres capazes de experienciar alegria, prazer, dor e sofrimento. Respeitemos. Façamos escolhas conscientes. Do contrário, corremos o risco de agirmos como Hitler para os outros.
Acima, Hitler com sua esposa e a amada cadela Blondi.
Abaixo, uma cidadã comum indiferente aos restos daquilo que nos acostumamos a chamar de presunto, salame, mortadela, carne suína... Será que cada um sabe onde guarda o seu holocausto?

Para mais informações, pode-se ver o verbete sobre Adolf Hitler e assistir o filme "Terráqueos" ("Earthlings").

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Por Um Carnaval Sem Covardia Na Fantasia


O presente tópico vem em clima e ritmo de carnaval. Numa das épocas mais festivas do ano e considerado por muitos como o maior espetáculo da Terra, os desfiles das escolas de samba costumam trazer temas que muitas das vezes remetem para o bem, para pensamentos de preservação etc e tal. Mas de que adianta falar de preservação se não se faz a preservação?

Então, o blogueiro reeditou refrões de sambas-enredo desse ano de 2013, fazendo uma brincadeira com coisa séria. Na melhor das intenções. Quem sabe, um dia, olhemos para trás e pensemos: "caramba, a gente fazia fantasia violando corpos animais?". Precisamos parar com essa cultura de exploração. Viva o carnaval com ética e respeito. No falar e no fazer.

Deus Thor me chamou, vou nessa viagem
Que felicidade, é vegan meu bem
Metade da minha fantasia é sem plumas
A outra metade é sem plumas também
(Unidos da Tijuca)

Tá na capa da revista, o meu pavilhão
E na cara dessa gente, o orgulho a emoção
Sem plumas de bicho no peito
Tem banca, moral, respeito
(Acadêmicos do Salgueiro)

Fantasia sem crueldade, é pra lá de bom
Ao som do fole, eu e você
A Vila vem plantar felicidade no amanhecer
(Unidos de Vila Isabel)

Sou coerente, meu amor
Um vencedor, meu limite é o céu
Eu vim brilhar com a Beija-Flor
Valente e guerreiro, vegano fiel
(Beija-Flor de Nilópolis)

Um animal que sente dor, sou eu
Vem cá, me dá, o que é meu, é meu
(Acadêmicos do Grande Rio)

Cai na folia sem pluma, meu bem, vem na fé
Na ilusão da fantasia
Tem consciência quem quer
(Portela)

Mangueira... o trem da emoção
Viaja na imaginação
Minha fantasia é sem pluma, matou ninguém não
É poesia que faço de coração
(Estação Primeira de Mangueira)

Onde anda você, "ararinha"?
Saudade mandou te buscar
A Ilha é vegan na avenida
Mais que nunca vou te respeitar
(União da Ilha)

Uma onda me embala, invade a alma
No peito explode a minha paixão
Um mundo melhor, que felicidade
Minha fantasia não tem crueldade
(Mocidade Independente)

No norte a estrela que vai me guiar
Exemplo pro mundo: Pará
O talismã do meu país
Sem plumas a Imperatriz
(Imperatriz Leopoldinense)

Olha quem chegou, tem caçador na mata
As aves estão fugindo desesperadas
Fantasia sem pena, por favor, minha gente
Na tela da São Clemente
(São Clemente)

Meu oriente é você
Vim mostrar o meu valor
Inocentes, as aves merecem viver
Boicote penas e plumas, amor
(Inocentes de Belford Roxo)
Exemplo de "resto de uma fantasia". Abaixo, vídeo mostrando exemplo de uma indústria de penas.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Natal É Nascimento E Nascimento É Vida

Este tema foi tratado por aqui no ano passado e não é minha intenção me estender muito e menos ainda ser repetitivo. Mas não pode passar batido algo tão relevante como a discussão sobre o que estamos fazendo com o Natal (ou o que estamos fazendo do Natal).

Em primeiro lugar, etimologicamente "natal" quer dizer "nascer". Ou seja, cada um que esteja lendo essas palavras teve o seu dia de natal, convenientemente registrado em documentos como a certidão de nascimento ou a carteira de identidade.

Nessa data de vinte e cinco de dezembro, o Natal tem um sentido mais místico e religioso, até porque o ser que tem o nascimento celebrado é simplesmente divinal: Jesus Cristo. Daí nasce a discussão: como celebrar o natal de alguém como Jesus?

Eu, particularmente, acho que estamos fazendo isso da forma errada. Nascido numa manjedoura (do italiano mangiatoia: local onde se põe comida para os animais) e figura pacifista por toda a vida, Jesus é hoje "homenageado" pela degustação de cadáveres animais (seja peru, chester, frango, pato, tender, a lista é extensa). Será que o lugar onde se põe comida para os animais foi confundido com o lugar onde comemos os animais? O banquete da ceia natalina, onde pseudos-cristãos gozam de uma orgia alimentar descaracterizada de qualquer sentido sacro, muito mais remete à idéia de matadouro (lugar onde se matam animais) do que qualquer outra coisa.

Então, cá estou através deste texto pedindo uma reflexão: este comportamento à mesa é coerente com a filosofia de vida ensinada por Jesus de Nazaré?

Estou convencido de que não, não é. Por isso, uma ceia estritamente vegetariana é a única alternativa ética para quem quer celebrar um Natal na acepção mais natalina do termo: com vida.

Feliz Natal a todos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Neste Natal, Pense

Nascido numa manjedoura, sob o testemunho harmonioso de animais que ali marcavam presença. Durante a vida, um ativo defensor da não-violência. Aliás, a vida desse ser absolutamente luminoso que marca a data de 25 de dezembro dispensa maiores ponderações. Não sei o que o dia de Natal eventualmente possa representar na vida de cada um que eventualmente leia essas palavras, mas tomo a liberdade de fazer um pedido àqueles que, seja como for, celebram a data de uma forma especial: sejam coerentes com a vida do homenageado. Se ele estivesse sentado à mesa contigo, você seria rude ou apenas pronunciaria palavras fraternais? Você o recepcionaria amarga ou alegremente? Você ousaria serví-lo com o sangue originado do sofrimento de seres sensíveis ou a ceia abraçaria princípios éticos? As respostas são pessoais e a reflexão é obrigatória para uma conduta coerente.

sábado, 1 de maio de 2010

Balanço De Abril

Instalei o Google Analytics dia 1º e, com essa ferramenta, pude dar uma conferida nos acessos a esse blógui. Foram 118 visitas no mês, número que achei interessante (arredonda aí pra 4 visitas diárias, uma a cada 6 horas). Em homenagem à estatística que diz que a média é de 1 minuto e 20 segundos por acesso, tentarei digitar pouco o bastante para que você, estimado internauta, consiga desfrutar de tudo em meros 80 segundos.

Bom, vocês devem ter percebido que falo menos de futebol nesse espaço. Não! Meu interesse pelo esporte mais popular do Brasil e do mundo não diminuiu! É que, também no dia 1º de abril - não é mentira - abri um blógui pra tratar exclusivamente disso: www. jogadadefeito.blogspot.com.

Rolaram, em abril, algumas coisas maneiras. Por exemplo, voltei a andar de báiqui (e com o pneu traseiro um tanto vazio, prometo calibrá-lo na próxima empreitada ciclística), vi alguns bons filmes no cinema, sobrevivi são e salvo (redundância, eu sei) às fortes intempéries climáticas que contemplaram o Rio de Janeiro, esse tipo de coisa. Mas, o principal, o mais vibrante, foi o título do Botafogo no domingo 18! Aí você diz, em tom de queixa: "pô, tu não bolou um blógui pra falar de futebol? Vá tratar disso lá!". Mas é que aqui me dou maior liberdade de ser menos imparcial, tudo bem pra você? É campeão! É campeão! É campeão!

Blablablá, imagens valem mais que milhares de palavras.


Antes de entrar no estádio e já rolando a festa no intervalo.


Pode soltar o grito: "É campeão! É campeão! É campeão!".

Hoje, 1º de maio de 2010, completo 3 anos de vegano - veganismo intencional, pois considero que a prática nessa filosofia de vida esteja em constante construção, sobretudo se observarmos o fato de pagarmos impostos a um governo que financia a atividade pecuária, por exemplo. Não disse nem 1 nem 2, mas 3 anos no veganismo! E estou vivo, acredita? Pois é, um estilo de vida que boicote a exploração animal não é uma mera utopia. É plenamente possível, viável e o mais importante: é a escolha moralmente correta a fazermos. Aliás, se alguém quiser saber mais sobre veganismo, aproveite a internet e consulte. Vou parar a postagem por aqui para respeitar aqueles 80 segundos. Mas, prometo, caso alguém manifeste vontade de saber mais a respeito, volto a falar nesse tema. Pra mim, um prazer.

sábado, 3 de abril de 2010

A Páscoa Pro Coelho

Quatro dias santificados pela Igreja Católica. Um período historicamente marcante, onde um ser absolutamente iluminado (Jesus) passou por momentos adversos mas manteve-se triunfante sempre. Culminou com o advento da ressurreição, simbolizado no calendário cristão pelo domingo de Páscoa.

Pois é, mas o fundamentalismo econômico trata de desvirtuar as coisas, parecendo que trata-se do aniversário do coelho, assim como o Natal leva a crer ser uma data comemorativa para o Papai Noel.

Por falar em coelhos - uma espécie que por sinal não bota ovo - como será a Páscoa para os coelhos? Como são tratadas essas criaturas?

Abaixo, texto extraído de http://www.ddapelotas.blogspot.com/.



No Brasil, o objetivo principal da criação de coelhos é a produção da carne; entretanto, existe um montante considerável do subproduto pele que, ao ser aproveitado, representa uma renda complementar e evita o problema de descarte. Outros subprodutos como o cérebro, sangue, patas, orelhas e esterco são igualmente passíveis de ser utilizados, podendo, inclusive, ser considerados uma alternativa econômica da exploração da cunicultura e não o é por falta de informação.

O processo de abate engloba algumas etapas, como atordoamento, sangria, esfola e evisceração.

Quando o criador visa ao aproveitamento da pele, deverá ter alguns cuidados para obter um produto de boa qualidade, sem manchas, falhas ou gorduras. Sendo assim, apesar de a etapa da sangria ter vários métodos, é aconselhável adotar o método da extração do olho em que o subproduto se apresentará com menos manchas de sangue.

Trechos extraídos do "MANUAL DE UTILIZAÇÃO DE SUBPRODUTOS DE COELHOS", disponível em http://www.editora.ufla.br/BolExtensao/pdfBE/bol_89.pdf


Portanto, cabe refletirmos se temos alguma coisa a ver com essa história toda.

E, se temos, como devemos agir?

Abraços pascoais. E viva a vida!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Por Um Natal Sem Sangue


Não consigo encontrar sentido em brindar o nascimento de um indivíduo pacifista e fraternal - possivelmente o maior ícone da história da humanidade - degustando do sangue de seres inocentes.

Vamos raciocinar. Será que o aniversariante da data, Jesus de Nazaré, compartilharia do banquete cadavérico recheado de animais abatidos? Ou será que ele proporia uma ceia não-violenta?

Poupar animais de exploração, dor e sofrimento antes de eventualmente vir a ser considerada uma questão religiosa, é fundamentalmente uma questão ética. A ética que sugere que não façamos ao outro aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco. Se você não se importar de se fazer de alimento para que o devorem, encerro meus argumentos. O que posso garantir é que a proteína animal constante na mesa de muitos ditos cristãos está ali sem qualquer consentimento das vítimas, e que provavelmente dedicaram todos os seus esforços para continuarem vivos, numa vã tentativa de driblar o carrasco - você, consumidor.

Falta um mês para o Natal. Que não falte coerência na mesa daqueles que ceiam.

domingo, 23 de agosto de 2009

Começou O Ramadã

Como a data de ontem marcou o início do Ramadã, cá estou na tentativa de falar alguma coisa sobre esse período altamente importante para os muçulmanos e para o Islamismo.

Bom, não tenho lá muita familiaridade com o Ramadã, nem com muçulmanos e tampouco com o Islã, mas um trabalho realizado ano passado na faculdade abordando a guerra do Yom Kippur me despertou interesse no tema. Aliás, a guerra recebeu esse nome pois foi no dia do Yom Kippur (também conhecido como o Dia Do Perdão) que os egípcios começaram os ataques bélicos pra cima dos israelenses, no ano de 1973.

Imagem de conflito árabe-israelense, a guerra do Yom Kippur

O Ramadã não tem uma data fixa, pois se baseia nas fases da lua, sendo o calendário lunar 11 dias mais breve que o calendário solar. O fato é que ocorre no nono mês do calendário islâmico, sendo o 'tripé' do Ramadã baseado nas propostas de oração, jejum e caridade.

Acho interessante a questão do jejum e os propósitos vinculados a essa prática, até porque não é uma conduta exclusiva do islamismo. Os católicos, por exemplo, propõem que os seguidores da doutrina não comam carne no período de Quaresma. Curioso, né? Por quarenta dias no ano é considerado "errado" comer carne, mas nos demais 325 dias a mesma prática é "tolerável". Não quero me alongar numa comparação religiosa, mas acho pertinente colocar que embora haja uma simbologia forte em torno da Quaresma católica, a disciplina islâmica perante o Ramadã é muito maior, não havendo a ingestão de nenhum alimento entre o nascer e o pôr-do-sol.


Muçulmanos orando na mesquita Istiqlal, em Jacarta, marcando o início do Ramadã

Quanto ao Yom Kippur especificamente, é interessante observarmos as recomendações para essa que é uma das datas mais importantes do judaísmo:

Existem 5 proibições no Yom Kippur: 1. Comer (come-se um pouco antes do pôr-do-sol ainda na véspera do dia até o nascer das estrelas do dia de Yom Kippur); 2. Usar calçados de couro; 3. Relacionamento conjugal; 4. Passar cremes, desodorante etc. no corpo; 5. Banhar-se por prazer.

A essência destas proibições é causar aflição ao corpo, dando, então, prioridade à alma. Pela perspectiva judaica, o ser humano é constituído pelo yetzer hatóv (o desejo de fazer as coisas corretamente, que é identificado com a alma) e o yetzer hará (o desejo de seguir os próprios instintos, que corresponde ao corpo). Nosso desafio na vida é "sincronizar" nosso corpo com o yetzer hatóv. Uma analogia é feita no Talmud entre um cavalo (o corpo) e um cavaleiro (a alma). É sempre melhor o cavaleiro estar em cima do cavalo!


Dar uma data para "o desejo de fazer as coisas corretamente" é como uma encenação coletiva sob a batuta religiosa, onde o "bom homem" tem prazo de validade já estimado. Está no "dia do perdão", no "dia de ação de graças", na "sexta-feira santa" etc. Acredito que o verdadeiro sentido de re-ligare encontre-se abrigado num compromisso permanente, que transcenda a formalidade da espiritualidade institucionalizada e permeie o mais íntimo de nós no sentido de matermo-nos conectados sem precisar que um sacerdote ou um livro diga-nos o que fazer. Esse "agir corretamente" eu gosto de chamar de ética.

Oração, jejum e caridade pra você também.