sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 10

Assim como o ser vivo alcança uma forma transcendentalmente atrativa ao prestar serviço ao Senhor Hari, todos os habitantes da terra e da água assumem belas formas ao tirar vantagem da água recém-caída.

Temos experiência prática disso com os nossos estudantes da Sociedade Internacional da Consciência de Krishna. Antes de se tornarem nossos estudantes, eles pareciam sujos, embora tivessem aspectos pessoais naturalmente belos. Todavia, porque não tinham nenhuma informação sobre a consciência de Krsna, eles pareciam muito sujos e deploráveis. Desde que abraçaram a consciência de Krsna, sua saúde melhorou, e por seguirem as regras e regulações, seu brilho corpóreo aumentou. Quando estão vestidos com roupas açafroadas, com tilaka em suas testas e contas em suas mãos e pescoços, parece que eles vieram diretamente de Vaikuntha.

Os residentes da água são os peixes, as rãs e assim por diante; e os residentes da terra são as vacas, veados e assim por diante. Por beber constantemente a água fresca da chuva que cai na estação de outono, e banhar-se nessa água, os animais fatigados e ressequidos ficam refrescados; e, à medida que sua saúde se fortalece com a chegada da água da chuva, seus aspectos ficam brilhantes. Os lagos, açudes, e rios ficam limpos e revigorados pela queda de nova água de chuva e dessa forma tornam-se belíssimos. De igual modo, o devoto do Senhor Supremo, que tira vantagem da bela e revigorante chuva de descrições transcendentais acerca de Deus encontradas na literatura védica, tem sua consciência espiritual revigorada e refrescada. Dessa maneira, seu corpo espiritualizado torna-se muito belo.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Srila Gurudeva Entra Em Mahasamadhi

Ofereço minhas mais profundas e respeitosas reverências aos pés-de-lotus de Sri Srimad Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja, a quem sou eternamente grato.

Hoje uma emoção diferente tomou conta do
atma que habita este corpo: recebo a notícia de que Srila Gurudeva entrou em samadhi e, às 3 horas da manhã desse 29 de dezembro de 2010, se encaminhou para a morada do Senhor Supremo. Abaixo, transcrevo a mensagem (fonte original em inglês "Srila Gurudeva Enters Samadhi").
Queridos devotos e amigos,

Por favor aceitem nossos dandavats pranams e recebam as bênçãos do coração de Srila Gurudeva. Todas as glórias a Sri Guru e Sri Gauranga e todas as glórias a Sri Sri Radha Vinode Bihariji.

Hoje, Sri Krsna Navami Tithi, no dia 29 de dezembro de 2010, no mais auspicioso dia do aparecimento de nitylila pravista om vishnupada Sri Srimad Bhaktivedanta Vaman Gosvami Maharaja, nosso amado Gurudeva, Sri Srimad Bhaktivedanta Narayan Gosvami Maharaja entrou nos passatempos eternos de Sri Sri Radha e Krsna às 03 h da manhã em Sri Jagannath Ksetra Dham, a residência transcendental de Sri Jagannath Deva, Sri Baladeva e Srimati Subhadra.

Estamos fazendo todos os preparativos para trazer o corpo transcendental de Srila Gurudeva para Sri Navadvip Dham e lá colocá-lo em Samadhi.

Mais notícias serão enviadas em breve.

Vaisnavadasanudasa & aspirantes pelo serviço a Sri Guru e Vaisnavas


Swami B.V. Madhava & Brajanath das

Devemos compreender verdadeiramente Krishna e isto só pode ser feito por servir a um devoto puro.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mensagem De Natal E Ano Novo

Nessa época do ano brotam mensagens desejando dias melhores. Algo altamente positivo e que torna-se altamente inspirador por se tratar do momento em que celebramos o nascimento do inigualável Jesus Cristo.

A mensagem que mais me sensibilizou não foi nenhuma dessas tantas com dizeres repletos de palavras bonitas, etc e tal. Mas é precisa e contundente na sua sinceridade e no seu caráter de emergência. Está aí à esquerda, onde você pode clicar para ampliar. Ou se preferir, acesse: http://migre.me/3b6P4

"Enquanto baleias continuarem a ser assassinadas,
enquanto tubarões continuarem a ser mutilados aqui no Brasil,
enquanto focas continuarem a ser trucidadas,
e enquanto golfinhos continuarem a ser massacrados,
vai ser impossível desejarmos um FELIZ Natal e um FELIZ Ano Novo.
Mas continuamos lutando para mudar tudo isso!"

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Luz Do Bhagavata - Verso 9

Uma cena pitoresca de verdejantes campos de arroz anima o coração do agricultor, mas traz melancolia ao capitalista que vive da exploração dos pobres fazendeiros.

Com boas chuvas, floresce o trabalho do fazendeiro na agricultura. A agricultura é a profissão mais nobre. Ela faz a sociedade feliz, próspera, saudável, honesta e espiritualmente propícia para uma vida melhor após a morte. A comunidade vaisya, ou a classe mercantil, abraça esta profissão. No Bhagavad-gita, os vaisyas são descritos como os agricultores naturais, os protetores das vacas e os comerciantes em geral. Ao encarnar em Vrndavana, o Senhor Sri Krsna teve prazer de tornar-Se o filho querido de uma família vaisya. Nanda Maharaja era um grande protetor das vacas, e o Senhor Sri Krsna, como o filho mais amado de Nanda Maharaja, costumava cuidar dos animais de Seu pai na floresta próxima. Através de Seu exemplo pessoal o Senhor Krsna desejava ensinar-nos o valor da proteção às vacas. Diz-se que Nanda Maharaja possuía novecentas mil vacas, e à época do Senhor Sri Krsna (cerca de cinco mil anos atrás) a extensão de terra conhecida como Vrndavana era inundada de leite e manteiga. Portanto, as profissões abençoadas por Deus para a humanidade são a agricultura e a proteção às vacas.

O comércio objetiva tão-somente o transporte da produção excedente para os locais onde a produção é escassa. Porém, ao tornarem-se muito cobiçosos e materialistas, os comerciantes lançam-se ao comércio e à indústria de grande escala e induzem os pobres agricultores a viverem em cidades industriais insalubres com a falsa esperança de ganharem mais dinheiro. O industrialista e o capitalista não desejam que o fazendeiro fique em casa, satisfeito com sua produção agrícola. Quando os fazendeiros estão satisfeitos em virtude do crescimento luxuriante de cereais, o capitalista fica com o coração melancólico. Mas o fato verdadeiro é que a humanidade tem de depender da agricultura e obter seus meios de subsistência através da produção agrícola.

Ninguém pode produzir arroz ou trigo em grandes indústrias metalúrgicas. O industrialista vai até os camponeses para comprar os cereais que ele é incapaz de produzir em sua fábrica. O pobre agricultor recebe adiantado do capitalista, mas vende sua produção a um preço inferior. Portanto, quando os cereais são produzidos em abundância os fazendeiros tornam-se financeiramente mais fortes, e assim o capitalista fica irritado por não ser capaz de explorá-los.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Neste Natal, Pense

Nascido numa manjedoura, sob o testemunho harmonioso de animais que ali marcavam presença. Durante a vida, um ativo defensor da não-violência. Aliás, a vida desse ser absolutamente luminoso que marca a data de 25 de dezembro dispensa maiores ponderações. Não sei o que o dia de Natal eventualmente possa representar na vida de cada um que eventualmente leia essas palavras, mas tomo a liberdade de fazer um pedido àqueles que, seja como for, celebram a data de uma forma especial: sejam coerentes com a vida do homenageado. Se ele estivesse sentado à mesa contigo, você seria rude ou apenas pronunciaria palavras fraternais? Você o recepcionaria amarga ou alegremente? Você ousaria serví-lo com o sangue originado do sofrimento de seres sensíveis ou a ceia abraçaria princípios éticos? As respostas são pessoais e a reflexão é obrigatória para uma conduta coerente.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Luz Do Bhagavata - Verso 8

O verde vívido da grama recém-crescida, as flores sazonais, os cogumelos, as borboletas e as outras variedades da estação chuvosa representam perfeitamente uma família próspera absorta na vaidade de suas posses.

O homem rico exibe sua opulência de várias maneiras coloridas. Ele possui uma bela mansão residencial com um enorme terreno e um jardim bem cuidado. A mansão é decorada com mobília e tapetes modernos. Ele possui automóveis com polimento ofuscante e um aparelho de rádio que recebe e transmite notícias ao vivo e canções melodiosas. Tudo isto cativa o seu proprietário como se ele estivesse numa terra de sonhos por ele mesmo criada.

Quando esse mesmo homem era tão árido quanto a terra não cultivada e não tinha nehuma dessas opulências, seu comportamento era simples. Porém, desde que obteve todos esses meios materiais de desfrute, ele esqueceu-se do princípio de que tudo no mundo vem e vai como as estações mutáveis. O belo Forte Vermelho e o Taj Mahal foram construídos por Xá Jahan, que deixou o local há muito tempo, e muitos outros vieram ao mesmo local e se foram, como flores sazonais. As posses mundanas assemelham-se às flores sazonais. Ou as flores murcham, ou o próprio jardineiro se vai. Esta é a lei da natureza. Portanto, se desejamos vida, conhecimento e bem-aventurança permanentes, devemos buscá-los em outro lugar, não na estação chuvosa, temporária e mutável, que é repleta de muitas variedades de visões prazerosas que se desvanecem quando a estação acaba.
A manifestação dos elementos materiais não passa de representação sombria da realidade. Ela é comparada à miragem no deserto. No deserto não existe água, mas o cervo estulto corre em direção à água ilusória do deserto para saciar sua sede. A água não é irreal, porém, o lugar onde a procuramos é ilusório. O avanço da civilização materialista é exatamente como uma miragem no deserto. O tolo cervo corre atrás da água no deserto com toda a velocidade, e a ilusão da água move-se à sua frente à mesma velocidade. A água não é falsa, mas não devemos buscá-la no deserto. A entidade viva, devido a sua experiência passada, lembra a verdadeira felicidade de sua original existência espiritual, contudo, desde que se esqueceu de si mesma, busca felicidade espiritual ou permanece na matéria, embora isto seja impossível de alcançar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Purgatório Da Beleza E Do Caos

Mais uma vez, veja só, o Rio de Janeiro é notícia internacionalmente.

Alguns me perguntaram (meses atrás, antes do pleito eleitoral) a respeito das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), implementada na gestão do atual governador, reeleito mês passado. Minhas respostas costumavam ser reticentes: 'isso está estranho', 'esse negócio está esquisito'. E aconteceu. Para alegria do senhor governador Sérgio Cabral, aconteceu depois das eleições. Mas, para tristeza e medo da população carioca, aconteceu. Após desterritorializarem o narcotráfico em 14 favelas escolhidas, os indivíduos economicamente prejudicados (leia-se narcotraficantes) reagiram. E, pela primeira vez na história dessa cidade, vê-se uma união da criminalidade: nesse momento, não importa a facção às quais os narcotraficantes "pertencem", nesse momento a UPP desses indivíduos significa "Unidos Pelo Pó".

Apoiadas pela grande mídia e aplaudidas por grande parte da população residente, as ações das forças policiais prometem o máximo de ostensividade, seguindo a estratégia do enfrentamento e alimentando a lamentável estatística de ser essa polícia - a do Rio de Janeiro - a que mais mata e a que mais morre no mundo.

Não sei quanto tempo durará essa empreitada. A "cidade maravilhosa" está, na data dessa postagem, no 6º dia de ações/reações armadas. A certeza que guardo é a de que nenhuma mazela social será totalmente desfeita sem que se reduzam drasticamente as desigualdades.

Agora é hora - como sempre é - de colocarmos a mão na consciência e auto-refletirmos o seguinte: "até que ponto estou envolvido nisso?". Poderia responder a essa indagação estendendo o tópico em mais um ou outro parágrafo, mas a idéia é que você responda por si próprio. Até porque, talvez, as respostas possam ser diferentes. Até que ponto estamos envolvidos nisso?

Em tempo, uma sugestão de leitura: "São Sebastião ainda olha por nós e algumas considerações".

Abraços.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Luz Do Bhagavata - Verso 7

Os pequenos córregos que quase secaram durante os meses de maio e junho começam agora a transbordar suas margens, tal como os novos-ricos que subitamente excedem os limites de seus gastos.

Deve-se aprender a gravidade com o mar e o córrego. Embora muitos rios lancem suas águas no mar, este permanece sempre dentro de seus limites. De forma semelhante, deve-se usar apropriadamente os bens da vida e não esbanjá-los visando a propósitos que não têm valor permanente. Pessoas descontroladas e luxuriosas brincam com os bens do corpo e acumulam riqueza. Contudo, o vigor físico deve ser usado para auto-realização, não para gozo dos sentidos.


Os seres humanos têm duas classes de temperamento. Alguns são introspectivos e outros são esbanjadores. Aqueles que são esbanjadores ficam cativados pelos aspectos externos da beleza fenomenal e não têm compreensão da manifestação total. Sua introspecção está praticamente adormecida, e por isso são incapazes de auferir qualquer lucro permanente da riqueza da forma de vida humana. Porém, quem desenvolveu a introspecção é tão grave quanto o mar. Enquanto os esbanjadores permanecem calmos e tranqüilos em seu torpor, aqueles que são graves usam toda a vantagem oferecida pela forma de vida humana.


Embora as propensões animais do corpo devam ser minimizadas, aqueles que são esbanjadores excedem-se por certo tempo no desfrute material. Entretanto, tão logo a estação chuvosa da vida termina, eles tornam-se tão áridos quanto os leitos de rios secos. A vida tem por objetivo a causa certa, ou sat - aquilo que existe para sempre. No mundo material nada é sat, eterno, todavia, o mau negócio do mundo material pode ser usado para o melhor propósito. A mente dedicada ao esbanjamento é um mau negócio, mas pode-se fazer o melhor uso da mente através da introspecção.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Voto Derradeiro Nas Eleições 2010: O Que Fazer?

Tão logo foi oficialmente divulgado o segundo turno presidencial entre Dilma Rousseff (para mais 4 anos de PT) e José Serra (para mais 4 anos de PSDB), notei que me encontraria em um grande dilema para o novo pleito eleitoral.

A votação derradeira acontecerá no próximo domingo, 31. A dúvida que paira sobre esta mente é se devo anular o voto teclando 50 (ou qualquer outro número que não o dos candidatos, embora o 50 carregue um aspecto simbólico) ou se devo anular o candidato José Serra teclando 13.

A candidata Dilma não me empolga. Votar nela seria, no meu raciocínio, votar na plataforma petista, que, embora não seja a ideal, é muito mais próxima dos menos favorecidos do que a plataforma tucana, altamente elitista no seu mergulho neoliberal.

Mais que isso, votar em Dilma seria o ato formal de comprovar o meu medo no retorno dos tucanos ao governo federal. As gestões de FHC (nas quais José Serra foi ministro da Saúde e também ministro do Planejamento) representaram oito anos que eu não gostaria de ver o Brasil experienciar de novo.

No debate de ontem, anunciado como o penúltimo da televisão, ficou bastante claro uma coisa: tanto Dilma quanto Serra estavam mais preparados em apontar os podres dos oponentes do que propriamente a apresentar uma política pública que contemple a massa de necessitados.

Num determinado momento, foi feita uma pergunta ao tucano que comparava os 8 anos de governo do PSDB (5 milhões de empregos gerados) com os quase 8 anos de governo do PT (cerca de 15 milhões de empregos gerados). O tucano "preferiu" falar da Petrobras, numa explanação que não contemplou palavras como "emprego", "trabalho", "renda", supostamente no mesmo campo semântico da pergunta a ele feita. Daí eu pergunto: houve um debate? Dou-me a liberdade de responder: não, não houve. Talvez tenha havido um conflito. Mas, infelizmente, não um conflito de idéias - por mais incrível que possa parecer, os dois candidatos em muito se assemelham - e sim um conflito na esfera pessoal. Para tristeza dos eleitores, obrigados a comparecerem a uma zona eleitoral e depositar seu voto numa específica urna eletrônica, sobraram duas coligações de mensaleiros. Não há moral de nenhum sobre outro ali. Ambos, quietos, já estariam errados. Mas eles fazem questão de falar. Debater que é bom, quase nada.

Bem, talvez você esteja querendo saber para quem vai o meu voto. Devo confessar que tenho mais medo de um novo governo tucano do que empolgação por um novo governo petista. 8 anos atrás, fui votar pela primeira vez. 16 anos de idade (ou 17 recém-completados, não lembro) e um sentimento de esperança personificado na figura barbuda e carismática de Luís Inácio "Lula" da Silva. Lula foi eleito, e a política privatizatória de Fernando Henrique desfeita (dou graças a Deus por isso). Os indicadores sociais deram saltos. O Brasil melhorou. Mas vieram escândalos, alguns deles lamentáveis, principalmente por envolver um partido que enchia a boca para falar de "ética". Em 2006, dei meu voto no primeiro turno para Heloísa Helena. No segundo, para Lula. Nesse ano, votei em Plínio de Arruda Sampaio, um indivíduo que chegou a me comover com a sua linda candidatura. No segundo turno, o que fazer? Retornando ao sentimento de esperança - campanha "a esperança venceu o medo" -, a minha única esperança nesse segundo turno é de conotação utópica: de que o povo brasileiro anulasse o voto. Votar em Dilma seria motivado pelo sentimento de medo: medo de uma eleição de José Serra. Não posso trair um sentimento tão nobre quanto o da esperança. Por mais utópico que pareça. Tá decidido: vou anular.

Bom voto para todos. O país que merecemos é esse que está aí. Nada mais que isso.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Uma Unidade Resgatada

70 dias. O que você faz em 70 dias?

São 10 semanas. Mergulhados na rotina cotidiana, nem nos damos conta do que podemos fazer nesse período. No Chile, trabalhadores de uma mina ficaram soterrados e conviveram por 70 dias privados de toda comodidade, sem poder sequer ver a luz do sol. Surpreendentemente, aquelas 33 pessoas (leia-se 33 heróis) conviveram harmoniosamente, esbanjando inclusive bom-humor.

Não sei o que esse fato marcante possa ter representado para você que está lendo essas palavras nesse momento. Mas, para mim, foi bastante significativo. Uma verdadeira aula de valorização da vida. Uma volta por cima - literalmente - inspiradora. A mobilização internacional para acompanhar o resgate também é um sinal positivo. Eu, se fosse cineasta, correria atrás dos direitos de transformar essa história em filme. Não sou, então dedico, humildemente, essa postagem a cada um dos 33 indivíduos que tanto ensinaram àqueles dispostos a extrair algum aprendizado dessas situações inusitadas que a vida por vezes pode nos proporcionar.

Mais que uma unidade de mineiros, creio que a humanidade pode ter sido resgatada. Um resgate de valores. Viva a vida!

Juan Carlos Aguilar, um dos mineiros resgatados, retorna à mina para acompanhar uma missa de agradecimento, acompanhado de esposa e filha.

Que os próximos 70 dias sejam muito bons para todos nós!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

14:53h, 28ºC

O relógio digital situado no estádio Jornalista Mário Filho, vulgo Maracanã, apontava esse horário e essa temperatura. Enquanto isso, lá estávamos Gaia, Samadhi e eu a andar em torno do "maior do mundo" (hoje um canteiro de obras gigantesco). Ao fato.

Num determinado momento, as cadelas começaram a tentar me puxar pro lado. Era exatamente na direção onde passava um sujeito andando com um copo de sorvete. Trouxe as coleiras mais pra perto e seguimos em frente.

Eis que o camarada olha pra elas e, de alguma forma, toma a iniciativa de oferecer-lhes um pouco de sorvete! Nunca havia visto isso antes, ainda mais na rua, sem "conhecer" a pessoa. Acha que acabou? Está apenas começando...

Ele: aê, elas podem tomar um pouco desse sorvete? Eu abaixo o copo...
Eu: pô, acho melhor não, é capaz delas avançarem...
Ele: ah! Então eu coloco um pouco aqui [apontando pro chão] pra elas.
Eu: beleza, cara!

Nesse momento, o sujeito pega uma colherada generosa de sorvete, se abaixa e sacode a colher generosamente para que o sorvete caísse no chão. E lá foi a Samadhi devorar, sem deixar nada pra Gaia.

Ele: a outra não tomou, vou botar mais.
Eu: demorô.

Nesse momento, segurei a Samadhi e lá foi a Gaia abocanhar o sorvete.

Eu: ó a alegria delas...
Ele: se amarram, né?
Eu: pô, valeu aí...
Ele: valeu!

E lá foi ele andando, tomando o resto do sorvete, gentil e espontaneamente compartilhado.

Nunca vi nada dessa natureza antes. Coisas assim, aparentemente banais, me fazem ter esperança na espécie humana, mesmo diante de uma sociedade que nos enche de motivos para temermos o futuro que se aproxima. Isso faz diferença.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Festival De Cinema Do Rio

Do dia 23 de setembro até hoje, cariocas e/ou viajantes que encontram-se na Cidade Maravilhosa puderam curtir o Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Não me considero um cinéfilo (esse termo me sugere algo como "sujeito alucinado por cinema", creio que esteja num estágio pouco mais são que esse) mas o fato é que consegui ver vários filmes. De segunda-feira até ontem foram 4 (sendo um de fora do Festival). Vamos a alguns pitacos.

Comer, Rezar, Amar

É, esse não era pelo Festival (estava sendo exibido no circuito comercial). O filme tem várias paradas com as quais me identifico: aborda a Itália, a Índia, futebol, devoção, vegetarianismo, espiritualidade, trilhazinha sonora brasileira. E tem a Júlia Roberts, né? De toda forma, achei o olhar demasiado hollywoodiano (leia-se superficial). O início do filme parece fragmentado, meio que sem sentido, mas aos poucos a história vai ficando interessante. A atuação de Júlia é convincente (pra variar) e, mesmo com o tanto de estereótipos toscos (por acaso é comum no Brasil o pai beijar o filho na boca?), vale dar uma olhada. Pra quem não sabe, esse filme deu bastante polêmica entre os torcedores da Lazio: no livro que deu origem à obra audiovisual o personagem torcia pelo clube da camisa celeste, enquanto na película o cara "virou" torcedor da Roma. Roma, justamente a maior rival da Lazio. Alguns adeptos mais exaltados sugeriram o seguinte: "coma, reze, ame, leia o livro, mas não vá ao cinema". Eu, teimoso, acabei indo. Não empolgou, mas achei que valeu. Detalhe: meiaentrada segunda-feira por R$3,50 é o que há!

José Martí: O Olho Do Canário

Inspirador! História bem contada, que flui bem, se desenrola com coerência. O diretor conseguiu adentrar no drama dos personagens de uma forma muito sensível e contar a história de um dos pilares da Revolução Cubana. Confesso que pouco - quase nada - sabia a respeito da opressão espanhola sob o povo da ilha da América Central, e a biografia de José Julián Martí Pérez me comoveu. O desfecho da história com uma das poesias de José Martí associada à imagem da cena foi absolutamente memorável. "Viva Cuba libre"! Viver por um ideal, pense nisso.

Poesia

Filme coreano que retrata a vida de uma senhora humilde, empregada doméstica e que cuida do neto sozinha. A história, ao meu ver, carece de um clímax, mas é de alta sensibilidade. A relação da senhora com o Alzheimer, a vida do neto, o trabalho que lhe dá sustento e a poesia tecem uma trama cheia de mensagens sutis. Me lembrou um pouco o filme "Mother". Esse seria o "Grandmother". Grandiosa é a atuação da atriz Yun-Jung Hee.

Lope

Na cerimônia de encerramento do Festival de Cinema do Rio, muita badalação no Cinema Odeon. Lá estava eu, quase que de penetra, sendo cumprimentado por alguns "famosos" que deveriam achar que eu também tô no ramo haha... Falando do filme, pode-se dizer que a obra cresce. Cresce absurdamente, a ponto de parecer que trata-se de uma co-produção onde os primeiros enfadonhos minutos foram de autoria de algum amador da indústria cinematográfica e, a partir de um certo momento, a obra ganha vida e toma ares de um filmaço. Recomendo que assista e dou a dica: não saia antes de terminar. Mais um daqueles filmes com um final para se guardar na memória.

Também assisti o filme israelense "O Errante" (semana passada). Esse daí achei de uma genialidade sinistra. Tão genial que foi mal compreendido pelo público. Justifica-se: quadros mal encaixados (certamente propositalmente, talvez para causar desconforto), 0 de trilha sonora (a vida real também não tem musiquinha de fundo, senhoras e senhores), seqüências demoradas de cenas (pela primeira vez pude ver um ovo ser fritado na grande tela). A realidade perturbadora do protagonista é tratada de forma seca, mostrando que o diretor Avishai Sivan veio não para ser mais um, mas para deixar a sua marca. Em tempos onde o cinema-entretenimento trás cenas em ritmo alucinante e tirando do espectador a mera possibilidade de "pensar o filme", O Errante está aí. Vá preparado para algo que escapa do comum. Ou então, nem vá.

O Errante: pessoas acostumadas com o "jeito Hollywood de ser" terão dificuldades de encarar o filme israelense.

Antes ou depois de "O Errante" (desculpem, não lembro mesmo), assisti ao filme "A Última Estação", que conta a biografia de Liev Tolstói. Como não poderia deixar de ser, o filme tem significativo viés filosófico, apoiado na mente iluminada daquele russo, que optou por um modo de vida baseado no voto de pobreza, no vegetarianismo e na castidade. É agradável o fluir do filme, mas senti que a história de Tolstói "não coube" na película de 112 minutos. Merece uma trilogia. E, se possível, com a mesma equipe que participou dessa obra.

A Última Estação: Christopher Plummer parece a própria encarnação de Tolstoi, em filme com sabor de quero mais.