terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval 2013 - Eu, Jurado

Quesito a quesito, jurado a jurado, saberemos somente na quarta-feira de cinzas o resultado do carnaval na Sapucaí. A maioria dos desfiles foi de alto nível, embora o número de imprevistos também tenha sido relativamente elevado.

Vou aqui fazer uma espécie de avaliação comparativa e escolher as melhores exibições de acordo com cada objeto de análise. Depois, coloco uma lista de classificação de acordo com a preferência pessoal e as expectativas com relação aos julgadores oficiais selecionados pela LIESA.

Repetindo que assisti os desfiles de domingo no setor 10 e os de segunda-feira no setor casa. São inversamente proporcionais na questão do conforto e da precisão em torno do que está acontecendo. Eis as notas. Digo, vamos em frente.

Imagem do carro abre-alas da Unidos de Vila Isabel
Melhor desfile: Vila Isabel
Bateria: Mocidade
Samba: Vila Isabel
Intérprete: Luizinho Andanças (Mocidade)
Enredo: Salgueiro
Alegorias: Vila Isabel
Fantasias: Ilha
Baianas: Imperatriz
Ala: Torta alemã (Tijuca)
Carro alegórico: Floresta Encantada (Tijuca)
Comissão de frente: Imperatriz
Mestre-sala e porta-bandeira: Vila Isabel
Carnavalesco: Rosa Magalhães (Vila Isabel)
Personalidade: Mestre Marcão (Salgueiro/São Clemente)

Parte da frente de alegoria da Império da Tijuca
Melhor desfile no Grupo de Acesso (Série A): Império da Tijuca
Bateria: Cubango
Samba: Viradouro
Intérprete: Davi do Pandeiro (Viradouro)
Enredo: Cubango
Alegorias: Estácio
Fantasias: Império Serrano
Baianas: Alegria da Zona Sul
Ala: Tatus (Renascer)
Carro alegórico: Abra-alas da Estácio
Comissão de frente: Império Serrano
Mestre-sala e porta-bandeira: Unidos de Padre Miguel
Carnavalesco: Paulo Barros (Renascer)
Revelação: Júnior Pernambucano (Império da Tijuca)
Personalidade: Shangai (Cubango) e Davi Corrêa (Tradição)


Classificação por preferência e expectativa na apuração

1º Vila Isabel (termina entre os 3 primeiros lugares)
2º Tijuca (entre o 3º e 5º)
3º Salgueiro (entre 2º e 4º)
4º Imperatriz (entre 4º e 6º)
5º Beija-Flor (termina entre os 3 primeiros lugares)
6º Mocidade (entre 8ºe 10º)
7º Ilha (entre 6º e 8º)
8º Mangueira (entre 7º e 9º)
9º Grande Rio (entre 6º e 8º)
10º Inocentes (11º ou 12º)
11º Portela (entre 8º e 10º)
12º São Clemente (11º ou 12º)

No Grupo de Acesso, acredito que o título fique entre Viradouro, Estácio, Império da Tijuca e Cubango. O descenso fica entre Jacarezinho, Vila Santa Tereza, Parque Curicica, Tuiuti e Tradição. Aliás, das três que caem, dá para afirmar que será Vila Santa Tereza e mais duas.

Grupo Especial 2013 - Segunda Noite De Desfiles

Assistir pela TV é muito diferente de estar presente na Sapucaí. Mas vamos assim mesmo analisar a noite de desfiles que encerrou as apresentações no carnaval 2013 no Rio de Janeiro (veja os comentários sobre a noite dominical).

São Clemente

Com um canto forte (que ficou evidenciado nas ousadas paradinhas da bateria onde até o intérprete Igor Sorriso parava de cantar) e um desfile irreverente, a São Clemente abriu bem a segunda noite de apresentações no sambódromo. O carro "Caminho das Índias" estava primoroso, com esculturas irrepreensíveis de Shiva. As baianas vieram com um bonito colorido, mas num chapéu que parecia desconfortável de tão grande. Mas talvez pior do que o chapelão seja o fato de as senhoras clementianas desfilarem enfileiradas, o que me passa uma idéia de restrição à liberdade de movimentos. Quem mais do que as baianas merece passar pela Sapucaí bem à vontade?

Entre altos e baixos na passagem da aurinegra de Botafogo, foi a primeira vez que vi um merchandising em pleno tripé de comissão de frente, onde os telões mostravam o logotipo da mesma emissora de televisão que transmitia o desfile e que monopolizava o "Horário Nobre" enredado. O que se viu foi muito mais uma reverência à empresa de comunicações, pois não houve espaço para nenhuma obra que tenha sido transmitida em outros canais. A bateria, ponto alto da apresentação tanto pela fantasia irreverente quanto pela performance dos ritmistas, contava com ninguém menos do que Mestre Marcão (ele mesmo, que dirige a bateria Furiosa do Salgueiro) tocando caixa. Humildade e competência.

Mangueira

A Mangueira teve um grande avanço na parte estética se compararmos esse desfile de 2013 com o de 2012, ambos com Cid Carvalho como carnavalesco contratado. Se naquele ano a escola conseguiu um sétimo lugar, poderíamos pensar que não seria difícil a Mangueira partir em direção ao título dessa vez, notadamente por se tratar de uma escola de forte apelo popular e que parecia encontrar uma plástica funcional para narrar o enredo. Mas o desfile da Manga teve problemas. Algumas alas pareciam repetitivas, a evolução foi irregular, componente da comissão de frente deixou o chapéu cair em frente a uma das cabines de jurados e, de quebra, a escola concluiu o desfile sete minutos além do tempo máximo regulamentar.

Mas a Estação Primeira tem mais motivos para ser lembrada por seus acertos do que erros. A bateria ousou em vir com 496 ritmistas, fazendo transições entre os grupos que tocavam os instrumentos. Porém, o que mais me impressionou não foi nem essa transição, e sim o recuo "inventado", pois o tradicional não comportaria todos eles - foi uma parte para o recuo de sempre e outra para um corredor, do lado oposto, alguns metros a frente. Manobra arriscada e muito interessante. Só que a agremiação não soube lidar com as inovações conciliadas à grandeza da escola, e a correria e o atraso foram consequências quase naturais. O agravante foi o último carro alegórico, que tinha uma libélula em altura maior do que o último obstáculo. Tentaram de várias maneiras abaixar a libélula, mas a solução acabou sendo inusitada e inédita: o inseto voador passou por cima do concreto! Isso sim é que é passar voando pela Sapucaí. No geral, considero que a Verde-e-Rosa esteja de parabéns, principalmente pela homenagem ao eterno Delegado, em plena comissão de frente.

Beija-Flor

Chamando de "Amigo Fiel" aquele mesmo ser que é explorado e escravizado para as mais diversas atividades, a Beija-Flor fez do Mangalarga Marchador um enredo trágico filosoficamente. Primeiramente, pela falácia de que haja uma relação de amizade com o oprimido. Segundo, e não menos importante, pelo uso abusivo de penas de animais para a confecção de fantasias e alegorias. Fantasias e alegorias essas que souberam transmitir a mensagem calculada pela agremiação, a maioria delas de uma estética belíssima e efeitos deslumbrantes.

A alegoria com 20 mil tufas de palha foi um ponto alto no desfile nilopolitano. Além do visual bem resolvido e funcional visto nesse carro alegórico, antes 20 mil tufas de palha do que uma pena de faisão. O carnaval precisa se desvincular do sofrimento animal. Urgência ética. Diria que o desfile da Beija-Flor nessa segunda-feira foi a antítese do desfile da Renascer de Jacarepaguá, no sábado, onde a mensagem de preservação foi passada pelo enredo e pela escolha dos materiais. Ademais, parabéns ao Kennedy pelo magnífico trabalho de pintura desenvolvido na agremiação.

Grande Rio

Como de hábito, Roberto Szaniecki e Grande Rio trouxeram um carnaval carregado de gigantismo. O tema patrocinado dos royalties foi um prato cheio para a megalomania, que passava por fantasias individuais como a dos robôs, alas como a das baianas e alegorias como a da plataforma petrolífera. Sobrou até pra comissão de frente, trajando pés-de-pato enormes e passando pela Sapucaí de maneira heróica, pois imagine você a dificuldade de andar naquelas condições.

O pior samba do ano não foi de todo trágico, e isso se deve à sensacional bateria Invocada. Sob o comando de Mestre Ciça, os ritmistas caxienses deram um show com paradinhas e coreografias que são o atestado de genialidade desse ícone do carnaval carioca. O final do desfile da escola foi arrebatador, com uma das mais belas alegorias de todo o carnaval desse ano: um lindo iguana com deslumbrantes águas vivas que pareciam flutuar na Sapucaí, seguidos pelo contraste com a poluição de desastres ambientais. Adoraria ter visto a saída da bateria do recuo, até por se tratar de um momento do desfile conhecido por os ritmistas fazerem uma graça. Mas a emissora preferiu filmar o próprio estúdio montado na dispersão...

Imperatriz

Cahê Rodrigues estreou de maneira sublime na escola de Ramos. Foi possivelmente o desfile mais surpreendente do Grupo Especial: poucos falavam da Imperatriz como capaz de trazer uma bela apresentação, mas o que se viu foi uma passagem digna de escola campeã do carnaval. A comissão de frente estava sensacional, as alegorias de muito bom gosto e as fantasias eram praticamente todas elas de um visual limpo e caprichado. Não sei se houve alguma escola mais bem vestida do que a Imperatriz Leopoldinense, com destaque para a ala das baianas e a bateria. Aliás, que som da Swing da Leopoldina... #MestreMarconeVive

O Pará e os paraenses devem ter ficado orgulhosos pela homenagem prestada, mas há que se dizer que faltou um teor crítico. O tal "exemplo pro mundo" é um verso muito sério para retratar um cenário onde índios são assassinados por fazendeiros, coisa que em momento algum foi exposto no desfile, desfile esse que trouxe a figura de indígenas em praticamente todos os setores. Ótimas fantasias, alegorias e esculturas, mas a mensagem mascarou um estado de covardia que nem todos querem admitir que existe. Oremos à Virgem de Nazaré, pois mesmo se um dia a força nos faltar, a luz do seu olhar vai nos abençoar.

Vila Isabel

Os gritos de "é campeã" vieram sob medida para a apresentação arrebatadora da Vila de Noel, Martinho e... Rosa Magalhães. A Maga do carnaval acertou a mão mais uma vez e trouxe a escola praticamente impecável para a Sapucaí. A comissão de frente era de arrancar lágrimas dos olhos. O abre-alas, de uma deslumbrante riqueza e limpeza. As primeiras alas, impactantes.

Mas a grande covardia era o samba-enredo, um dos melhores da história catalogada do carnaval. Poesia do início ao fim. Coube à bateria dos Mestres Paulinho e Wallan a tarefa de não ofuscar o samba, pois não havia nada que precisasse ser melhorado. Missão cumprida. E, não satisfeitos, fizeram mais: sob coreografia de Carlinhos de Jesus, a Swingueira de Noel saiu do recuo e montou um arraiá em plena Sapucaí. Me arrepiam os pêlos só de digitar, olhos começam a lacrimejar. Enfim, não haveria maneira melhor de se encerrar as apresentações. Faltou só o dia clarear. Ainda era noite na manhã de terça-feira. Mas o galo jamais cantou tão alto. Parabéns, Vila Isabel!
O espantalho Julinho e o canavial Rute: casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila Isabel estava arrebatador. Desfile coloca a escola como forte candidata a levantar o terceiro título.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Grupo Especial 2013 - Noite Mágica De Domingo

Após assistir os 19 desfiles na Série A (Grupo de Acesso), era chegada a hora do Grupo Especial passar pela Sapucaí no carnaval 2013. Presente no setor 10, o blogueiro se encantou, se emocionou, vibrou, enfim, teve uma noite mágica diante do "maior espetáculo da Terra".

Vamos aqui fazer alguns comentários com enfoque naquilo que foi visto de lá da arquibancada. Posteriormente, tive acesso a informações sobre fatos ocorridos em pontos do sambódromo onde não fui capaz de perceber os acontecimentos relatados. Acontecimentos, leia-se problemas.

Faço questão de registrar, porém, o quanto lamento - e lamento profundamente - a postura da emissora Rede Globo de Televisão em como lidar com esse tipo de situação. A "profissional" Ana Paula Araújo chegou ao cúmulo de expôr e salientar os imprevistos para criar desconforto absolutamente descabido, desnecessário e fora de contexto naquele que era o maior responsável pela festa maravilhosa que foi o desfile da Unidos da Tijuca, o carnavalesco Paulo Barros. Convidam o sujeito para participar da transmissão, ele atende prontamente mesmo após vivenciar momentos de euforia e tensão e é assim que o recebem? São essas as boas-vindas? Se houvesse um código de ética regendo a organização, era caso para demissão por justa causa. Lamentável.

Inocentes de Belford Roxo

Gostei do desfile da estreante no Grupo Especial, principalmente dos primeiros setores. A comissão de frente foi impactante na apresentação arrojada dos acrobatas e mais ainda na performance precisa das doze criaturas que representavam o zodíaco oriental. O ótimo e bem vestido casal composto por Rogerinho e Lucinha também deverá render boas notas à agremiação belford-roxense.

A alegoria "Ancestralidade" (segundo carro da escola) era belíssima. O 6º carro ("A fé refletida na paz de um lugar"), infelzimente passou apagado por grande parte da avenida. Acredite se quiser, logo após tirar uma foto dessa bonita alegoria, tcharam!, as luzes se acenderam. Talvez fosse melhor para a Inocentes se eu estivesse no setor 1...

Acadêmicos do Salgueiro

Foi uma aula de como se fazer carnaval com irreverência, bom gosto e originalidade. A começar pela comissão de frente, de leitura fácil e agradável. O abre-alas, no estilo raitéqui característico do carnavalesco Renato Lage estava também muito interessante. A famosa bateria Furiosa veio homenageando Che Guevara, com uma fantasia que deixou os ritmistas de mestre Marcão bem à vontade para desfilar.

Com alegorias caprichadas, alas belíssimas (a das baianas foi de longe a mais bonita da noite) e uma evolução sem problemas aparentes, não tenho dúvidas de que o Salgueiro retorna sábado. E bem posicionado.

Unidos da Tijuca

Da comissão de frente novamente surpreendente ao último carro alegórico, Paulo Barros trouxe uma apresentação para mais uma vez guardarmos na memória. O carro "A floresta encantada" estava primoroso. Alas como a da montagem automobilística e da confecção da torta alemã são para entrarem na história da Marquês de Sapucaí.

Soube depois que houve problemas, incluindo dificuldade para colocar o abre-alas dentro da avenida, desmaio de componente de alegoria, princípio de incêndio. Onde estive, pude perceber que a evolução da escola foi irregular. Mas, mesmo assim, foi a melhor apresentação, aquela que mais entreteve e envolveu o espectador. Um espetáculo mesmo. Coisas que o carnaval deve ao Paulo Barros.

União da Ilha

Cativou pela singeleza da homenagem ao poeta Vinícius de Moraes. Entrando na Sapucaí após as passagens vigorosas de Salgueiro e Tijuca, o carnaval de orçamento menos pomposo trazido pela agremiação insulana não causou o mesmo impacto visual que esses dois desfiles antecendentes. Mas a mensagem foi passada com clareza e bom gosto.

O conjunto das fantasias foi o ponto alto do desfile, que trouxe alegorias majoritariamente simples. Destaque para a original "Arca de Noé" (6º carro da escola), que desembarcou os animais na avenida e veio representada como se fosse um caderno em movimento.

Mocidade

Contagiou. O samba-enredo funcionou de maneira formidável, mesmo com sua letra um tanto restrita e carente de poesia. Deve ter sido o casamento poligâmico entre o ótimo canto do intérprete Luizinho Andanças, a energia dos componentes da escola, a fácil e feliz leitura do enredo desenvolvido por Alexandre Louzada e, talvez principalmente, a performance arrebatadora da bateria Não Existe Mais Quente.

O carro abre-alas foi uma atração à parte, com as estátuas da liberdade segurando guitarras com a estrela símbolo da agremiação e fazendo bolas de chiclete, com direito ao "ploct!". Um estouro! Mesmo com as restrições orçamentárias (não sei onde foi parar - se é que veio - o tal investimento do Rock In Rio no desfile), a escola conseguiu empolgar. Resta saber se terá a aprovação dos jurados para tentar voltar no sábado das campeãs, coisa que não acontece há muito tempo em Padre Miguel.

Portela

Comissão de frente "lugar-comum", águia bastante modesta no abre-alas e fantasias de pouca criatividade mostraram que as coisas não caminham bem pelas bandas de Madureira. De toda forma, a homenagem ao bairro teve alguns momentos interessantes, como a alegoria "O partideiro que versou no Mercadão". O 2º casal de mestre-sala e porta-bandeira juntou Portela e Império Serrano, num casamento bonito e muito feliz.

Não sei até que ponto isso se deve ao fato de a escola desfilar depois do explosivo desfile da Mocidade, mas o que me pareceu é que a Portela passou mais fria do que o habitual. Foi a apresentação mais fraca da noite. Atrevo-me a dizer que se não tivesse o nome que tem, estaríamos falando de uma forte candidata ao rebaixamento. Mas ter 21 estrelas no pavilhão não é pouca coisa não, e como cabeça (ou caneta) de jurado é um negócio misterioso, pode acabar conseguindo uma colocação razoável.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Noite De Encerramento Da Série A 2013 Foi Belíssima No Rio De Janeiro

A segunda noite de desfiles no novo Grupo de Acesso no carnaval do Rio de Janeiro (Série A 2013) foi maravilhosa. Além de apresentações bonitas visualmente e alguns sambas interessantes, tivemos um memorável encerramento através da Renascer de Jacarepaguá de Paulo Barros: um desfile sem uso de nada de origem animal. Considero isso como um marco para o carnaval. A prova viva de que é possível, viável e aconselhável trazer uma escola ética, colocando na prática a preservação e o respeito que tantas vezes são teorizados em diversos enredos. Espetacular. Que vire tendência! A vida agradece!

Agora vamos analisar as apresentações dessas últimas dez escolas, assim como fizemos com relação às nove primeiras.

União de Jacarepaguá

Veio falando da cidade de Vassouras e, enquanto desfilava, a emissora que deveria transmitir a passagem da escola preferiu manter sua grade habitual, com novelas, reáliti e companhia. O jeito foi aguardar o VT, que passou após o encerramento da Renascer de Jacarepaguá. E valeu esperar: a escola veio bem, desfilando um colorido muito bem distribuído. Os primeiros setores foram quase que integralmente nas cores da agremiação alviverde, com direito à presença do carnavalesco Jorge Caribé num belo tripé vegetacional. Foi um desfile leve, com três alegorias (a maioria das escolas trouxe quatro) e o encerramento com um tripé (nesse caso não achei uma escolha acertada, pois "esfriou" o desfecho da apresentação). A bateria de Mestre Marquinhos foi generosa em suas bossas, sendo o destaque nessa "abertura" da segunda noite (abertura para quem estava lá, quase fechamento para quem acompanhava pela emissora noveleira).

Paraíso do Tuiuti

Carente de irreverência, o enredo sobre Chico Anysio passou pela Sapucaí de maneira sem graça. Teve um ou outro momento interessante, mas o conjunto da obra foi um desfile pesado esteticamente, por vezes beirando a confusão visual. A comissão de frente, que teve dois componentes sendo flagrados com mal-estar após a apresentação, me pareceu mal concebida, não aproveitando a versatilidade do humorista retratado no enredo. De mais belo, achei a rainha de bateria Mayra Cardi. De mais engraçado, a entrevista de um repórter com uma integrante da ala das baianas (elas vieram vestidas de noivas): "Dona Edna, como você faz para segurar seu casamento?", perguntou. Ao que a componente respondeu: "Eu matei os dois". Chico deve ter sorrido, onde quer que estivesse.

Tradição

Foi a primeira escola pela transmissão televisiva, a terceira para quem estava lá. Estou aqui pensando se seria melhor (ou menos pior) para a escola entrar abrindo a noite ou vir na posição que veio. Sinceramente? Pouco importa. O desfile foi feio visualmente, com fantasias de gosto pra lá de duvidoso. Sem entrar no mérito do orçamento limitado, já sabendo que isso realmente interfere significativamente na execução das idéias, mas o fato é que não é porque não se tem de dinheiro que as coisas tenham que ser bizarras. De toda forma, a Tradição possibilitou um dos grandes momentos da Série A: o compositor Davi Corrêa, autor da obra original de 1981 e que foi reeditada 32 anos depois, não apenas estava lá esbanjando carisma como cantou junto do intérprete oficial, Marquinhos Silva. Uma viagem no tempo. Irregular esteticamente, a Tradição foi a dona da noite na parte sonora do espetáculo, com um samba que funcionou novamente. E tem cara de que funcionará sempre, sobretudo na ilustre presença de Davi Corrêa. Cabe também elogiar a proposta da escola de reciclar os materiais. O gosto a gente discute, uns podem se agradar e outros nem tanto (meu caso). Mas um desfile reciclado e com uso de materiais alternativos será sempre melhor que um degradante ética e ambientalmente.

Império Serrano

Trazendo a cidade de Caxambu como enredo, o Império Serrano conseguiu fazer um desfile abordando as águas sem cair na mesmice que o tema tanto escorrega. Mérito para o carnavalesco Mauro Quintaes, que proporcionou um desfile com alguns momentos memoráveis. A começar pela comissão de frente, que sofreu o desfalque do tripé (por alguma razão, o elemento alegórico ficou de fora do desfile) mas que não sentiu a falta da alegoria: com uma coreografia funcional e fantasias sensacionais, a comissão imperiana inovou e encantou. O carro abre-alas, limpo e tecnológico, remete ao estilo raitéqui de Renato Lage, com direito a um telão circular que deu um efeito muito legal de movimentos de água. Por fim, o último carro alegórico foi belíssimo: mulheres grávidas formavam a coroa, símbolo da agremiação. As fantasias foram de alto nível, mantendo um padrão de qualidade do início ao fim. Se vai subir para o Grupo Especial, não sei. Mas foi um baita desfile da escola.

Cubango

"Teimosias da Imaginação" foi a confirmação do talento desse carnavalesco chamado Severo Luzardo. Acertou a mão na ala das baianas (espetaculares em preto-e-branco), trouxe o mais belo tripé da Série A 2013 (um rinoceronte em vime) e teve na figura de Shangai, homenageado, um momento a ser lembrado por muitos carnavais, de emocionar mesmo. Um enredo ousado e uma bateria abusada, com o talento de Mestre Jonas ajudando a tornar o desfile ainda melhor. Faltou o canto dos componentes, prejudicando a harmonia, mas foi um desfile com vários atributos que colocam a Cubango entre as mais fortes concorrentes ao troféu.

Sereno de Campo Grande

Caçula do grupo, a Sereno de Campo Grande nem alcançou a maioridade e já fez um desfile de gente grande. O enredo é daqueles que são sempre bem-vindos, trazendo a proposta de um mundo com mais consciência. É uma temática que cai para o abstracionismo, mas que materializada em alegorias e fantasias consegue passar a mensagem. O samba era praticamente um hino à paz, com passagens belíssimas, porém de difícil memorização. Fantasia e maquiagem da comissão de frente, esculturas no florestal abre-alas e a ala da reciclagem foram momentos fortes no desfile. Lamento é o camarada falar em paz, harmonia, unicidade e colocar tantas penas de seres abatidos covardemente. A se repensar, para que teoria e prática caminhem e desfilem juntas.

Império da Tijuca

Juninho Penambucano, carnavalesco da escola, é pra mim a revelação do carnaval 2013. A África estilizada no abre-alas causou bonito impacto visual, que me remeteu ao desfile da Vila Isabel homenageando Angola, ano passado. Deve ter rolado influência sobre esse desfile. O jogo cromático foi dos mais bonitos na noite e há que se dizer que encerrar o desfile sobre mulheres negras com uma imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida trata-se de algo formidável. Abençoando a apresentação. Teve perfil de campeão. Aguardemos a apuração.

Caprichosos de Pilares

Com um dos enredos mais originais do ano (diria até que possivelmente o mais original), a Caprichosos trouxe sua irreverência habitual para falar sobre os fanatismos. A performance ilusionista da comissão de frente, a bateria vindo de Profeta Gentileza e a crítica ao fanatismo religioso foram momentos para se recordar. Pelo conjunto, tivemos um desfile cheio de mensagens, algumas talvez até mesmo menos explícitas do que outras, mas também presentes, sendo ao mesmo tempo crítico e irreverente, porém, pecando no visual. E pecar no visual após uma apresentação como a da escola que a antecedeu tem um peso maior. Uma questão de fanatismo por comparações.

Unidos de Padre Miguel

África novamente. E lá vamos nós comparar com tantos desfiles que retrataram o continente. Dessa forma, por mais que a Unidos de Padre Miguel tenha conseguido uma apresentação correta, pouco ou nada acrescentou de novo. Achei belíssima a roupa do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, reunindo cores que não são habituais nessas vestimentas. Também gostei muito do setor em torno da alegoria da Galinha de Angola: o carro ficou bacana, a ala que o antecedeu era uma das mais bonitas da noite e ala seguinte, das crianças, estava o maior barato. Possivelmente a ala de crianças que melhor passou pela Sapucaí. No final das contas, um desfile que você gosta mas se pergunta se é só isso. Era.

Renascer de Jacarepaguá

Um encerramento de Série A para lavar a alma. Com um enredo preservacionista, a Renascer desfilou o preservacionismo em todos os seus componentes, da comissão de frente ao último integrante da escola. As alegorias-vivas marcaram presença com a assinatura do gênio Paulo Barros, proporcionando momentos como o belíssimo carro das joaninhas nas plantas, onde humanos faziam uma revoada de pássaros. Soluções como os guarda-chuvas floridos foram muito interessantes. Mas o grande destaque foi o conjunto das fantasias, impecável. Impecável na estética, impecável na mensagem, impecável na confeccção. Nada de origem animal, ou seja, a crueldade com faisões, patos, gansos, araras, pavões e tantas outras vítimas da depenagem não esteve presente. Desfile pra nos fazer renascer em uma nova consciência. Que se esteja criando uma nova tendência! Parabéns, Renascer! Parabéns, Paulo Barros!
 Renascer de Jacarepaguá fechou os desfiles na Série A 2013 com uma apresentação memorável, que marca época pela confecção de um carnaval sem uso de penas nem plumas, preservando a vida e trazendo soluções muito felizes para fantasias e alegorias. Mais uma marca deixada por Paulo Barros, para o bem do carnaval.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Ótima Noite De Desfiles No Rio De Janeiro

A primeira noite de desfiles na Sapucaí no carnaval 2013 foi altamente positiva. Com essa história de inchar o novo Grupo de Acesso (agora chamado de Série A), ficou ensacarada uma diferença no nível de organização e investimento entre as apresentações de escolas menos badaladas e outras mais conhecidas.

Vou aqui fazer breves análises sobre as nove agremiações que passaram pelo sambódromo na noite de sexta-feira para sábado. Assisti todos os desfiles pela televisão, cuja emissora detentora dos direitos de transmissão só foi mostrar as duas primeiras escolas depois de concluída a passagem da última, dando preferência a um VT do que àquilo que acontece ao vivo, o que considero um desrespeito ao samba.

Unidos do Jacarezinho

Abriu o carnaval da Série A fluminense com uma homenagem ao eterno Jamelão, maior intérprete de todos os tempos. O desfile em si foi bastante simples, pecando no acabamento em algumas alegorias, mas mantendo um conjunto sem grandes oscilações. Não há como deixar de comentar o fato de o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira ter assumido o posto de primeiro casal instantes antes de iniciar a apresentação: é que rolou um imprevisto de última hora (talvez de últimos minutos) com a roupa da primeira porta-bandeira, Raessa. Se você acha isso um absurdo, fique calmo, pois ainda vamos mostrar nesse tópico contratempos ainda mais bizarros. No mais, foi legal ver a última alegoria da escola trazendo uma escultura do Jamelão com um largo sorriso, em homenagem bem-vinda e que poderia - e deveria - ter sido prestada pela Mangueira. Então, obrigado à "Estação Primeira" do Jacarezinho pelo enredo.

Porto da Pedra

Fazendo uma viagem sobre o mundo dos calçados, o Tigre passeou do fútil a uma crítica social forte, passando pelo irreverente, num desfile de qualidade estética digna de uma escola acostumada ao Grupo Especial. O grande destaque na apresentação da escola de São Gonçalo foi a bateria Ritmo Feroz, comandada pelo competente Thiago Diogo. Ousada, cadenciada e intensa, a bateria foi um dos pontos altos de toda a noite de desfiles, pronta para arrebatar as quatro notas máximas, assim como conseguiram ano passado, apesar do rebaixamento. Muitas mulheres bonitas e pouco fantasiadas também deram uma levantada na performance da Porto da Pedra. Rose Barreto, por exemplo, foi uma que veio a frente do último carro alegórico e me deixou na dúvida: seria ela componente, tripé ou alegoria? Um espetáculo, isso com certeza. A escola, embora não tendo sido uma das minhas favoritas, tem chance de título.

Santa Cruz

Terceira escola a desfilar e primeira a ter sua transmissão ao vivo, a Acadêmicos de Santa Cruz trouxe um desfile colorido e com fantasias bem elaboradas. Houve problemas com a evolução devido às manobras de pelo menos dois carros no momento de entrar na avenida, mas a escola conseguiu, no geral, uma apresentação correta. Foi pouco para tentar disputar o título mas mais do que o suficiente para se manter no grupo. Cumpriu o seu papel, trazendo um desfile compacto e agradável de se assistir. Inclusive na parte sonora, pois o samba era bacana e contava com ninguém menos que o multicampeão Paulinho Mocidade no microfone.

Vila Santa Tereza

Para quem acredita naquela idéia de que os obstáculos aparecem para que futuramente possamos evoluir, então a Vila Santa Tereza deu um passo largo para a perfeição em anos vindouros. Foram muitos os contratempos que atingiram a agremiação, incluindo as fantasias da ala das passistas (as meninas vieram de calcinha e sutiã), da bateria (os ritmistas foram com trajes improvisados daqueles que vemos em blocos de carnaval bem xexelentos) e até a ala das baianas, que desfilou com apenas vinte e duas componentes, abaixo do mínimo exigido por regulamento. O chão da escola está de parabéns pela alegria genuína de desfilar nessas condições supracitadas. Destaque para a comissão de frente estilo afro, de coreografia ousada e com um visual simples e funcional.

Parque Curicica

Homenageando os noventa anos da Portela e reeditando o samba portelense de 1994, a União do Parque Curicica esteve bem na voz de Ronaldo Yllê e na bateria faceira de Lolo, mas o desfile não emplacou. A comissão de frente afro acaba nos levando a compará-la com a escola anterior, e a agremiação que a antecedeu pareceu-me superior nesse quesito. De toda forma, há que se dar os parabéns: a escola quase fechou as portas e somente definiu enredo três meses atrás. Exemplo de superação.

Estácio de Sá

Excelente. A Berço do Samba trouxe uma comissão de frente de arrepiar, um abre-alas imponente e um desfile de estética bem definida, com bastante luxo permeando alas e alegorias. Tudo isso num samba de refrão forte e com as bênçãos de uma bateria de pegada intensa. Foi um dos melhores carnavais assinados por Jack Vasconcelos que tenha assistido até hoje. A dúvida que fica é o quanto a correria e o décimo perdido pelo minuto excedente no cronômetro poderão impactar na busca da Estácio em retornar ao Grupo Especial. Subindo ou não, o fato é que a escola conseguiu um desfile à altura de suas tradições, numa bonita homenagem ao músico Rildo Hora.

Alegria da Zona Sul

Para mostrar toda sua alegria, a escola enfrentou incêndio no barracão e até uma enchente, sendo desafiada para conseguir trazer seu enredo para a Sapucaí. E não apenas trouxe como saiu-se bem homenageando o Cordão do Bola Preta, com uma simpática bateria vestida de Nêga Maluca e a ala das baianas mais bonita que passou pelo sambódromo nessa primeira noite - coloridonas sem perder a leveza, fugindo das fantasias brancas monocromáticas que predominaram entre as demais agremiações, as baianas da Alegria da Zona Sul foram o grande destaque da apresentação da escola.

Acadêmicos da Rocinha

Novamente com um enredo original, a Rocinha trouxe a alimentação como tema, numa abordagem criativa e irreverente por parte de Luiz Carlos Bruno. Uma pena que a temática tenha sido desenvolvida sem o teor crítico que merecia, banalizando a matança de animais para promover churrasquinhos de gato (comissão de frente), feijoada (em vários trechos do desfile), junk food (que teve uma alegoria inteirinha só para si) etc. Dado o talento inventivo do carnavalesco, diria que se ele fosse vegetariano poderíamos estar diante de um desfile para marcar época. Mas não foi o caso. Apesar dos pesares, foi maior barato ver componentes trajados de almôndegas pulando contentes num pratão de macarronada. Coisas do carnaval. Ah! Cabe aqui elogiar a bateria de Mestre Maurão, com um andamento muito legal e a quantidade recorde de 37 cuícas.

Viradouro

A Unidos do Viradouro fechou a primeira noite de desfiles com chave-de-ouro. Diria que foi uma apresentação arrebatadora por parte da escola carnavalizada por Max Lopes, homenageando o Salgueiro de maneira encantadora e emocionante. O samba-enredo é uma maravilha, disparado o melhor que ouvi até agora na Série A - se fosse no Grupo Especial, diria que só não é melhor que o da Vila Isabel, superando todos os demais. Davi do Pandeiro interpretou com maestria, trazendo uma melodia belíssima num samba sem refrão, mas que ecoou fortemente entre a passarela e as arquibancadas: houve um problema no som e, quando não se ouviam intérpretes, foi possível ouvir e se arrepiar com o canto forte das vozes humanas, sem microfones, a plenos pulmões. Mestre Pablo totalmente caracterizado, Carlinhos Coreógrafo espetacular, comissão de frente funcional e integrada ao primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, um abre-alas memorável, uma belíssima rainha de bateria e um carnaval onde Max mais uma vez mostrou porque é chamado de "Mago das Cores". Teve tudo isso e algo mais. A Viradouro está mais do que na disputa pelo título. Está de parabéns.
Homenageando a Acadêmicos do Salgueiro, a Unidos do Viradouro fechou a primeira noite de desfiles no Rio de Janeiro com uma apresentação sensacional. Para o blogueiro, uma forte concorrente ao título na Série A 2013.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Por Um Carnaval Sem Covardia Na Fantasia


O presente tópico vem em clima e ritmo de carnaval. Numa das épocas mais festivas do ano e considerado por muitos como o maior espetáculo da Terra, os desfiles das escolas de samba costumam trazer temas que muitas das vezes remetem para o bem, para pensamentos de preservação etc e tal. Mas de que adianta falar de preservação se não se faz a preservação?

Então, o blogueiro reeditou refrões de sambas-enredo desse ano de 2013, fazendo uma brincadeira com coisa séria. Na melhor das intenções. Quem sabe, um dia, olhemos para trás e pensemos: "caramba, a gente fazia fantasia violando corpos animais?". Precisamos parar com essa cultura de exploração. Viva o carnaval com ética e respeito. No falar e no fazer.

Deus Thor me chamou, vou nessa viagem
Que felicidade, é vegan meu bem
Metade da minha fantasia é sem plumas
A outra metade é sem plumas também
(Unidos da Tijuca)

Tá na capa da revista, o meu pavilhão
E na cara dessa gente, o orgulho a emoção
Sem plumas de bicho no peito
Tem banca, moral, respeito
(Acadêmicos do Salgueiro)

Fantasia sem crueldade, é pra lá de bom
Ao som do fole, eu e você
A Vila vem plantar felicidade no amanhecer
(Unidos de Vila Isabel)

Sou coerente, meu amor
Um vencedor, meu limite é o céu
Eu vim brilhar com a Beija-Flor
Valente e guerreiro, vegano fiel
(Beija-Flor de Nilópolis)

Um animal que sente dor, sou eu
Vem cá, me dá, o que é meu, é meu
(Acadêmicos do Grande Rio)

Cai na folia sem pluma, meu bem, vem na fé
Na ilusão da fantasia
Tem consciência quem quer
(Portela)

Mangueira... o trem da emoção
Viaja na imaginação
Minha fantasia é sem pluma, matou ninguém não
É poesia que faço de coração
(Estação Primeira de Mangueira)

Onde anda você, "ararinha"?
Saudade mandou te buscar
A Ilha é vegan na avenida
Mais que nunca vou te respeitar
(União da Ilha)

Uma onda me embala, invade a alma
No peito explode a minha paixão
Um mundo melhor, que felicidade
Minha fantasia não tem crueldade
(Mocidade Independente)

No norte a estrela que vai me guiar
Exemplo pro mundo: Pará
O talismã do meu país
Sem plumas a Imperatriz
(Imperatriz Leopoldinense)

Olha quem chegou, tem caçador na mata
As aves estão fugindo desesperadas
Fantasia sem pena, por favor, minha gente
Na tela da São Clemente
(São Clemente)

Meu oriente é você
Vim mostrar o meu valor
Inocentes, as aves merecem viver
Boicote penas e plumas, amor
(Inocentes de Belford Roxo)
Exemplo de "resto de uma fantasia". Abaixo, vídeo mostrando exemplo de uma indústria de penas.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Análise Dos Sambas-Enredo Do Carnaval 2013 - Grupo Especial, Rio De Janeiro

Já virou tradição nesse blógui analisarmos os sambas-enredo das agremiações no Grupo Especial do Rio de Janeiro. Fizemos isso em 2010, em 2011, em 2012 e, pela quarta vez, estamos marcando presença para comentar as impressões a respeito de cada composição. Como esse tópico está sendo publicado antes dos ensaios técnicos na Sapucaí, não teremos vídeos como aqueles que foram vistos ano passado. De toda forma, espero que seja proveitosa a leitura.

Escola: Unidos da Tijuca
Enredo: "Desceu Num Raio, É Trovoada! O Deus Thor Pede Passagem Para Mostrar Nessa Viagem A Alemanha Encantada"
Trecho: Vai brilhar em cada cinema, um anjo sonhar / Em prosa e poema, se eternizar
Análise: O enredo é um passeio pela Alemanha, e o passeio é tão longo que pode ser considerado um mérito da escola o fato de o samba não ter ficado enfadonho. Pelo contrário. Tirando o refrão principal, que destoa pelo vazio de conteúdo, merece elogios a obra tijucana. E tudo deverá ficar ainda melhor quando se revelar cada ala e cada alegoria no desfile elaborado pelo genial Paulo Barros.

Escola: Acadêmicos do Salgueiro
Enredo: "Fama"
Trecho: Sou eu o artista, famoso sambista / Me chamo Salgueiro
Análise: É impressionante como qualquer coisa que caia nas mãos e no gogó do Quinho, dá samba. Se analisarmos friamente a letra do Salgueiro para 2013, a composição é muito abaixo da do ano passado. Mas a alegria é a mesma de sempre e dá aquela vontade de se mexer, de sambar sem parar quando se ouve essa parceria dos intérpretes com a Furiosa Bateria.

Escola: Unidos de Vila Isabel
Enredo: "A Vila Canta O Brasil Celeiro Do Mundo – Água No Feijão Que Chegou Mais Um…"
Trecho: Agradeço a Deus por ver o dia raiar / O sino da igrejinha vem anunciar
Análise: A Vila está se mostrando especialista em fazer samba que concilia poesia e empolgação. No meu entendimento, é isso o que se espera de um bom samba-enredo. Essa é a segunda ou terceira vez nos últimos quatro anos que vejo na escola de Noel Rosa a melhor composição da safra. Salve, Martinho! Parabéns, Tinga!

Escola: Beija-Flor
Enredo: "Amigo Fiel – Do Cavalo Do Amanhecer Ao Mangalarga Marchador"
Trecho: Eu vou cavalgar pra encontrar / A minha história nesse mundo de meu Deus
Análise: É a Era dos patrocínios. Exploradores de equinos derramaram dinheiro em Nilópolis e a escola resolveu falar sobre o "puro sangue". Estivéssemos no século dezenove, grandes seriam as possibilidades de algum grêmio recreativo escola de samba se prestar a promover a escravidão de pretos para honrar as verbas injetadas pelos senhores de engenho. E Neguinho, de tão "profissional", se prestaria a cantar. E sabe o que mais? Muitos sambariam...

Escola: Acadêmicos do Grande Rio
Enredo: "Amo O Rio E Vou À Luta: Ouro Negro Sem Disputa"
Trecho: Um Grande Rio de amor, sou eu / Vem cá, me dá, o que é meu, é meu
Análise: É a Era dos patrocínios... A Grande Rio, que "surgiu" como uma escola que dava um banho de cultura, passou a ser uma captadora de recursos sem critérios. Dessa vez, foram os royalties do petróleo que seduziram a agremiação caxiense. O pior não é nem isso: a letra é medonha e há inclusive comentários levianos sobre a extração do combustível fóssil. Levianos para não dizer falaciosos. A palavra "preservar" deveria ser proibida de ser colocada em vão. Fico eu aqui imaginando se Nêgo, que retornou à tricolor, não sente saudades daqueles tempos em os enredos da Grande Rio eram escolhidos com menos influência financeira do que filosófica.

Escola: Portela
Enredo: "Madureira… Onde O Meu Coração Se Deixou Levar"
Trecho: Cai na folia comigo, meu bem, vem na fé
Análise: O samba portelense desse ano me lembra muito o do ano passado. Gilsinho seguiu a mesma linha melódica de 2012 e, novamente, a escola virá com uma composição gostosa de se cantar. Dessa vez, o apelo aos torcedores da escola é maior, pois o enredo conta a história do bairro de Madureira. Ninguém me perguntou nada, mas preferi o samba do ano passado.

Escola: Estação Primeira de Mangueira
Enredo: "Cuiabá, Um Paraíso No Centro Da América"
Trecho: Meu samba é madeira, é Jequitibá / É poesia dedicada a Cuiabá
Análise: Achei interessante o fato de as rimas mangueirenses serem verso-a-verso, praticamente na totalidade da letra. Isso não é receita de sucesso, mas quando a melodia ajuda, facilita demais para o samba cair na boca do povo. E essa é a impressão que tenho: será um dos sambas mais cantados em 2013. Com as bênçãos da Surdo Um.

Escola: União da Ilha do Governador
Enredo: "Vinícius, No Plural. Paixão, Poesia E Carnaval"
Trecho: Onde anda você, "Poetinha"? / Saudade mandou te buscar
Análise: Não apenas gostei - e muito - do samba da Ilha como achei esse trecho acima um dos mais belos feitos nos últimos anos. É simples e profundo, direto e reflexivo. Ito Melodia, mais uma vez, acertou no tom. Na Era dos patrocínios, há que se valorizar um enredo autoral homenageando um "imortal". Dinheiro nenhum compra isso.

Escola: Mocidade Independente
Enredo: "Eu Vou De Mocidade Com Samba E Rock In Rio – Por Um Mundo Melhor"
Trecho: Um mundo melhor… que felicidade / No Rock in Rio eu vou de Mocidade
Análise: Sou suspeito pra falar de samba da Mocidade pois não sei precisamente onde fica a fronteira entre o analista e o apaixonado. E, somando-se a isso o fato de ser um apreciador do festival denominado Rock In Rio, o melhor a fazer seria ficar calado dada tamanha parcialidade. Mas há pelo menos duas coisas que não posso deixar de dizer. A primeira é que não achei um grande samba e muito disso se deve às limitações que o próprio enredo impõe. A segunda é que, apesar disso, acho que há grandes chances de o samba puxado pelo Luizinho Andanças casar com o desfile preparado pelo Alexandre Louzada. De toda forma, nada que possa se comparar com a poesia que se fez ao Portinari no carnaval passado.

Escola: Imperatriz Leopoldinense
Enredo: "Pará, O Muiraquitã Do Brasil"
Trecho: Oh! Mãe… Mesmo se um dia a força me faltar, / A luz que emana desse teu olhar / Vai me abençoar
Análise: Muito legal ver um samba nas vozes de Dominguinhos e Wander. E o samba da Imperatriz tem muito a cara deles, principalmente do Dominguinhos. Não sei como será o funcionamento disso na avenida, mas torço para que seja o melhor possível. O refrão principal me parece um pouco problemático no sentido de que pouco passa de mensagem. Mas o trecho que o antecede é de tamanha beleza que talvez consiga amenizar um eventual estrago.

Escola: São Clemente
Enredo: "Horário Nobre"
Trecho: Nem adianta me ligar agora / Eu estou grudado na tela
Análise: Tem a irreverência característica da São Clemente. Ano passado, o "bububu no bobobó" funcionou bem na Sapucaí, ajudando a agitar componentes e arquibancadas. Resta saber se, em 2013, nessa apologia noveleira, o resultado poderá ser semelhante. A letra não me agrada, mas em meio a uma safra tão fraquinha, esse samba está longe dos piores do ano.

Escola: Inocentes
Enredo: "As Sete Confluências Do Rio Han – 50 Anos Da Imigração Sul-coreana No Brasil"
Trecho: Coréia do Sul, suas águas cristalinas são o espelho / Na cadência da Baixada / Deságuam no meu Rio de Janeiro
Análise: Estreante no Grupo Especial, a Inocentes traz um samba com cara de Grupo de Acesso. Mas isso não é problema para quem tem um gogó como o do Wantuir puxando o samba da escola. A melodia até flui bem, mas sinto a falta de um suingue daqueles que ajudem a bateria a brincar um pouco na avenida. O trecho que antecede o refrão principal me parece o ponto alto da obra belford-roxense.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Que Democracia É Essa?

No Brasil, o voto é obrigatório. Chamam isso de "festa da democracia". Não é um direito, uma opção, uma escolha. É um dever.

As eleições acontecem nos anos pares, sendo realizadas no primeiro domingo de outubro (primeiro turno) e no último domingo do mesmo mês (segundo turno, quando necessário).

No dia primeiro de janeiro do ano seguinte, isto é, cerca de três meses depois do certame eleitoral, acontece a posse dos "escolhidos". Entre aspas porque nem sempre estes são os mais votados - existe um tal de coeficiente eleitoral no meio do caminho entre o eleitor e a urna eletrônica.

De toda forma, na suposta festa da suposta democracia, agendada para o primeiro dia do ano ímpar (caso de 2013), eis que são barrados na porta da Câmara Municipal... os eleitores! Sim, aqueles mesmos que eram saudados calorosamente pelos então candidatos, agora são figuras dispensáveis.

Quando um segurança pergunta para você se você vai "se manifestar ou assistir" para impedir ou liberar o acesso, como se fosse uma senha-não-secreta, estamos falando em democracia? Quem, num ambiente democrático, tem o poder ou mesmo o direito de proibir um cidadão de bem a assistir (ou se manifestar, por que não?) a cerimônia dos recém-empossados?

Se todo poder emana do povo e é o povo aquele que não tem acesso ao ambiente onde são tomadas as decisões, então não estamos falando do mesmo regime de governo. E talvez pior do que tiranos, déspotas e ditadores, que têm rosto, nome e sobrenome, é essa alguma coisa em que vivemos. Essa tem vários semblantes, diversas facetas e recebe o nome de democracia. Deve ser nome de fantasia.

No Rio de Janeiro, a militância em defesa da Aldeia Maracanã (antigo Museu do Índio), reivindica o tombamento de um prédio histórico a fim de preservar a manifestação legítima da cultura indigenista naquele território. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), o prefeito Eduardo Paes (PMDB) e aquilo que vem se chamando de "base aliada" (maioria da bancada na Câmara de Vereadores) prefere a idéia de transformar o local em estacionamento. Algo absolutamente contrário ao interesse da população e que afronta qualquer bom senso. Argumenta-se que a demolição do prédio será para atender recomendações da FIFA para a Copa do Mundo 2014. Acontece que a própria FIFA desmentiu essa informação, afirmando ser favorável à manutenção daquele espaço como centro cultural indígena. Alguém mente nessa história. E o povo, na festa da democracia, parece não ter direito a voz. Voz. Porque o voto, esse não é um direito. Esse é um dever.

sábado, 15 de dezembro de 2012

E O Padre Ficou Sem Argumentos...

A Igreja tem lá sua virtudes. Mas vamos combinar: tratar a Criação de Deus sob uma ótica utilitarista, onde só a vontade humana importa e a vida do outro é descartável na medida em que satisfaça os interesses da 'espécie dominante', não se trata de um sentimento cristão.

Mas a insituição católica, ainda hoje - e até quando? -, considera os animais não-humanos como sendo... como sendo... é, pelo visto acho que sequer os considera como algo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Para Onde - E Com Quem - Caminha O Movimento Ecológico?

De Sérgio Cabral Filho nenhuma conduta me surpreende mais. Nesses seis anos de governo estadual fluminense já foram expostos exemplos suficientes de quem se trata e para quem governa. É a antítese da democracia, a caricatura da ditadura a serviço do capital. Enoja a tal ponto que eu penso o que penso a respeito dos royalties.

Não bastasse tudo o que vem acontecendo com relação ao funcionalismo público, os direitos humanos, a onda privatizatória no melhor estilo entreguista - pra tucano nenhum botar defeito -, a novidade do momento (até que surja outra, até porque o tempo corre e os especuladores não querem esperar) é com relação ao EIA/RIMA. Um absurdo sem tamanho, talvez sem precedente no país (leia a notícia publicada no Jornal do Brasil).

Por coincidência ou não, fato é que venho nas últimas semanas estudando a legislação ambiental brasileira, incluindo aí o mecanismo do estudo prévio de impacto ambiental e o relatório de impacto sobre o meio ambiente - instrumento para minimizar a degradação proveniente de atividades potencial ou efetivamente poluidoras. Cabral quer "liberar geral".

Mas Cabral, tal como mencionei anteriormente, não me surpreende mais. Nesses seis anos de governo estadual fluminense já foram expostos exemplos suficientes de quem se trata e para quem governa. O que me causa maior espanto - atravessando para a fronteira da decepção - é ver que o senhor secretário do ambiente do estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc Baumfeld, caminha na mesma direção anti-ecológica.

Caro Carlos Minc, o que estás fazendo com a sua história de vida? Você, mais do que muitos, sabe o que representa esse Projeto de Lei esdrúxulo proposto pelo governador. Foste ministro do Meio Ambiente, sabes o quão fundamental é o cumprimento do artigo 225 da Constituição Federal. Não apenas por uma questão do Estado Democrático de Direito, mas sobretudo pelo zelo da integridade ambiental, que é o zelo pela qualidade de vida - vegetal e animal, humana e não-humana.

Em minha monografia, citei uma obra de sua autoria. Hoje vejo-o afrontar os princípios mais básicos da ecologia. Peço-o que não cometa essa traição. Não há dinheiro nenhum que possa recuperar um suicídio ideológico. Aliás, o nome da obra é "Como Fazer Movimento Ecológico", de 1985, ano em que nasci. Acho que naquela época você ainda não conhecia Sérgio Cabral Filho.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Índios Em Apuros No Mato Grosso Do Sul - Por Justiça!

Explorados desde o século XV, os indígenas brasileiros continuam sofrendo abusos por essas terras. Se antes era via colonialismo europeu, hoje em dia é por força da lei e ação de pistoleiros.

Compartilho abaixo uma carta de socorro da comunidade Guarani-Kaiowá, em vias de ser exterminada na cidade de Naviraí, no Mato Grosso do Sul.

“Nós (50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de despacho/ordem de nossa expulsão/despejo expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, em 29/09/2012.

Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay.

Assim, entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio/extermínio histórico de povo indígena/nativo/autóctone do MS/Brasil, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça Brasileira.

A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas?? Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados 50 metros de rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo 2 morreram por meio de suicídio, 2 morte em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um (01) ano, estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay.

De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais.

Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal, Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio pela justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo/indígena histórico, decidimos meramente em ser morto coletivamente aqui. Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.”

A todos que vêem necessidade de prestar solidariedade a essa causa, peço que assinem a petição "Salvemos os índios Guarani-Kaiowá - URGENTE!". Se possível, também faz-se de grande valia a presença no local, para fortalecer o movimento. Enfim, toda e qualquer forma de colaboração pode ser decisiva para o destino de pessoas inocentes e vítimas de uma Justiça que nem sempre é justa.

Com gratidão.

domingo, 7 de outubro de 2012

O Rio Que Queremos, Iremos Buscar

Eleger Rosinha Garotinho, César Maia, Sérgio Cabral e, agora, Eduardo Paes em primeiro turno são marcas negativas para o eleitor do Rio de Janeiro. Refletem a falta de consciência política e são alimentadas por uma (des)educação pública da (falta de) qualidade que é vista há algumas décadas, com o sucateamento dos CIEPs como uma das medidas para tentar perpetuar esse cenário.

Mas, animai-vos!, alguma coisa está acontecendo de positivo para a Cidade Maravilhosa. Os mais de 900.000 votos para Marcelo Freixo mostram um movimento contrário ao discurso dominante promovido pelo prefeito reeleito. Isso sem se falar nos centenas de milhares que optaram pela anulação do voto - o que me faz pensar que o voto nulo deveria ser, sim, um voto válido.

Precisamos caminhar para a frente, com cabeça erguida, e mostrar para o poder público que a cidade pertence à população que aqui habita. O império peemedebista, a serviço de empreiteiras, construtoras e especuladores, se fortaleceu. Mas está surgindo uma voz de resistência, alimentada pela votação maciça em Freixo para prefeito e nos vereadores do PSOL.

Acredite: o "pequenino" PSOL passa a ser o segundo partido de maior representação na Câmara Municipal, igualando-se ao PT com quatro cadeiras de vereadores. Pode parecer pouco diante dos treze nomes ostentados pelo PMDB, mas a verdade não precisa de muito para prevalecer. Ela precisa ser, primeiramente, dita. E é um Rio verdadeiramente democrático o que devemos buscar.

Afinal, nada deve parecer impossível de mudar.

Abaixo, listagem completa com os nomes dos vereadores eleitos e seus respectivos partidos, além do número de votos. Nosso papel como cidadão não termina com o pleito da eleição. Pelo contrário, diria que é ali que ele começa. Daqui em diante, nossa atuação precisa ser encarada como ferramenta legítima e inalienável para construirmos a cidade que queremos.

PMDB - Eleitos
ROSA FERNANDES 68.452
GUARANÁ 53.306
JORGE FELIPPE 37.520
CHIQUINHO BRAZÃO 35.644
ALEXANDRE ISQUIERDO 33.356
JORGE BRAZ 27.596
RAFAEL ALOISIO FREITAS 25.278
S. FERRAZ 21.982
JORGINHO DA SOS 20.625
WILLIAN COELHO 16.505
THIAGO K. RIBEIRO 16.096
LEILA DO FLAMENGO 14.304
PROF. UOSTON 13.452

PT - eleitos
REIMONT 18.014
MARCELO ARAR 16.756
ELTON BABU 12.630
EDSON ZANATA 12.120

PSOL - eleitos
PAULO PINHEIRO 28.539
ELIOMAR COELHO 23.662
RENATO CINCO 12.498
JEFFERSON MOURA 12.424

DEM - eleitos
CESAR MAIA 44.095
TIO CARLOS 21.378
CARLO CAIADO 15.148

PSDC - eleitos
LUIZ CARLOS RAMOS DO CHAPÉU 15.262
DR. JOÃO RICARDO 10.281
EDUARDÃO 10.209

PP - eleitos
VERA LINS 31.827
CARLOS BOLSONARO 23.679
MARCELO CID HERACLITO QUEIROZ 8.428

PRB - eleitos
JOÃO MENDES DE JESUS 24.973
TANIA BASTOS 24.850

PDT - eleitos
LEONEL BRIZOLA NETO 24.044
DR. JORGE MANAIA 15.812

PSB - eleitos
DR. CARLOS EDUARDO 33.894
MARCELINO D'ALMEIDA 23.239

PSDB - eleitos
JUNIOR DA LUCINHA 31.182
TERESA BERGHER 27.344

PSC - eleitos
JAIRINHO 43.181
DRº EDUARDO MOURA 17.869

PR - eleitos
VERONICA COSTA 31.515
MÁRCIO GARCIA 13.740

PTB - eleitos
CRISTIANE BRASIL 28.169
LAURA CARNEIRO 14.621

PHS - eleito
MARCELO PIUI 6.015

PSL - eleito
ÁTILA A. NUNES 13.252

PTN - eleito
DR. GILBERTO 9.780

PSD - eleito
ELISEU KESSLER 12.717

PV - eleito
PAULO MESSINA 10.112

PRTB - eleito
JIMMY PEREIRA 10.551

PTC - eleito
RENATO MOURA 15.775