domingo, 5 de fevereiro de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 19

O grou posta-se à margem de um lago, que é sempre perturbado pela correnteza, pela lama e pelas pedras. O grou é como o chefe de família que é importunado no recesso de seu lar, mas que, devido ao apego excessivo, não deseja mudar de posição.

A vida esquecida da alma condicionada no seio da família é um escuro poço matador da alma. É esta a opinião de Sri Prahlada Maharaja, um célebre devoto do Senhor. Almas auto-realizadas jamais estimulam o apego excessivo ao lar e à família. Portanto, o período de vida humana deve ser dividido metodicamente.

A primeira fase chama-se brahmacarya-asrama, ou a ordem de vida da infância, onde o estudante é treinado para lograr a meta última da vida. A fase seguinte é o grhastha-asrama, no qual o homem é treinado para entrar na Transcendência. A seguir vem o vanaprastha-asrama, a fase preliminar da vida renunciada. A última fase recomendada é a ordem de sannyasa, ou a ordem de vida renunciada. Dessa maneira a pessoa aceita um processo gradual de atividades espirituais para lograr a meta última da liberação.

Infelizmente, em virtude da carência de suficiente cultura espiritual, ninguém deseja abandonar a vida familiar, muito embora ela seja cheia de aguilhoadas e lama. E aqueles que são muito apegados, a despeito das aguilhoadas da vida familiar lamacenta, assemelham-se aos grous que postam-se à margem do rio em troca de algum gozo dos sentidos apesar de todas as inconveniências lá existentes. Devemos sempre lembrar que a sociedade, amor e amizade que esperamos desfrutar na vida familiar são apenas representações sombrias da verdadeira sociedade, amor e amizade reciprocados no reino de Deus. Não existe realidade na vida condicionada da existência material, porém, devido à nossa ignorância estamos apegados à miragem. A concepção de sociedade, amor e amizade não é de modo algum falsa, mas o lugar onde a procuramos é falso. Temos de abandonar esta posição falsa e elevarmo-nos à realidade. Esse deve ser o objetivo da vida, e esse é o resultado de se cultivar o espírito humano.

Lamentavelmente, devido à falta dessa cultura, o homem materialista permanece agarrado a este falso lugar a despeito de todas as conturbações. Diz-se que o homem deve abandonar a ordem de vida familiar aos cinqüenta anos. Mas nesta era de ignorância mesmo um homem idoso deseja rejuvenescer nas funções corpóreas, colocar dentes artificiais e agir como se fosse um jovem, mesmo à beira da morte. Sobretudo os políticos, semelhantes a grous, são excessivamente apegados ao falso prestígio decorrente de sua posição e classe, e assim sempre buscam ser reeleitos, mesmo no decadente fim da vida. Estes são alguns sintomas de uma vida inculta.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Análise Dos Sambas-Enredo Do Carnaval 2012 - Grupo Especial, Rio De Janeiro

A exemplo daquilo que aqui fizemos no ano passado, cá estamos para dar alguns pitacos sobre os sambas-enredo das agremiações que figuram no Grupo Especial do Rio de Janeiro. 2012 marca o início de uma Era no sambódromo onde teremos a inauguração de alguns novos setores (uma antiga fábrica foi demolida, possibilitando uma ampliação no número de espectadores). O blogueiro, empolgado que só, conseguiu adquirir ingressos para os desfiles de domingo e de segunda-feira. Setor 4, estamos chegando!

Nessa postagem, teremos alguns vídeos incorporados. Todos eles filmados por este que vos digita, capturados em diversos ensaios realizados nas últimas semanas. 

Abraços e ótimo carnaval a todos.

Escola: Beija-Flor
Enredo: São Luís: O Poema Encantado do Maranhão
Trecho: Tem magia em cada palmeira que brota em seu chão
Análise: Não é que o produto final tenha ficado bom ou ruim, a questão é que ficou repetitivo. Dá a impressão de que teremos pela frente mais um desfile nilopolitano nos moldes "macumba amazônica", bastante visto nas últimas décadas. Não fosse o grande talento de Neguinho, diria que o samba chega a ser fraco. Mas fraco é palavra proibida quando esse intérprete está ao microfone. Pode ser que funcione bem na avenida? Sim, claro. Mas, a julgar pura e simplesmente pela composição, diria que esse samba não desfilaria no sábado das campeãs.

Escola: Unidos da Tijuca
Enredo: O Dia em que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão
Trecho: Numa serenata feliz vou cantar / No meu Pé de Serra festejo ao luar
Análise: A homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga já carrega por si só um forte apelo emotivo. E a letra do samba tijucano consegue aumentar esse aspecto emocional, com versos muito bonitos que exaltam a "cultura nordestina". Percebi uma grande evolução no rendimento do samba do estúdio para a avenida - aliás, o canto da comunidade tijucana foi impressionante no ensaio técnico que presenciei. A escola do Borel tem tudo para, aliada ao talento de Paulo Barros e à garra de seus componentes, protagonizar um desfile inesquecível.

Escola: Mangueira
Enredo: “Vou Festejar! Sou Cacique, Sou Mangueira
Trecho: Não dá pra conter tamanha emoção / Cacique e Mangueira num só coração
Análise: São tantos versos belos e melodiosos que fica até difícil de ver por onde começar a elogiar a letra. Porém, sinto que ficou faltando algo no samba da Mangueira. Não sei se é muita exigência de minha parte (até porque ano passado achei a homenagem a Nélson Cavaquinho uma composição simplesmente maravilhosa), mas o fato é que tem algo na atual obra que "não encaixou". Particularmente, achei péssima a passagem "Sou imortal e vou viver / Agonizar não é morrer". Enfim, como a safra desse ano é muito boa, no meu entender o samba da Mangueira não aparece entre os melhores de 2012. Mas guardo boas expectativas para o canto da escola no desfile oficial, sobretudo levando-se em consideração a abusada (na melhor acepção do termo) performance da bateria Surdo Um.

Escola: Vila Isabel
Enredo: Você semba lá... Que eu sambo cá! O canto livre de Angola
Trecho: Nesse cortejo (a herança verdadeira) / A nossa Vila (agradece com carinho) / Viva o povo de Angola e o negro rei Martinho
Análise: É o samba do ano. A homenagem a Angola é permeada por uma sensibilidade ímpar na descrição do enredo, com uma melodia muito bem conduzida pelo intérprete Tinga (e olha que eu sinceramente acho que essa letra pedia por alguém de estilo mais "suingado", tipo o Preto Jóia, mas Tinga saiu-se muito bem). Se por um lado penso que o samba careça de um refrão forte, por outro reconheço que em todos os ensaios que acompanhei da agremiação - e acredite, não foram poucos! - o canto da comunidade foi uma coisa contagiante. A Vila vem que vem em 2012, a Sapucaí vai ficar pequena para receber Angola.

Escola: Salgueiro
Enredo: Cordel Branco e Encarnado”
Trecho: Salgueiro, teus trovadores são poetas da canção / Traz sua côrte, é dia de coroação / Não se "avexe" não
Análise: Excelente samba. Os versos passam a temática de uma forma leve e poética, brincando com alguns vícios de linguagem típicos do nordeste brasileiro e contando com uma melodia inflamada, sobretudo nos dois refrões (seguramente, os dois refrões deste samba estão entre os mais fortes do ano). O Salgueiro tem todos os ingredientes para fazer uma apresentação memorável - o samba interpretado por Quinho já cumpriu o seu papel, e no dia do desfile oficial seremos agraciados com o bom gosto de Renato Lage.

Escola: Imperatriz
Enredo: Jorge, Amado Jorge”
Trecho: Ao mestre escritor, um canto de amor / Jorge Amado, saravá!
Análise: É sempre bom ouvir um samba na voz de Dominguinhos do Estácio, e esse da Imperatriz Leopoldinense não é diferente. Uma melodia que segue uma linha de referência e que parece muito bem amarrada do primeiro ao último verso. Versos esses que são relativamente curtos, ao meu ver curtos até demais, economizando na capacidade de passar informação sobre o enredo. Ainda mais por se tratar de uma escola que tem Max Lopes como carnavalesco, fica a sensação de que a agremiação vai apresentar muito mais do que o samba se propõe a defender.

Escola: Mocidade
Enredo: “Por Ti, Portinari, Rompendo a Tela, a Realidade”
Trecho: Quero te ver qual menino feliz / Planta a semente do sonho em verde matiz
Análise: Vejo este samba como um dos melhores do ano. Verso a verso, percebe-se que a vida e a obra de Cândido Portinari são narradas de uma forma que consegue a proeza de ser didática e poética simultaneamente. Havia ouvido a obra na interpretação do ótimo Wander Pires e digo com todas as letras que a voz de Luizinho Andanças caiu como uma luva nesse samba, dando um aspecto de algo clássico, como de certo modo o enredo sugere. Quem de alguma forma tiver alguma familiaridade com a obra de Portinari, certamente irá se emocionar ao ouvir a Mocidade Independente de Padre Miguel. Falo por experiência própria.

Escola: Porto da Pedra
Enredo: “Da Seiva Materna ao Equilíbrio da Vida”
Trecho: Vem no ritmo do Tigre de São Gonçalo / Alimenta seu povo apaixonado
Análise: De longe, o pior samba do ano. Patrocinado por uma empresa que maximiza seus lucros vendendo laticínios, a Porto da Pedra se prestou a fazer um enredo sob essa temática. Não que necessariamente levasse a um fiasco, mas a julgar pela composição da escola, estamos falando de uma forte candidata ao rebaixamento. Foi até difícil escolher um trecho do samba para figurar nessa postagem, restando saber se a grana injetada nessa dita "seiva materna" poderá salvar o tigre do Grupo de Acesso em 2013. Onde é que o Wander Pires foi se meter...

Escola: São Clemente
Enredo: “Uma Aventura Musical na Sapucaí”
Trecho: Se o samba empolgou, virou carnaval / Nossa aventura musical
Análise: Pode não ser a mais bonita, pode não ser a de melhor narrativa, pode não ser nada, mas o desenho do samba-enredo da São Clemente é de uma originalidade exaltável, principalmente em meio a tanto "lugar-comum" que vemos composições à fora. Nesse caso, diferentemente de quando falei da Imperatriz, considero que os versos curtos e diretos são altamente funcionais, dando coesão a uma obra que ficou livre, leve e solta. Poderá não ser o melhor desfile, o mais bonito, mas a São Clemente deverá levantar a Sapucaí com a sua simpática proposta de carnaval. Já conquistou meu coração.

Escola: Grande Rio
Enredo: “Eu Acredito em Você! E Você?”
Trecho: E abro o meu coração, cantando a minha emoção / Superação é o carnaval da Grande Rio
Análise: Melhor escola para fechar o carnaval 2012 do que a Grande Rio, não há. Depois de tudo que a agremiação caxiense passou em 2011, o desenvolvimento de um enredo falando de superação foi algo para entrar na história dos desfiles. Sem entrar no mérito da parte estética (que por sinal está em ótimas mãos nos cuidados de Cahê Rodrigues), a Tricolor da Baixada traz um samba gostoso de se cantar, com versos simples, de fácil entendimento. Somando esses ítens ao forte apelo do enredo - que tem tudo a ver com o passado recente da escola - e com a voz inigualável de Wantuir, fica a promessa de um desfile pra lá de especial na Sapucaí.

Escola: Portela
Enredo: “E o Povo Cantando na Rua é Feito Uma Reza, Um Ritual...
Trecho: Rola o toque de Olodum... lá na Ribeira / A Bahia me chamou
Análise: É o melhor samba da Portela nos últimos tempos. A correta interpretação de Gilsinho fortalece uma composição que já nasceu com ares de épica, onde cada verso parece encaixado naquele que o sucede e o andamento melódico segue uma rara beleza. É difícil mensurar o que será o desfile portelense, até porque a agremiação vem encontrando dificuldades de fazer uma apresentação à altura de sua tradição. Mas, sem querer bancar o vidente de plantão, boto fé que este samba será cantado em muitos outros carnaváis.

Escola: União da Ilha
Enredo: “De Londres ao Rio: Era Uma Vez... Uma Ilha”
Trecho: Vou botar molho inglês na feijoada / Misturar chá com cachaça
Análise: Costumo dizer que é perigoso fazer um enredo que enfoque eventos esportivos. No carnaval carioca, esse tipo de temática não costuma render bons frutos. Mas, a União da Ilha traz um samba interessante, diria até inteligente. Os versos denotam que há um trabalho de pesquisa sério feito pela Tricolor Insulana, e a voz de Ito Melodia é marcante na agremiação. Para o molho não azedar e o chá não esfriar, a Ilha tem o ótimo Alex de Souza para conduzir a parte estética. Diria que estamos diante de uma forte candidata a contrariar aquele cenário negativo de enredos dessa natureza. Aliás, tudo leva a crer que as Olimpíadas não serão necessariamente o fato principal no carnaval da escola - o que acho melhor para Londres, para o Rio e para o desfile da Ilha. Deve vir algo bacana por aí.

Escola: Renascer de Jacarepaguá
Enredo: Romero Britto: O Artista da Alegria Dá o Tom da Folia”
Trecho: Há tantos meninos assim / Querendo um sonho / Na liberdade das cores sem fim
Análise: Está aí um samba simpático e funcional. Creio que muitos não conheçam o artista Romero Britto, algo que aumenta a validade de torná-lo enredo - e isso é ponto positivo para a escola. Outro aspecto que vale exaltar é a qualidade das rimas. Sim, a qualidade. Os últimos cinco versos da estrofe que antecede o refrão principal configuram uma das passagens mais bonitas de todas as composições do Grupo Especial. Destacam-se também os três versos que antecedem o outro refrão, quando a letra coloca "o inverso" e, pouco depois, "universo", fazendo um desenho melódico pra lá de interessante. É difícil a missão da Renascer de Jacarepaguá, recém-promovida, se manter no Grupo Especial num ano onde duas são rebaixadas. Mas sinto que a escola saberá deixar o seu recado.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 18

Muitas plantas e trepadeiras que quase morreram durante os meses de abril e maio voltam agora a ser vistas em diversas formas, pois elas estão sendo nutridas em suas raízes pela terra úmida. Essas inumeráveis plantas e trepadeiras assemelham-se a pessoas que secam devido a severas penitências executadas em vista de algum ganho material mas que então alcançam seus objetivos e ficam voluptuosamente gordas, nutridas pelo gozo dos sentidos.

No Bhagavad-gita, afirma-se que ao terminar o dia de Brahma todas as criações manifestas do Universo desaparecem e que após o fim da noite de Brahma a criação novamente se manifesta.

Assim, a criação cósmica, em sua manifestação e não-manifestação, assemelha-se a trepadeiras e plantas que aparecem durante a estação das chuvas e que pouco a pouco desaparecem quando a estação se acaba.

bhuta-gramah sa evayam
bhutva bhutva praliyate
ratry-agame 'vasah partha
prabhavaty ahar-agame


"Repetidas vezes, ao chegar o dia de Brahma, todas as entidades vivas vêm a existir, e com a chegada da noite de Brahma elas são irremediavelmente aniquiladas". (Bg. 8.19)


Mesmo quando as plantas e as trepadeiras não mais podem ser vistas, suas sementes permanecem, e estas sementes adormecidas frutificam em contato com a água. De igual modo, as centelhas espirituais semelhantes a sementes, que são dominadas pelo desejo de assenhorear-se da natureza material, permanecem num estado adormecido depois que a manifestação cósmica é aniquilada; e quando a manifestação cósmica reaparece, todos os seres vivos silentes dentro do ventre da natureza material despontam e ocupam-se no gozo dos sentidos, destarte ficando voluptuosamente gordos.

Para alcançar a liberação a pessoa deve estar livre por completo das diferentes classes de desejos pervertidos. O ser vivo não pode suprimir os desejos, e a prática artificial de suprimir as ações dos desejos é mais perigosa que os próprios desejos ativos. Todos os desejos devem ser reformados e canalizados para as atividades espirituais; caso contrário, esses mesmos desejos se manifestarão repetidas vezes sob diferentes formas de gozo material, condicionando o ser vivo perpetuamente ao cativeiro material.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Meu Tio, A Ração E O Açaí

O itinerário era simples: fui levar meu tio de 88 anos e meio (detalhe para o "e meio") até o ponto de ônibus; depois iria passar no mercado para comprar ração pras cadelas; e finalmente iria comprar um açaí para mim. Coisas simples e ligeiras, num raio de menos de 500 metros de casa.

Mas foi só atravessar a primeira rua para a aventura ter início: mãozinha vermelha acesa indicando sinal fechado para nós, pedestres, mas meu tio quis atravessar assim mesmo. Não seria nada demais se não viesse um micro-ônibus a toda velocidade querendo passar. Soltei um "peraí, tio" e quando me dei conta ele já estava dando um pique alucinante e atravessando a rua. Eu fiquei. O motorista do ônibus também resolveu parar. Se somar a minha idade com a do piloto, não dá a do meu tio - muito mais sagaz do que nós dois juntos.

Chegamos (vivos) ao ponto de ônibus e lá ele tomou a condução que o interessava. De lá fui para o mercado comprar um pacote com 8kg de ração ao custo de R$30,50. Só que o produto foi registrado no caixa a R$34,90. Não estava disposto a ser lesado em R$4,40 e logo afirmei que havia um erro. Resumindo: fui até a prateleira e fotografei o preço da mercadoria (fiz isso porque não achei sensato arrancar a etiqueta na marra, até porque ela estava muito bem presa na estante). A funcionária do caixa viu a imagem registrada no celular mas alegou que precisava da etiqueta. E lá foi ela à procura do pedaço de papel. Voltou sem nada e pediu para que eu a acompanhasse, pois não localizara o objeto. Lá fui novamente, cheio de paciência (isto não foi uma ironia), e retornamos com a etiqueta (sim, ela a arrancou na marra).


Faltava o açaí. Essa foi a parte mais simples da história: não tomava açaí há uns dois meses e simplesmente tomei um susto quando vi o novo preço do negócio: R$8,99 o litro. Aumentou 3 reais num intervalo de cerca de 1 ano, muito acima da inflação dos ingredientes que compõem o produto, creio eu. Pelo menos no caixa foi registrado aquele preço mesmo (mas se viesse com um desconto, eu agradeceria).

sábado, 31 de dezembro de 2011

Anos Melhores Para Pessoas Melhores

31 de dezembro -> 1º de janeiro. Poderia ser somente mais uma mudança de data, mas no inconsciente coletivo trata-se de novos tempos, tempos de mudanças (de preferência, para melhor). E é nesse sadio clima de virada de ano que desejo a todos um ótimo 2012, agradecendo por tudo o que aconteceu em 2011 - que possamos carregar aprendizados e experiências como bagagem para a nossa evolução.

Inspirado no ensinamento de Mahatma Gandhi "seja a mudança que você quer ver no mundo", convido cada um a refletir sobre suas escolhas, seus atos, enfim seu modus vivendi. A transformação começa - e termina - com uma reforma íntima, pessoal e intransferível. Seja melhor para o mundo que o mundo será melhor para você!

E só para constar,esta é a 100ª postagem publicada neste espaço. Que estejamos juntos para outras marcas centenárias. (:

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 17

Quando as nuvens aparecem no céu o pavão começa a dançar em êxtase, assim como uma alma sincera fica submersa em alegria ao aparecer uma pessoa santa em sua casa.

O dever dos sábios e das pessoas santas é ir de porta em porta e iluminar os chefes de família, dando-lhes conhecimento espiritual. Compara-se a vida de chefe de família a um poço escuro. Num poço escuro a rã não consegue ver luz profusa do céu aberto. O poço escuro da vida de chefe de família mata a alma. Deve-se, portanto, sair dela para que se possa ver a luz da visão espiritual. As pessoas santas e os sábios misericordiosamente tentam resgatar as almas caídas do poço escuro da vida de chefe de família. Portanto, um chefe de família iluminado fica satisfeito quando eles vêm à sua casa. A mente de um chefe de família, que é uma alma condicionada, está sempre perturbada pelas três classes de misérias da vida material. Todos desejam ser felizes em sua vida familiar, mas as leis da natureza não permitem que alguém seja feliz na existência material, que é como um fogo que surge na floresta sem nenhuma intervenção humana.

Na era de Kali, como descrito antes, as pessoas em geral não se satisfazem mais com a presença das pessoas santas e dos sábios, nem estão interessadas em iluminação espiritual. As pessoas santas e os sábios, no entanto, correm todos os riscos para propagar a mensagem de Deus. O Senhor Jesus Cristo, Thakura Haridasa, o Senhor Nityananda Prabhu e muitos outros sábios arriscaram suas vidas para propagar a mensagem de Deus. Pessoas santas e sábios auto-realizados correm esse risco em prol da iluminação espiritual das pessoas. Eles não fazem votos de silêncio visando receber glorificação barata da massa de pessoas ignorantes. Deus fica satisfeito apenas quando Seus devotos correm toda sorte de riscos para propagar Suas glórias. Semelhantes devotos não temem a difícil jornada para cruzar o oceano de ignorância. Eles estão sempre ansiosos pelo bem-estar das almas caídas, que estão apegadas ao falso gozo da vida material, na qual elas esquecem seu relacionamento eterno com Deus.

É dever das pessoas santas e dos sábios iluminar as almas caídas, e, por sua vez, é dever do chefe de família recebê-los cordialmente, assim como o pavão dança em êxtase devido à presença de nuvens no céu. Só se pode extinguir o fogo das três classes de misérias experimentadas pelos homens materialistas com a nuvem da misericórdia das pessoas santas e dos sábios, que podem derramar a água dos tópicos transcendentais para pôr um fim às misérias dos chefes de família.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Natal É Nascimento E Nascimento É Vida

Este tema foi tratado por aqui no ano passado e não é minha intenção me estender muito e menos ainda ser repetitivo. Mas não pode passar batido algo tão relevante como a discussão sobre o que estamos fazendo com o Natal (ou o que estamos fazendo do Natal).

Em primeiro lugar, etimologicamente "natal" quer dizer "nascer". Ou seja, cada um que esteja lendo essas palavras teve o seu dia de natal, convenientemente registrado em documentos como a certidão de nascimento ou a carteira de identidade.

Nessa data de vinte e cinco de dezembro, o Natal tem um sentido mais místico e religioso, até porque o ser que tem o nascimento celebrado é simplesmente divinal: Jesus Cristo. Daí nasce a discussão: como celebrar o natal de alguém como Jesus?

Eu, particularmente, acho que estamos fazendo isso da forma errada. Nascido numa manjedoura (do italiano mangiatoia: local onde se põe comida para os animais) e figura pacifista por toda a vida, Jesus é hoje "homenageado" pela degustação de cadáveres animais (seja peru, chester, frango, pato, tender, a lista é extensa). Será que o lugar onde se põe comida para os animais foi confundido com o lugar onde comemos os animais? O banquete da ceia natalina, onde pseudos-cristãos gozam de uma orgia alimentar descaracterizada de qualquer sentido sacro, muito mais remete à idéia de matadouro (lugar onde se matam animais) do que qualquer outra coisa.

Então, cá estou através deste texto pedindo uma reflexão: este comportamento à mesa é coerente com a filosofia de vida ensinada por Jesus de Nazaré?

Estou convencido de que não, não é. Por isso, uma ceia estritamente vegetariana é a única alternativa ética para quem quer celebrar um Natal na acepção mais natalina do termo: com vida.

Feliz Natal a todos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 16

À noite, graças ao luar, podem-se ver as nuvens movendo-se no céu. E a própria Lua também parece estar se movendo, assim como o ser vivo parece movimentar-se devido à falsa identificação com a matéria.

À noite, na estação chuvosa, as nuvens em movimento, refletindo a luz da Lua fazem com que esta pareça estar se movendo. Isso se chama ilusão. A alma espiritual, ou o ser vivo, é a raíz de todas as atividades do corpo material, mas por causa da ilusão a alma espiritual permanece coberta pelos corpos materiais grosseiro e sutil. Dessa maneira, a alma condicionada identifica-se com o corpo material e fica sujeita aos ditames do falso ego.

Esse falso ego obriga a entidade viva a considerar que seu corpo material é seu verdadeiro eu, que os frutos do corpo são seus filhos e que a terra natal do corpo é um objeto de adoração. Desse modo, a concepção de nacionalismo do ser vivo é outra espécie de ignorância. Por causa da ignorância, o ser vivo identifica-se com sua terra natal e atua segundo concepções errôneas de idéias nacionalistas. Entretanto, ele de fato não pertence a nenhuma nação ou espécie de vida. Ele não tem nada a ver com o corpo, assim como a Lua não tem nada a ver com as nuvens moventes.

A Lua está muito distante das nuvens e fixa em sua própria órbita, mas a ilusão apresenta uma cena em que a Lua parece estar se movendo. O ser vivo não deve pairar na concepção errônea de que é o corpo temporário; ele deve sempre saber que seu verdadeiro eu é transcendental à identidade corpórea. Esse é o caminho do conhecimento, e o conhecimento completo fixa o ser vivo na órbita das atividades espirituais.

A força viva espiritual é sempre ativa por natureza. Devido à ilusão, suas atividades são executadas erroneamente em prol do corpo, mas na condição liberada, com conhecimento completo, suas atividades são conduzidas em devoção espiritual. Liberação não significa cessar as atividades, mas sim abandonar as atividades ilusórias e transcender à identificação com os corpos grosseiro e sutil.

sábado, 15 de outubro de 2011

Duas Noites Memoráveis No Rock In Rio 2011

Vivi duas noites mágicas na "Cidade do Rock". Venho nesse espaço compartilhar um pouco dessa experiência, que espero guardar para sempre na memória.

24 de setembro de 2011

Cheguei por volta das 16h e logo me chamou atenção a magnitude do espaço do evento. O banheiro masculino chegava a ser engraçado: um corredor de, sei lá, vinte metros de comprimento para que os homens urinassem. As filas para uso de brinquedos como a Roda Gigante, a Tirolesa e a Montanha Russa eram também de amplas dimensões - não me candidatei a enfrentar nenhuma delas, já que o entretenimento que buscava seria exibido em cima dos palcos. Então, vamos ao que mais interessa: falar dos shows.

No Palco Sunset assisti a duas apresentações. A primeira foi uma parceria entre Tulipa Ruiz e Nação Zumbi, que animou a galera. E, se animou a galera, o saldo foi positivo. Depois vieram Milton Nascimento e Esperanza Spalding, que mostraram um entrosamento muito bacana. Já bastaria a voz de Milton para o espetáculo ficar a contento, mas o show teve mais: sanfona e violão de Milton, baixo elétrico e contrabaixo de Esperanza (artista revelação do Grammy do ano passado) e uma harmonia que fazia parecer que os dois foram criados no mesmo berço (clique e confira a música "Maria, Maria", que encerrou a apresentação). Foi uma ótima deixa para rumar ao Palco Mundo.

No Palco Mundo, quem abriu as apresentações pontualmente às 19h foi a banda paulista NX Zero, rotulada emo por uns, rock por outros. E só pra deixar ainda mais dúvida sobre qual é a desse grupo, o rapper Emicida participou da primeira música ("Só Rezo 0.2"). Mas o fato é que os garotos do NX Zero surpreenderam positivamente minhas expectativas e, rótulos de gênero à parte, cumpriram o seu papel. A exaltação do vocalista Di por tocar no Rock In Rio no mesmo dia de Red Hot Chili Peppers deve ter conquistado o público (a mim pelo menos soou muito bem). Clique aqui para ver e ouvir a música "Cedo Ou Tarde".

Caía uma chuvinha gostosa (palavras de alguém que vestia uma capa) quando o Stone Sour fazia sua apresentação. E essa banda pode ser considerada a mais grata surpresa do Rock In Rio 4. Eu nem sabia que o enérgico vocalista Corey Taylor desse sua voz também ao Slipknot. Sem máscara e com muita interação com o público, Corey tomou conta do palco, da platéia e da Cidade do Rock. Foi um baita show, sem dúvida alguma. E tudo isso sem o baterista oficial do grupo: a primeira filha de Roy Mayorga estava para nascer naquele final-de-semana, e ele não veio para o Brasil. Espero que no Rock In Rio 5, prometido para 2013, o Stone Sour esteja de volta, com Roy Mayorga e toda essa intensidade que contagiou a galera. Três vídeos para vocês: "Made Of Scars", "Through Glass" e "Get Inside" + "Hell & Consequences".

São Pedro mandou fechar a torneira e lá veio o Capital Inicial para a 3ª apresentação no Palco Mundo naquela noite de sábado, 24 de setembro de 2011. O vocalista Dinho Ouro Preto sacodiu a multidão com músicas que estavam na ponta da língua da galera e com discursos de cunho político que chegaram a arrancar homenagens a José Sarney, convidado a tomar naquela região do corpo humano reduzida a duas letras - era a deixa para "Que País É Esse?". Sensível às pessoas que pareciam sofrer esmagadas na grade, Dinho distribuiu água e isotônico arremessando os recipientes para os eleitos. E, entre uma boa música e outra, foi tocante quando lembrou o desencarne de Rafael Mascarenhas, "fã de Red Hot Chili Peppers mais do que tudo", e que comemoraria vinte anos de nascimento naquela noite.

A 4ª banda a se apresentar era a escocesa Snow Patrol, a qual fui conhecer recentemente (depois de tomar ciência de que eles tocariam no dia do Red Hot Chili Peppers). Gostei de muitas das composições, e isso elevou as minhas expectativas com relação ao show. Mas, apesar da simpatia do vocalista e guitarrista Gary Lightbody, achei essa apresentação a mais fraca da noite. Não é que as músicas não tenham funcionado no palco - elas continuaram belas (clique e confira a 1ª música da apresentação: "You're All I Have"). Acho que o que faltou foi energia, sobretudo porque a galera vinha de três shows vibrantes. No festival de boas intenções, tiveram lugar a participação da brasileira Mariana Aydar, elogios ao futebol brasileiro e uma bandeira brasileira exibida de cabeça-para-baixo. A guitarra, por um momento, parou de funcionar. O público aguardou o reparo do instrumento, mas o que todos queriam mesmo é que aquela apresentação acabasse logo e que começasse o quanto antes o show mais esperado da noite - e um dos mais aguardados do Rock In Rio 2011.

E era chegada a hora! O Red Hot Chili Peppers iniciou sua épica apresentação com "Monarchy Of Roses", emendando "Can't Stop", "Charlie", "Otherside" e "Look Around". Ou seja, cinco músicas de quatro álbuns diferentes (incluindo duas do mais recente trabalho do grupo). Que banda no mundo consegue isso mantendo o mais alto nível nas composições? E isso porque ainda viriam, logo na seqüência, "Dani California" e "Under The Bridge", para delírio de cem mil pessoas e emoção desse que vos relata. Quando o RHCP tocou "Californication" era o êxtase na Cidade do Rock. E o que dizer quando, imediatamente após, vinha "By The Way"? Não tenho condições de descrever o sentimento. Os Chili Peppers deixaram o palco. Mas quem arredou pé? A multidão queria mais! E eles voltaram, vestindo camisas brancas estampadas com o rosto de Rafael Mascarenhas, em bonita homenagem ao filho de Cissa Guimarães. Voltaram tocando "Around The World"! E fecharam aquela noite inesquecível com "Blood Sugar Sex Magik" e "Give It Away". Só tenho a agradecer ao Red Hot por aquele momento que presenciei na minha cidade natal. E a Deus, por possibilitar que tudo isso acontecesse. Naquela noite, os deuses da música sonharam com os anjos. Dream on Californication. Dream on Californication. Clique e confira o solo de bateria de Chad Smith, minutos antes de a banda voltar ao palco.

2 de outubro de 2011

Com a experiência de quem estava indo pela segunda vez à Cidade do Rock (uau!), me posicionei mais ou menos perto de onde estive no dia 24 de setembro. E a vibração já começou lá em cima, com Tico Santa Cruz chamando a galera pra pular: o vocalista do Detonautas Roque Clube foi performático em cima do palco, alternando o visual que começou sob uma capa preta até a nudez do peito exibindo suas incontáveis tatuagens e incluindo o uso de uma máscara de Guy Fawkes (anarquista inglês que tentou explodir o parlamento britânico no século dezessete). A abertura foi com "Mercador Das Almas" e, com um repertório musical recheado de sucessos ("Olhos Certos", "O Dia Que Não Terminou" e "Quando O Sol Se For" são alguns exemplos) a harmonia da galera com o Palco Mundo foi total. E o negócio ficou ainda melhor quando rolou uma homenagem a Raul Seixas, com "Metamorfose Ambulante". Foi um bom "esquenta" para a noite de dois de outubro.

Pitty veio logo em seguida, tocou hits, tentou conversar com a multidão, enfim, até se esforçou. O ponto alto do show ficou para o final, quando homenageou Nirvana (o disco "Nevermind" completa vinte anos de lançamento) com a música "Smells Like Teens Spirit" - foi naquele momento que testemunhei a primeira rodinha da noite. O repertório da cantora não me agrada e também não gosto do seu linguajar, mas paciência. Até que passou rápido. Clique e confira trecho de "Na Sua Estante".

Para deleite de tímpanos e retinas, Evanescence chegou ao Palco Mundo exibindo belas músicas e toda a exuberância de Amy Lee. Tudo começou com "What You Want" , música do mais novo trabalho da banda. Aliás, funcionou muitíssimo bem a mesclagem de músicas novas com sucessos anteriores, mantendo lá em cima o nível do show. A apresentação terminou com o hit "Bring Me To Life" e, embora todos aguardassem por System Of A Down, o término do show de Evanescence já deixou saudades - a performance de Amy Lee no piano ficou certamente entre os momentos mais marcantes do Rock In Rio 2011 ("My Immortal" não permite que me desmintam).

Em vez de imagens nos telões, uma enorme cortina contendo os dizeres "System Of A Down" anunciava o que estava por vir. O delírio começou antes mesmo de os primeiros sons vindos dos instrumentos e, tão logo começava "Prison Song", a massa pulava enlouquecida na Cidade do Rock. Logo em seguida, "B.Y.O.B." (confira esse início de show clicando aqui)! E se o som do Palco Mundo ia aos trancos e barrancos (em alguns momentos era difícil escutar a voz de Serj Tankian), o uníssiono do público deu conta de manter a vibração lá no topo. Foram vinte e oito músicas na generosa apresentação, incluindo "Radio/Video", "Lost In Hollywood" e fechando com "Sugar". A banda, que tem um discurso político bastante ativo e presente em diversas composições, deixou o seu recado aos brasileiros, referindo-se aos povos indígenas, vítimas de um desenvolvimento desnecessário. Inspirador na luta contra a usina de Belo Monte! Ah! E pra quem curte uma rodinha, confira essa que rolou durante a música "Deer Dance".

Chovia firme sobre a grama sintética da Cidade do Rock, e várias poças se formavam sob os pés do público e também sobre o palco. O hiato de quase duas horas (que em pé, parado e molhado dão uma sensação de eternidade) entre o fim do show do SOAD e o início do show do Guns N' Roses foram o teste para ver quem estava disposto naquela madrugada de dois para três de outubro. Graças a Deus, resisti e pude curtir o show dessa banda de vinte e cinco anos de carreira e recheada de sucessos, que tocou trinta e duas músicas e sacodiu a galera. Um dos melhores momentos foi durante "Sweet Child O' Mine".

Se a edição de 2013 se confirmar, espero lá estar!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Um Dia Atípico (Se Deus Quiser)

Não vou chegar a dizer que "não deveria ter saído de casa", mas certamente a tarde de hoje esteve entre as menos proveitosas desse blogueiro. Até porque deve ser raro para qualquer um - tomara que seja! - que aconteçam imprevistos desagradáveis por três vezes num período de duas horas.

Visando assistir o jogo de amanhã entre Botafogo e Ceará no estádio Engenhão, tratei de ir comprar ingresso antecipadamente (tudo indica que estará uma loucura comprar no dia da partida, dada a grande procura da torcida botafoguense para o jogo nesse feriado nacional). Saí de casa por volta das 14:30h, peguei a bicicleta, calibrei os pneus e parti em disparada, digo, direção a um posto de venda situado não muito longe de onde moro. Amarrei o estimado meio de transporte não-poluente com a corrente num pedaço de metal localizado na calçada e me direcionei ao estabelecimento comercial onde haviam os ditos ingressos. 1º imprevisto desagradável: acabaram os papéis para impressão dos bilhetes, gerando uma fila de dezenas de pessoas à espera de uma solução.

Passados alguns minutos - o tempo passou relativamente depressa naquele momento em que conversava sobre futebol com alguns dos indivíduos que compartilhavam a espera na fila - fui verificar como estava a bicicleta (mais por curiosidade do que qualquer outra coisa). 2º imprevisto desagradável: o veículo não-motorizado de duas rodas não estava mais lá.

Desci as escadas em velocidade maior do que havia subido e fiquei indignado ao detectar que aquele cenário diante de mim configurava um furto: a bicicleta sumiu e o cadeado estava ali, no chão da calçada, arrombado. Conversei com duas pessoas que estavam ali perto (bota perto nisso, uma delas estava praticamente encostada no local onde estacionei a bicicleta e a outra estava a uns três metros de distância). Ninguém viu nada.

Com o cadeado arrombado em punho, com o coração batendo num ritmo diferente de outrora, com um astral longe daqueles onde me reconheço nos meus melhores momentos e sabe Deus com mais o que, fui caminhando até o outro posto de venda que havia por aquela região. Uma caminhada onde qualquer bicicleta prateada que passasse pelo meu campo de visão me levava a lembrar daquela que tantas vezes andei e que agora estava em posse de alguém em conflito com a lei. Uma caminhada amenizada (ou intensificada, já não sei de mais nada) pela trilha sonora que passava pelos fones de ouvido (de momento lembro que uma das músicas era Boulevard Of Broken Dreams). Cheguei na localidade e... fila. Não, não vou considerar essa nova fila como a 3ª desagradável surpresa. Esta estava por vir alguns minutos depois. Devia ser pouco mais de 16h e devia haver no máximo cinco pessoas na minha frente quando uma funcionária no estabelecimento anunciou: 'estamos sem papel para impressão'. Eis o 3º imprevisto desagradável.

Mas, depois de passar por tudo aquilo, eu não iria sair de lá sem o bendito ingresso. Entre uma conversa e outra, narrei para as pessoas mais próximas geograficamente da minha posição na fila a desagradável experiência de ter a bicicleta furtada minutos atrás, mostrando o cadeado arrombado que ainda carregava em punho. Os minutos avançaram, o cidadão com os papéis para impressão chegou, comprei o ingresso para o setor Oeste Superior (naquela altura os setores Leste Superior e Leste Inferior estavam dados como esgotados) e, finalmente, fui embora dali. No caminho de volta, passei pelo mesmo ponto onde vi a bicicleta pela última vez. Sentimentos mistos, mesclando tristeza com revolta e talvez algum outro destes derivado. Mas vida que segue. Como diz o ditado, "vão-se os anéis, ficam os dedos". Sou grato a Deus por tudo, e tenho plena convicção de que nessa experiência algo aprendi. Espero não ter que passar por outras dessa natureza para seguir evoluindo como pessoa. E que o Botafogo vença o Ceará nessa quarta-feira. E com gol de bicicleta.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Contagem Regressiva Para O Rock In Rio 2011

Chegamos a setembro de dois mil e onze, mês que no dia vinte e três terá a abertura do maior festival de música nesse planeta. São sete dias de shows, num dos eventos mais aguardados do ano. Estou com ingresso para os dias 24.09 (motivação: Red Hot Chili Peppers) e 02.10 (motivação: System Of A Down).

Sou uma pessoa que pode ser considerada tranqüila - pelo menos se usarmos essa massa histérica como parâmetro - e aquela ansiedade louca que costuma anteceder momentos pelos quais estamos aguardando atenciosamente não tomou conta do meu inconsciente. Pelo menos não por enquanto.

Tenho ótimas expectativas para essas duas noites em que estarei na "Cidade do Rock", e hoje ouvi pela primeira (e também pela segunda) vez o mais novo lançamento do Red Hot, que é este álbum denominado I'm With You. A primeira impressão é de aprovação, espero inclusive voltar a este blogue para fazer comentários mais extensos a respeito deste trabalho.

Apesar da grande empolgação em assistir RHCP e SOAD na base do contato visual, estimo que o evento poderia ser ainda melhor. Farão falta bandas como Arctic Monkeys, Foo Fighters, Franz Ferdinand, R.E.M., The Offspring e U2, para só citar essa meia dúzia. Por outro lado, me parecem dispensáveis as escalações de NX Zero, Ivete Sangalo e Shakira, também para citar o mínimo de exemplos. Mas vá lá que seja, vou mirar em Capital Inicial, Snow Patrol, Detonautas, Evanescence e Guns N' Roses para não deixar cair o astral. Mas mirando com moderação, porque sabe-se lá como seria controlar a ansiedade para tudo isso que me espera.

Se você está entre os incontáveis indivíduos que deseja ir ao Rock In Rio 2011 mas não tem posse de ingresso, recomendo que fique atento a essas promoções que estão rolando. A disponiblidade de bilhetes para as pessoas físicas, como nós, foi limitada para que as empresas pudessem lucrar algo mais às custas da aproximação do evento. Uma pena. Aquele tanto de fila poderia ter sido minimizado se fosse adotada uma estratégia mais voltada para o público amante da boa música do que para o marketing empresarial. Coisas assim dificultam que encontremos alguma lógica no slogan "por um mundo melhor". Por ora, essa postagem fica por aqui. Abraços musicalizados.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Luz Do Bhagavata - Verso 15

Entre trovões no céu nublado, aparece um arco-íris sem corda. Seu aparecimento é comparado ao aparecimento da Suprema Personalidade de Deus ou de Seus servos em meio à atmosfera material.

A palavra sânscrita guna significa “qualidade” ou “modo”, como também “cordão” ou “corda”. Quando um arco-íris aparece durante a estação das chuvas, observa-se que ele é como um arco sem guna, ou corda. Da mesma forma, o aparecimento da Personalidade de Deus ou de Seus servos transcendentais não tem nada a ver com os modos qualitativos da natureza material. O aparecimento fenomenal da Transcendência é desprovido das qualidades da natureza material, e assim ele assemelha-se a um arco sem corda.

O transcendental Senhor Supremo possui uma forma eterna dotada de existência, conhecimento e bem-aventurança transcendentais. A energia material funciona a Seu bel-prazer; portanto, Ele nunca é afetado pelos modos da natureza material. Ao aparecer diante de nós, em meio às interações materiais, Ele sempre permanece não afetado, como um arco-íris sem corda.

Mediante Sua energia inconcebível, o Senhor Supremo pode aparecer e desaparecer como um arco-íris, que aparece e desaparece sem ser afetado pelo trovão tonitruante ou pelo céu nublado. O Senhor é eternamente o maior dos maiores e o menor dos menores. Os seres vivos, Suas partes integrantes, são os menores dos menores, e Ele, a Verdade Absoluta, a Suprema Personalidade de Deus, é o maior dos maiores.