Explorados desde o século XV, os indígenas brasileiros continuam sofrendo abusos por essas terras. Se antes era via colonialismo europeu, hoje em dia é por força da lei e ação de pistoleiros.
Compartilho abaixo uma carta de socorro da comunidade Guarani-Kaiowá, em vias de ser exterminada na cidade de Naviraí, no Mato Grosso do Sul.
“Nós (50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de despacho/ordem de nossa expulsão/despejo expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, em 29/09/2012.
Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay.
Assim, entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio/extermínio histórico de povo indígena/nativo/autóctone do MS/Brasil, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça Brasileira.
A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas?? Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados 50 metros de rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo 2 morreram por meio de suicídio, 2 morte em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um (01) ano, estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay.
De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais.
Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal, Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio pela justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo/indígena histórico, decidimos meramente em ser morto coletivamente aqui. Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.”
A todos que vêem necessidade de prestar solidariedade a essa causa, peço que assinem a petição "Salvemos os índios Guarani-Kaiowá - URGENTE!". Se possível, também faz-se de grande valia a presença no local, para fortalecer o movimento. Enfim, toda e qualquer forma de colaboração pode ser decisiva para o destino de pessoas inocentes e vítimas de uma Justiça que nem sempre é justa.
Com gratidão.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
O Rio Que Queremos, Iremos Buscar
Eleger Rosinha Garotinho, César Maia, Sérgio Cabral e, agora, Eduardo Paes em primeiro turno são marcas negativas para o eleitor do Rio de Janeiro. Refletem a falta de consciência política e são alimentadas por uma (des)educação pública da (falta de) qualidade que é vista há algumas décadas, com o sucateamento dos CIEPs como uma das medidas para tentar perpetuar esse cenário.
Mas, animai-vos!, alguma coisa está acontecendo de positivo para a Cidade Maravilhosa. Os mais de 900.000 votos para Marcelo Freixo mostram um movimento contrário ao discurso dominante promovido pelo prefeito reeleito. Isso sem se falar nos centenas de milhares que optaram pela anulação do voto - o que me faz pensar que o voto nulo deveria ser, sim, um voto válido.
Precisamos caminhar para a frente, com cabeça erguida, e mostrar para o poder público que a cidade pertence à população que aqui habita. O império peemedebista, a serviço de empreiteiras, construtoras e especuladores, se fortaleceu. Mas está surgindo uma voz de resistência, alimentada pela votação maciça em Freixo para prefeito e nos vereadores do PSOL.
Acredite: o "pequenino" PSOL passa a ser o segundo partido de maior representação na Câmara Municipal, igualando-se ao PT com quatro cadeiras de vereadores. Pode parecer pouco diante dos treze nomes ostentados pelo PMDB, mas a verdade não precisa de muito para prevalecer. Ela precisa ser, primeiramente, dita. E é um Rio verdadeiramente democrático o que devemos buscar.
Afinal, nada deve parecer impossível de mudar.
Abaixo, listagem completa com os nomes dos vereadores eleitos e seus respectivos partidos, além do número de votos. Nosso papel como cidadão não termina com o pleito da eleição. Pelo contrário, diria que é ali que ele começa. Daqui em diante, nossa atuação precisa ser encarada como ferramenta legítima e inalienável para construirmos a cidade que queremos.
PMDB - Eleitos
ROSA FERNANDES 68.452
GUARANÁ 53.306
JORGE FELIPPE 37.520
CHIQUINHO BRAZÃO 35.644
ALEXANDRE ISQUIERDO 33.356
JORGE BRAZ 27.596
RAFAEL ALOISIO FREITAS 25.278
S. FERRAZ 21.982
JORGINHO DA SOS 20.625
WILLIAN COELHO 16.505
THIAGO K. RIBEIRO 16.096
LEILA DO FLAMENGO 14.304
PROF. UOSTON 13.452
PT - eleitos
REIMONT 18.014
MARCELO ARAR 16.756
ELTON BABU 12.630
EDSON ZANATA 12.120
PSOL - eleitos
PAULO PINHEIRO 28.539
ELIOMAR COELHO 23.662
RENATO CINCO 12.498
JEFFERSON MOURA 12.424
DEM - eleitos
CESAR MAIA 44.095
TIO CARLOS 21.378
CARLO CAIADO 15.148
PSDC - eleitos
LUIZ CARLOS RAMOS DO CHAPÉU 15.262
DR. JOÃO RICARDO 10.281
EDUARDÃO 10.209
PP - eleitos
VERA LINS 31.827
CARLOS BOLSONARO 23.679
MARCELO CID HERACLITO QUEIROZ 8.428
PRB - eleitos
JOÃO MENDES DE JESUS 24.973
TANIA BASTOS 24.850
PDT - eleitos
LEONEL BRIZOLA NETO 24.044
DR. JORGE MANAIA 15.812
PSB - eleitos
DR. CARLOS EDUARDO 33.894
MARCELINO D'ALMEIDA 23.239
PSDB - eleitos
JUNIOR DA LUCINHA 31.182
TERESA BERGHER 27.344
PSC - eleitos
JAIRINHO 43.181
DRº EDUARDO MOURA 17.869
PR - eleitos
VERONICA COSTA 31.515
MÁRCIO GARCIA 13.740
PTB - eleitos
CRISTIANE BRASIL 28.169
LAURA CARNEIRO 14.621
PHS - eleito
MARCELO PIUI 6.015
PSL - eleito
ÁTILA A. NUNES 13.252
PTN - eleito
DR. GILBERTO 9.780
PSD - eleito
ELISEU KESSLER 12.717
PV - eleito
PAULO MESSINA 10.112
PRTB - eleito
JIMMY PEREIRA 10.551
PTC - eleito
RENATO MOURA 15.775
Mas, animai-vos!, alguma coisa está acontecendo de positivo para a Cidade Maravilhosa. Os mais de 900.000 votos para Marcelo Freixo mostram um movimento contrário ao discurso dominante promovido pelo prefeito reeleito. Isso sem se falar nos centenas de milhares que optaram pela anulação do voto - o que me faz pensar que o voto nulo deveria ser, sim, um voto válido.
Precisamos caminhar para a frente, com cabeça erguida, e mostrar para o poder público que a cidade pertence à população que aqui habita. O império peemedebista, a serviço de empreiteiras, construtoras e especuladores, se fortaleceu. Mas está surgindo uma voz de resistência, alimentada pela votação maciça em Freixo para prefeito e nos vereadores do PSOL.
Acredite: o "pequenino" PSOL passa a ser o segundo partido de maior representação na Câmara Municipal, igualando-se ao PT com quatro cadeiras de vereadores. Pode parecer pouco diante dos treze nomes ostentados pelo PMDB, mas a verdade não precisa de muito para prevalecer. Ela precisa ser, primeiramente, dita. E é um Rio verdadeiramente democrático o que devemos buscar.
Afinal, nada deve parecer impossível de mudar.
Abaixo, listagem completa com os nomes dos vereadores eleitos e seus respectivos partidos, além do número de votos. Nosso papel como cidadão não termina com o pleito da eleição. Pelo contrário, diria que é ali que ele começa. Daqui em diante, nossa atuação precisa ser encarada como ferramenta legítima e inalienável para construirmos a cidade que queremos.
PMDB - Eleitos
ROSA FERNANDES 68.452
GUARANÁ 53.306
JORGE FELIPPE 37.520
CHIQUINHO BRAZÃO 35.644
ALEXANDRE ISQUIERDO 33.356
JORGE BRAZ 27.596
RAFAEL ALOISIO FREITAS 25.278
S. FERRAZ 21.982
JORGINHO DA SOS 20.625
WILLIAN COELHO 16.505
THIAGO K. RIBEIRO 16.096
LEILA DO FLAMENGO 14.304
PROF. UOSTON 13.452
PT - eleitos
REIMONT 18.014
MARCELO ARAR 16.756
ELTON BABU 12.630
EDSON ZANATA 12.120
PSOL - eleitos
PAULO PINHEIRO 28.539
ELIOMAR COELHO 23.662
RENATO CINCO 12.498
JEFFERSON MOURA 12.424
DEM - eleitos
CESAR MAIA 44.095
TIO CARLOS 21.378
CARLO CAIADO 15.148
PSDC - eleitos
LUIZ CARLOS RAMOS DO CHAPÉU 15.262
DR. JOÃO RICARDO 10.281
EDUARDÃO 10.209
PP - eleitos
VERA LINS 31.827
CARLOS BOLSONARO 23.679
MARCELO CID HERACLITO QUEIROZ 8.428
PRB - eleitos
JOÃO MENDES DE JESUS 24.973
TANIA BASTOS 24.850
PDT - eleitos
LEONEL BRIZOLA NETO 24.044
DR. JORGE MANAIA 15.812
PSB - eleitos
DR. CARLOS EDUARDO 33.894
MARCELINO D'ALMEIDA 23.239
PSDB - eleitos
JUNIOR DA LUCINHA 31.182
TERESA BERGHER 27.344
PSC - eleitos
JAIRINHO 43.181
DRº EDUARDO MOURA 17.869
PR - eleitos
VERONICA COSTA 31.515
MÁRCIO GARCIA 13.740
PTB - eleitos
CRISTIANE BRASIL 28.169
LAURA CARNEIRO 14.621
PHS - eleito
MARCELO PIUI 6.015
PSL - eleito
ÁTILA A. NUNES 13.252
PTN - eleito
DR. GILBERTO 9.780
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Minha Alma (Paes Que Eu Não Quero)
Estamos em época de eleições municipais pelo Brasil e aqui no Rio de Janeiro isso não é diferente. Com uma campanha milionária, o candidato Eduardo Paes, que tenta a reeleição com uma coligação gigantesca, tem como maior adversário o deputado estadual Marcelo Freixo, cuja candidatura pelo PSOL, humilde e sem aliados suspeitos, torna o duelo um tanto desigual. Uma desigualdade que diria ser inversamente proporcional na medida em que, enquanto um lado tem mais minutos no horário político e mais dinheiro na campanha, o outro apresenta a melhor proposta para caminharmos na direção de um Rio menos desigual. Afinal, de desigualdade basta a eleitoral.
Como "paz com voz, não é Paes, é Freixo", a música do Rappa, cujo antigo integrante Marcelo Yuka é candidato a vice com Freixo, acabou sendo a inspiração para essa postagem. Então, vamos a ela.
Minha Alma (Paes Que Eu Não Quero)
A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do prefeito
(Feito! Feito! Feito! Feito!)
Pois paz com voz, paz com voz
Não é Paes, é Freixo!
(Freixo! Freixo! Freixo! Freixo!)
Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz:
"É no Paes em quem não vou votar
Prá tentar ser feliz!"
As bases de UPP
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se não é outra forma de opressão
Me abrace e feche com Freixo,
Faça esse voto comigo!
Mas não deixe o Paes ser reeleito
No dia de domingo, domingo!
Procurando novas formas de cartel
Neste Rio sem sentido...
Eduardo Paes eu não quero seguir admitindo
É com o Paes que eu não quero seguir
É com o Paes que eu não quero seguir
Eduardo Paes eu não quero seguir admitindo
Como "paz com voz, não é Paes, é Freixo", a música do Rappa, cujo antigo integrante Marcelo Yuka é candidato a vice com Freixo, acabou sendo a inspiração para essa postagem. Então, vamos a ela.
Minha Alma (Paes Que Eu Não Quero)
A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do prefeito
(Feito! Feito! Feito! Feito!)
Pois paz com voz, paz com voz
Não é Paes, é Freixo!
(Freixo! Freixo! Freixo! Freixo!)
Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz:
"É no Paes em quem não vou votar
Prá tentar ser feliz!"
As bases de UPP
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se não é outra forma de opressão
Me abrace e feche com Freixo,
Faça esse voto comigo!
Mas não deixe o Paes ser reeleito
No dia de domingo, domingo!
Procurando novas formas de cartel
Neste Rio sem sentido...
Eduardo Paes eu não quero seguir admitindo
É com o Paes que eu não quero seguir
É com o Paes que eu não quero seguir
Eduardo Paes eu não quero seguir admitindo
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Luz Do Bhagavata - Verso 26
O Senhor desfrutava na companhia do Senhor Baladeva e dos outros vaqueirinhos, e às vezes sentava-Se com eles na mesma pedra. Juntos, eles comiam alimentos simples como arroz, dhal, vegetais, pão e coalhada, que tinham trazido de suas casas e que compartilhavam em intercâmbios amigáveis.
No Bhagavad-gita o Senhor expressou seu desejo de aceitar frutas, flores, folhas e água de Seus devotos quando oferecidas a Ele com afeição devocional. O Senhor pode comer toda e qualquer coisa, porque tudo não passa de uma transformação de Sua própria energia. Porém, quando surge a questão de se Lhe oferecer algo, os oferecimentos devem estar dentro da classe de alimentos que o Senhor exigiu. Não podemos oferecer ao Senhor algo que Ele não tenha pedido. Não se pode oferecer à Personalidade de Deus, Sri Krsna, nada que esteja fora da classe de comestíveis saudáveis como arroz, dahl, trigo, vegetais, leite, preparações lácteas e açúcar. Em Jagannatha Puri esses alimentos são oferecidos ao Senhor, e em todas as escrituras os mesmíssimos alimentos são mencionados em toda a parte.
O Senhor nunca está com fome, nem precisa de comida alguma para encher Seu estômago vazio. Ele é completo em Si mesmo. Entretanto, devido à Sua misericórdia, Ele sempre come os alimentos oferecidos com afeição sincera por Seus devotos. Os vaqueirinhos trouxeram alimentos simples de casa, e o Senhor, que é servido constantemente por centenas de milhares de deusas da fortuna, fica sempre alegre de aceitar tais alimentos simples de Seus amigos devotos. Todos os parentes do Senhor são apenas Seus devotos, e estão situados em diferentes sentimentos transcendentais como amigos, pais e amantes. O Senhor sente prazer transcendental em aceitar os serviços de Suas diversas classes de devotos, que estão situados em diversas classes de rasas. Essas rasas transcendentais refletem-se de maneira pervertida na atmosfera material. Assim, o ser vivo espiritual, devido apenas à ignorância, busca em vão a mesma bem-aventurança na matéria.
No Bhagavad-gita o Senhor expressou seu desejo de aceitar frutas, flores, folhas e água de Seus devotos quando oferecidas a Ele com afeição devocional. O Senhor pode comer toda e qualquer coisa, porque tudo não passa de uma transformação de Sua própria energia. Porém, quando surge a questão de se Lhe oferecer algo, os oferecimentos devem estar dentro da classe de alimentos que o Senhor exigiu. Não podemos oferecer ao Senhor algo que Ele não tenha pedido. Não se pode oferecer à Personalidade de Deus, Sri Krsna, nada que esteja fora da classe de comestíveis saudáveis como arroz, dahl, trigo, vegetais, leite, preparações lácteas e açúcar. Em Jagannatha Puri esses alimentos são oferecidos ao Senhor, e em todas as escrituras os mesmíssimos alimentos são mencionados em toda a parte.
O Senhor nunca está com fome, nem precisa de comida alguma para encher Seu estômago vazio. Ele é completo em Si mesmo. Entretanto, devido à Sua misericórdia, Ele sempre come os alimentos oferecidos com afeição sincera por Seus devotos. Os vaqueirinhos trouxeram alimentos simples de casa, e o Senhor, que é servido constantemente por centenas de milhares de deusas da fortuna, fica sempre alegre de aceitar tais alimentos simples de Seus amigos devotos. Todos os parentes do Senhor são apenas Seus devotos, e estão situados em diferentes sentimentos transcendentais como amigos, pais e amantes. O Senhor sente prazer transcendental em aceitar os serviços de Suas diversas classes de devotos, que estão situados em diversas classes de rasas. Essas rasas transcendentais refletem-se de maneira pervertida na atmosfera material. Assim, o ser vivo espiritual, devido apenas à ignorância, busca em vão a mesma bem-aventurança na matéria.
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Festival De Cinema Francês 2012
Vamos aqui fazer breves considerações sobre os filmes assistidos, mais ou menos nos mesmos moldes de como analisamos ano passado e retrasado. Dessa vez, tive a felicidade de, durante os dezesseis dias de festival, assistir 14 dos 17 filmes exibidos (a grande maioria deles de altíssimo nível). Que venha a edição 2013. E viva o cinema francês!
E Agora, Aonde Vamos?
Vamos falar aqui de um filme maravilhoso. Ousado, trata de um tema delicado como o confilto entre cristãos e muçulmanos mesclando drama e comédia (e vice-versa). Prima pela sensibilidade na narração dos acontecimentos, sendo capaz de proporcionar risos e lágrimas. Ou seja, sucesso completo a obra assinada por Nadine Labaki. Imperdível.
O Barco Da Esperança
Retratando a realidade de uma travessia oceânica perigosa que parte de uma faminta África para um suposto paraíso europeu, O Barco Da Esperança navega por águas que conduzem o espectador a momentos de angústia e alívio. O diretor Moussa Touré conseguiu cumprir a proposta, mostrando ao mundo algo que não costuma aparecer nos noticiários.
Uma Garrafa No Mar De Gaza
Com o poder de debater sob uma ótica diferenciada a já banalizada guerra entre palestinos e israelenses em Gaza e adjacências, o filme consegue mergulhar no drama de uma família de cada lado "do muro". Com um roteiro muito bem amarrado, o desenrolar da história vai prendendo a atenção de um espectador que acaba se vendo condenado a torcer para que o encontro entre a bela Tal e o tal "Gazaman" aconteça. Surpreendente, o filme guarda o clímax para o final. Ou para depois dele.
A Filha Do Pai
Tinha todo o enredo para ser mais uma história de amor proibido daquelas que estamos cansados de assistir. Mas não. Eis um filme que capricha em cada sequência, em cada diálogo, em cada proposta de reflexão, fluindo num ritmo precisamente adequado para que a obra dialogue com o espectador da melhor maneira possível. Fiquei fã de Daniel Auteil, que deu aula de direção e de atuação. E também da bela Astrid Berges-Frisbey, protagonista que encanta e convence em sua interpretação. Vida longa a essa dupla!
Adeus Berthe Ou O Enterro Da Vovó
Como comédia, o filme funciona relativamente bem, com boas sacadas. Mas, no contexto geral, acaba deixando a impressão de que faltou (ou sobrou) alguma coisa para deixar a história melhor amarrada. Pode ser que o filme seja melhor do que a mim pareceu, mas assistí-lo depois dos dois filmes que tinha acabado de assistir talvez tenha pesado contra, pois definitivamente este não se encontra no mesmo nível daqueles anteriores.
Paris-Manhattan
A história cativa pela simplicidade, com a relação entre a protagonista e Woody Allen sendo um tempero especial que possibilita alguns risos e muitas reflexões. Embora tenha saído da sessão com a sensação de que alguma coisa não encaixou bem no filme, o agradável desenrolar da história e a própria personalidade de Alice (Alice Taglioni) compensam qualquer eventual falha.
Aqui Embaixo
Poderia indicar esse filme simplesmente pela espetacular atuação de Céline Sallette, irrepreensível na pele de Irmã Luce. Não bastasse isso, há que se enaltecer que a história (real) dessa religiosa foi um achado cinematográfico, tratada de maneira brilhante pelo diretor Jean-Pierre Denis. Filmaço.
Um Evento Feliz
A maternidade é tratada de maneira tão real que o filme parece conseguir a proeza de fazer o espectador se sentir um pouco mãe - no meu caso, foi perturbador "encarar" as cenas do parto, e naquele momento dava graças a Deus de ter nascido homem. As reflexões da protagonista e a química do casal principal são dois pontos fortes numa obra que abusa do poder de passar as emoções vividas pelos personagens.
Americano
Tinha tudo para ser um filme comum, mas, como num toque de mágica, a história ganha força e o que temos é um final arrebatador, daqueles para serem guardados na memória. Mas o nome disso não é mágica, não: é a ótima direção de Mathieu Demy.
O Monge
Suspense com "S" maiúsculo, pra fazer acelerar os batimentos cardíacos, prender a respiração, arrancar o fôlego. Daqueles filmes que acompanham nossos pensamentos pra muito além do final da sessão, fazendo-nos (re)pensar muitas condições da existência humana. Com o perdão do trocadilho, a atuação de Vincent Cassel está impecável.
Abaixo, filmes assistidos durante o período de Repescagem.
Intocáveis
A obra dirigida por Olivier Nakache e Eric Toledano é conduzida de maneira magistral. Isso se deve não somente à exímia direção, mas também às ótimas músicas e, talvez principalmente, às irrepreensíveis atuações de François Cluzet e Omar Sy. Ao mesmo tempo cômico e comovente, este é daqueles filmes para rir muito e refletir bastante.
Polissia
Com cara de longa-metragem e alma de documentário, Polissia é um filme necessário. Pelo tema que aborda, já não há como ignorá-lo. E como se não bastasse a ousadia na narrativa, há um outro mérito exaltável na obra de Maiwenn (diretora e atriz): o de conseguir mergulhar no drama de praticamente todos os personagens que aparecem no filme, mesmo que presentes por apenas alguns segundos. O desfecho é exuberante, pra emocionar de tão perturbador e genial.
Alyah
A Vida Vai Melhorar
Realista até dizer chega, o filme ilustra de maneira simples e direta aquilo que deve fazer parte do cotidiano da maioria dos seres humanos que vivem nas cidades: sonhos e poder aquistivo em grandezas inversamente proporcionais. Guillaume Canet brilha na pele do protagonista (o cozinheiro Yann) e, amparado pela ótima direção de Cédric Kahn, carrega o filme no colo.
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
Tomar Partido E Fazer Política: Onde Estão Os Direitos Dos Animais?
2012 é ano de eleições municipais pelo Brasil e, embora o pleito seja realizado em outubro, em julho já vemos - e ouvimos - propagandas políticas de diversos candidatos.Vivemos em um país pluripartidário, com dezenas de legendas diferentes e coligações bizarras, daquelas que fazem dividir o palanque dois sujeitos hoje abraçados e ontem inimigos declarados.
Recentemente, foi fundado o 30º partido (denominado PEN - Partido Ecológico Nacional). O nome é sugestivo e insere-se num contexto histórico onde o debate ambientalista é crescente em praticamente todos os cantos do mundo, notadamente pela ameaça global das mudanças climáticas.
Não sei, sinceramente, o que esperar do PEN no cenário nacional. E nem é meu objetivo especular isso nesse presente momento. Quero, isto sim, apresentar dois partidos políticos de fora do Brasil que colocam como tema central os direitos dos animais, algo que seria muito bem-vindo no país que mais exporta carne no mundo e que financia fortemente a pecuária (perceba como acaba se tratando, também, de uma questão ambiental).
Na Holanda, em 2002, surgiu o Partido pelos Animais (Partij voor de Dieren, em holandês), atualmente presidido pela ativista Marianne Thieme, figura simpaticíssima que tive a felicidade de conhecer em julho de 2009, no Festival Vegano Internacional, realizado no Rio de Janeiro. O trabalho que vem sendo realizado na Holanda é inspirador no sentido de que nós podemos - e devemos - aplicar algo dessa natureza nessa nação, onde a exploração animal concentra renda, degrada ecossistemas e tortura milhões de seres inocentes.
O outro exemplo ocorre em Portugal, país onde, em 2009, surgiu o PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza), que elegeu seu primeiro deputado nas eleições de 2011. Pode-se acompanhar as atividades desse partido através da rede social Facebook.
Vejo esses casos na Holanda e em Portugal como feixes de luz a iluminarem uma escuridão que assola os direitos dos animais. No Brasil, a legislação determina que nenhum animal deverá ser submetido à crueldade. Precisamos, portanto, fazer valer esse direito. Talvez seja necessário, para isso, criar um partido político focado nesse ideal de libertação animal. Pode ser que, com ele, nasça uma nova ética de respeito pela vida, que não vem sendo zelada como deveria pelos trinta partidos já existentes.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012
Luz Do Bhagavata - Verso 25
O Senhor reciprocava os sentimentos dos habitantes da floresta de Vrndavana. Quando a chuva caía, o Senhor Se refugiava aos pés das árvores ou nas cavernas e desfrutava o sabor de diferentes frutas com Seus associados eternos, os vaqueirinhos. Ele brincava com eles, sentava-Se com eles e comia frutas com eles.
Tornar-se uno com Deus nem sempre indica que o ser vivo tenha de se fundir na existência do Senhor. Tornar-se uno com Deus significa que a pessoa alcança sua qualidade espiritual original. A menos que obtenha essa qualidade espiritual, ela não poderá entrar no reino de Deus. Os membros da escola impersonalista explicam sua idéia de unidade através do exemplo da água do rio que se mistura com a água do mar. Contudo, devemos saber que dentro da água do mar existem seres vivos que não se fundem na existência da água, senão que conservam suas identidades separadas e gozam a vida dentro da água. Eles são unos com a água no sentido de que alcançaram capacidade de viver dentro da água. Analogamente, o mundo espiritual não está à parte de sua parafernália separada. O ser vivo pode conservar sua identidade espiritual distinta no reino espiritual e gozar a vida com o ser espiritual supremo, a Personalidade de Deus.
Em Vrndavana, todas as entidades espirituais - os vaqueiros, as vaqueirinhas, a floresta, as árvores, as colinas, a água, as frutas, as vacas etc - desfrutam a vida espiritual na associação do Senhor, Sri Krsna. Eles são simultaneamente unos com o Senhor e diferentes dEle. Mas, em última análise, eles são iguais em diferentes variedades.
Tornar-se uno com Deus nem sempre indica que o ser vivo tenha de se fundir na existência do Senhor. Tornar-se uno com Deus significa que a pessoa alcança sua qualidade espiritual original. A menos que obtenha essa qualidade espiritual, ela não poderá entrar no reino de Deus. Os membros da escola impersonalista explicam sua idéia de unidade através do exemplo da água do rio que se mistura com a água do mar. Contudo, devemos saber que dentro da água do mar existem seres vivos que não se fundem na existência da água, senão que conservam suas identidades separadas e gozam a vida dentro da água. Eles são unos com a água no sentido de que alcançaram capacidade de viver dentro da água. Analogamente, o mundo espiritual não está à parte de sua parafernália separada. O ser vivo pode conservar sua identidade espiritual distinta no reino espiritual e gozar a vida com o ser espiritual supremo, a Personalidade de Deus.
Em Vrndavana, todas as entidades espirituais - os vaqueiros, as vaqueirinhas, a floresta, as árvores, as colinas, a água, as frutas, as vacas etc - desfrutam a vida espiritual na associação do Senhor, Sri Krsna. Eles são simultaneamente unos com o Senhor e diferentes dEle. Mas, em última análise, eles são iguais em diferentes variedades.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
Crueldade Que Compactuamos
Na última edição do programa CQC (Custe o Que Custar), exibido ontem, 25.06.2012, na TV Bandeirantes, o quadro Proteste Já tratou de um tema absolutamente necessário para debate: abatedouros.
No Brasil, estima-se que aproximadamente metade dos matadouros de animais atuem na clandestinidade, isto é, sem qualquer inspeção quanto aquilo que é regulamentado para funcionamento. Se você pensar que o CQC foi até um matadouro municipal (isto é, sob "os cuidados" da Prefeitura) e encontrou o que encontrou, imagine o que não existe pelo país naqueles estabelecimentos tidos como ilegais.
E estamos falando de um país onde existe mais boi do que gente, alimentando o mundo com 1/3 da carne bovina consumida nesse planeta. O programa mostrou as questões de ordem sanitária, escancarando um cenário caótico para a saúde pública. Mas a abordagem, por se limitar a essa esfera, acabou pecando por omissão: é eticamente inaceitável falar de matadouros sem entrar no mérito do direito dos animais. Direito dos animais não se resume ao fato de matar à marretadas ou via pistola pneumática. Direito dos animais inclui - ou pelo menos deveria incluir - o direito de viver em liberdade, livre de qualquer forma de exploração. Como diz o filósofo Tom Regan, não interessa se foi aumentado o tamanho da jaula - o que interessa é que a jaula esteja vazia.
A Band, através do CQC, perdeu uma grande oportunidade de realizar uma reportagem revolucionária na TV aberta brasileira, expondo para o público fatos que, para alegria da indústria alimentícia que lucra horrores pela exploração animal, estão convenientemente ocultos aos olhos da massa. E fez pior, pois quando o repórter Oscar Filho coloca como considerações finais a sua preocupação com os postos de trabalho perdidos pelos funcionários do matadouro (o estabelecimento foi fechado pelo poder público), ele deixa a mensagem de que a barbárie de ceifar vidas de seres sencientes se justifique pelo argumento de que gere renda para um sujeito. Argumento inválido, além de perigoso. Ou será que Oscar Filho não pouparia esforços para promover o sustento honesto dos coveiros?
Numa sociedade onde se procura justiça, ética e respeito, é fundamental que esses valores atemporais sejam colocados acima do dinheiro. Custe o que custar.
Abaixo, a matéria veiculada pelo programa.
No Brasil, estima-se que aproximadamente metade dos matadouros de animais atuem na clandestinidade, isto é, sem qualquer inspeção quanto aquilo que é regulamentado para funcionamento. Se você pensar que o CQC foi até um matadouro municipal (isto é, sob "os cuidados" da Prefeitura) e encontrou o que encontrou, imagine o que não existe pelo país naqueles estabelecimentos tidos como ilegais.
E estamos falando de um país onde existe mais boi do que gente, alimentando o mundo com 1/3 da carne bovina consumida nesse planeta. O programa mostrou as questões de ordem sanitária, escancarando um cenário caótico para a saúde pública. Mas a abordagem, por se limitar a essa esfera, acabou pecando por omissão: é eticamente inaceitável falar de matadouros sem entrar no mérito do direito dos animais. Direito dos animais não se resume ao fato de matar à marretadas ou via pistola pneumática. Direito dos animais inclui - ou pelo menos deveria incluir - o direito de viver em liberdade, livre de qualquer forma de exploração. Como diz o filósofo Tom Regan, não interessa se foi aumentado o tamanho da jaula - o que interessa é que a jaula esteja vazia.
A Band, através do CQC, perdeu uma grande oportunidade de realizar uma reportagem revolucionária na TV aberta brasileira, expondo para o público fatos que, para alegria da indústria alimentícia que lucra horrores pela exploração animal, estão convenientemente ocultos aos olhos da massa. E fez pior, pois quando o repórter Oscar Filho coloca como considerações finais a sua preocupação com os postos de trabalho perdidos pelos funcionários do matadouro (o estabelecimento foi fechado pelo poder público), ele deixa a mensagem de que a barbárie de ceifar vidas de seres sencientes se justifique pelo argumento de que gere renda para um sujeito. Argumento inválido, além de perigoso. Ou será que Oscar Filho não pouparia esforços para promover o sustento honesto dos coveiros?
Numa sociedade onde se procura justiça, ética e respeito, é fundamental que esses valores atemporais sejam colocados acima do dinheiro. Custe o que custar.
Abaixo, a matéria veiculada pelo programa.
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terça-feira, 19 de junho de 2012
Luz Do Bhagavata - Verso 24
Quando o Senhor entrou na floresta de Vrndavana, todos os habitantes da floresta, tanto animados quanto inanimados, ficaram ansiosos por recebê-lO. Ele viu que todas as flores da floresta, desabrochando inteiramente, choravam de êxtase, com mel a fluir de suas pétalas. As cascatas fluíam alegremente das rochas das montanhas, e podia-se ouvir sons doces provenientes das cavernas próximas.
O Senhor possui multifárias energias, entretanto, o Senhor e Suas energias são idênticos. A energia material é uma de Suas variadas energias, e afirma-se no Bhagavad-gita que a energia material, em qualidade, é inferior à energia espiritual. A energia espiritual é superior porque sem o contato com a energia espiritual a energia material sozinha não pode produzir nada. Mas a fonte de todas as energias é a todo-atrativa Personalidade de Deus, Sri Krsna.
Este mundo material é uma combinação de matéria e espírito, mas o mundo espiritual, que está muitíssimo distante do céu material, é puramente espiritual e não tem nenhum contato com a matéria. No mundo espiritual, tudo é espírito. Já expusemos isso. A Personalidade de Deus, a fonte original de todas as energias, é capaz de converter espírito em matéria e matéria em espírito. Para Ele não há diferença entre matéria e espírito. Portanto, ele é chamado de kaivalya.
Nos passatempos transcendentais do Senhor Sri Krsna, Ele reciproca com o espírito, e não com a matéria. Quando Ele está no mundo mortal, as qualidades materiais não podem influenciá-lO. Um eletricista sabe como produzir força da eletricidade. Com a ajuda da eletricidade ele pode congelar ou ferver a água. De forma semelhante, a Personalidade de Deus, através de Seu poder inconcebível, pode transformar a matéria em espírito e o espírito em matéria. Logo, mediante a graça do Todo-poderoso, tudo é matéria e espírito, embora, do ponto de vista do ser vivo comum, haja diferença entre matéria e espírito.
Flores, cascatas, árvores, frutas, colinas, cavernas, pássaros, feras e seres humanos não são mais do que combinações de energia de Deus. Portanto, quando a personalidade de Deus apareceu, todos eles manifestaram sua inclinação espiritual, e em virtude da afeição natural desejaram servir ao Todo-poderoso segundo suas diferentes capacidades.
Existem níveis distintos de desenvolvimento espiritual na matéria. No mundo material, as centelhas espirituais da Personalidade de Deus estão cobertas pela energia material em diferentes proporções, e gradualmente, enquanto transmigram em várias espécies de vida, elas vão se espiritualizando. A forma de vida humana representa o desenvolvimento completo dos sentidos através dos quais pode-se lograr a realização espiritual da afeição original pelo Senhor. Por conseguinte, se a despeito desta oportunidade da vida humana formos incapazes de reviver nossa afeição natural pelo Senhor, é bom que saibamos que estamos desperdiçando nossa vida em troca de nada. Entretanto, pela graça do Senhor, a consciência espiritual de todas as espécies de vida pode ocupar seu lugar apropriado, e estas espécies podem exprimir sua afeição espiritual pelo Senhor na santa-rasa, como exibida pela terra, pela água, pelas colinas, pelas árvores, pelas frutas e pelas flores de Vrndavana durante a presença do Senhor Sri Krsna, a Personalidade de Deus.
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segunda-feira, 28 de maio de 2012
Franz Ferdinand São Paulo 2012: A Arte De Contagiar O Público
Em março de 2010 tive a oportunidade de assistir aquele que era meu primeiro show internacional. A banda escocesa Franz Ferdinand se apresentaria na Fundição Progresso, casa de espetáculos situada relativamente perto de casa (vira e mexe passo em frente quando me desloco pela cidade do Rio de Janeiro). Naquele show memorável, conheci pessoas com as quais conservo relação de amizade até hoje e experienciei uma performance, uma presença de palco, uma interação artista-público absolutamente singular. Por coincidência, ou melhor, por aquilo que considero ter sido um capricho dos deuses da música, aquele show aconteceu no dia do aniversário do vocalista Alexander Kapranos, que ouviu um "parabéns para você" cantado por milhares de pessoas e foi aos braços do público, numa cena que tive a felicidade de testemunhar a alguns metros de distância, com direito a um registro fotográfico que beira o inacreditável, tamanha a improbabilidade (clique e confira).
Passados 26 meses e eu, com 26 anos de idade, pude reencontrar o quarteto britânico em solo brasileiro - dessa vez em São Paulo. Uma viagem que me animei de fazer tão logo tomei conhecimento de que o Franz Ferdinand faria uma apresentação gratuita no 16º Cultura Inglesa Festival. Embarquei à meia-noite e quinze e às sete da manhã já estava em Sampa, sentindo o frio matinal daquela que é a maior cidade do país. Os minutos se passavam, o sol aquecia o dia e já não era necessário fazer uso de casaco nem de camisa com manga comprida. Vestindo a mesma camisa do Botafogo que usei na noite de 24 de setembro, no Rock In Rio 2011, fui para a enorme fila que esperava por mim e por meu irmão, parceiro de viagem. Acho que ficamos cerca de uma hora no percurso que nos separava da entrada da área destinada aos shows. O relógio devia estar marcando algo em torno das onze horas da manhã e o momento mais esperado daquele domingo ensolarado, com ares de outono carioca, estava agendado para às 18h30. As bandas que se apresentavam entretiam, embora sem necessariamente empolgarem. Amigos virtuais de longa data foram chegando e "se tornaram reais", fazendo a ocasião ainda mais especial. Até chegar o grande momento, aquele período de tempo tão reduzido porém eterno, quando você visualiza o grupo e, ao ouvir os primeiros sons, já se deixa contagiar. Começou com Darts Of Pleasure e terminou com This Fire aquela apresentação que incendiou o Parque da Independência. Quando tocou Take Me Out, senti estar vivendo um momento mágico. Revendo a gravação, creio que aquilo ali na verdade se trata de algo épico, inapagável e impagável. Tocar ainda Michael, sair do palco e voltar com Jacqueline me fez pensar: "oh deuses da música, obrigado por fazerem um show especialmente para mim". Desconfio não ser merecedor de tamanho mimo, e sou grato eternamente por essa dádiva. 27.05.2012 é para se guardar. Na memória e no coração.
Preciso dizer se valeu cada metro percorrido e cada real investido nessa viagem?
Set list do show do Franz Ferdinand no Parque da Independência, em São Paulo, 27.05.2012
01. Darts of Pleasure
02. Tell Her Tonight
03. Right Thoughts
04. Do You Want To
05. No You Girls
06. Brief Encounters
07. Walk Away
08. Dark of The Matinée
09. Fresh Strawberries
10. Can't Stop Feeling (com I Feel Love)
11. Take Me Out
12. Ulysses
13. Trees and Animals
14. 40´
15. Outsiders
16. Michael
Bis:
17. Jacqueline
18. This Fire
Galeria de fotos
Passados 26 meses e eu, com 26 anos de idade, pude reencontrar o quarteto britânico em solo brasileiro - dessa vez em São Paulo. Uma viagem que me animei de fazer tão logo tomei conhecimento de que o Franz Ferdinand faria uma apresentação gratuita no 16º Cultura Inglesa Festival. Embarquei à meia-noite e quinze e às sete da manhã já estava em Sampa, sentindo o frio matinal daquela que é a maior cidade do país. Os minutos se passavam, o sol aquecia o dia e já não era necessário fazer uso de casaco nem de camisa com manga comprida. Vestindo a mesma camisa do Botafogo que usei na noite de 24 de setembro, no Rock In Rio 2011, fui para a enorme fila que esperava por mim e por meu irmão, parceiro de viagem. Acho que ficamos cerca de uma hora no percurso que nos separava da entrada da área destinada aos shows. O relógio devia estar marcando algo em torno das onze horas da manhã e o momento mais esperado daquele domingo ensolarado, com ares de outono carioca, estava agendado para às 18h30. As bandas que se apresentavam entretiam, embora sem necessariamente empolgarem. Amigos virtuais de longa data foram chegando e "se tornaram reais", fazendo a ocasião ainda mais especial. Até chegar o grande momento, aquele período de tempo tão reduzido porém eterno, quando você visualiza o grupo e, ao ouvir os primeiros sons, já se deixa contagiar. Começou com Darts Of Pleasure e terminou com This Fire aquela apresentação que incendiou o Parque da Independência. Quando tocou Take Me Out, senti estar vivendo um momento mágico. Revendo a gravação, creio que aquilo ali na verdade se trata de algo épico, inapagável e impagável. Tocar ainda Michael, sair do palco e voltar com Jacqueline me fez pensar: "oh deuses da música, obrigado por fazerem um show especialmente para mim". Desconfio não ser merecedor de tamanho mimo, e sou grato eternamente por essa dádiva. 27.05.2012 é para se guardar. Na memória e no coração.
Preciso dizer se valeu cada metro percorrido e cada real investido nessa viagem?
Set list do show do Franz Ferdinand no Parque da Independência, em São Paulo, 27.05.2012
01. Darts of Pleasure
02. Tell Her Tonight
03. Right Thoughts
04. Do You Want To
05. No You Girls
06. Brief Encounters
07. Walk Away
08. Dark of The Matinée
09. Fresh Strawberries
10. Can't Stop Feeling (com I Feel Love)
11. Take Me Out
12. Ulysses
13. Trees and Animals
14. 40´
15. Outsiders
16. Michael
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17. Jacqueline
18. This Fire
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quinta-feira, 24 de maio de 2012
Luz Do Bhagavata - Verso 23
As vacas que seguiam o Senhor dentro da floresta movimentavam-se vagarosamente por causa de seus pesados úberes cheios de leite. Mas quando o Senhor as chamava por seus nomes elas imediatamente ficavam alertas, e enquanto se apressavam em direção a Ele suas tetas derramavam leite no chão devido à afeição pelo Senhor.
Compreende-se através de escrituras tais como o Brahma-samhita que na morada espiritual do Senhor as casas são feitas de pedra filosofal e as árvores são todas árvores-dos-desejos. Lá, o Senhor costuma apascentar milhares e milhares de kamadhenus (vacas capazes de suprir ilimitada quantidade de leite). E todas as casas, árvores e vacas são qualitativamente não-diferentes do Senhor. O Senhor e Sua parafernália na morada espiritual são idênticos em qualidade, embora, para o prazer do Senhor, existam diferenças. No mundo material, também temos uma diversidade de parafernália para os prazeres de nossa vida, contudo, porque toda esta parafernália é feita de matéria, ela é, afinal, perecível. No céu espiritual, existem as mesmíssimas variedades de prazer, mas todas elas são destinadas ao Senhor. Lá, apenas o Senhor é o desfrutador e beneficiário supremo, e todos os demais são desfrutados por Ele. O Senhor é servido por todas as classes de servos, e tanto o amo quanto os servos são da mesma qualidade. Esta variedade espiritual é exibida pelo Senhor quando Ele desce em Vrndavana, e assim temos conhecimento de que o Senhor desce com Seu cortejo pessoal de vacas, vaqueirinhos e vaquerinhas, todos os quais são tão somente expansões espirituais do Senhor para o Seu próprio prazer. Dessa maneira, ao serem chamadas pelo Senhor, as vacas ficaram dominadas pela afeição e prazer, assim como o seio de uma mãe verte leite quando a criança chora por ele.
Todos nós, seres vivos, somos expansões diferenciadas do Senhor. Porém, nossa afeição pelo Senhor está latente em nós, artificialmente coberta pela qualidade material da ignorância. A cultura espiritual tem como propósito reviver esta afeição natural do ser vivo pelo Senhor. Os ingredientes do fogo já estão presentes num palito de fósforo, e basta apenas um leve atrito para acender o fogo. De igual modo, nossa afeição natural pelo Senhor tem de ser revivida através de um pouco de cultura. Sobretudo, devemos receber o conhecimento acerca do Senhor com um coração purificado.
Para lograr a compreensão espiritual, deve-se purificar o coração e conhecer as coisas na sua perspectiva verdadeira. Tão logo alguém faça isto, o fluxo de sua afeição natural começa a fluir em direção ao Senhor, e com o progresso desse fluxo a pessoa torna-se cada vez mais auto-realizada nos vários relacionamentos com o Senhor. O Senhor é o centro de toda a afeição de todos os seres vivos, os quais são todos suas partes integrantes. Quando o fluxo da afeição natural pelo Senhor fica obstruído pelo desejo de imitar Seu domínio, diz-se que a pessoa está em maya, ou seja, ilusão. Maya não tem existência substancial, mas enquanto suas alucionações prosseguirem, sentir-se-á sua influência. O Senhor, por Sua misericórdia imotivada, exibe a realidade da vida de modo que nossas alucinações possam ser completamente dissipadas.
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