quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Por Um Carnaval Sem Covardia Na Fantasia


O presente tópico vem em clima e ritmo de carnaval. Numa das épocas mais festivas do ano e considerado por muitos como o maior espetáculo da Terra, os desfiles das escolas de samba costumam trazer temas que muitas das vezes remetem para o bem, para pensamentos de preservação etc e tal. Mas de que adianta falar de preservação se não se faz a preservação?

Então, o blogueiro reeditou refrões de sambas-enredo desse ano de 2013, fazendo uma brincadeira com coisa séria. Na melhor das intenções. Quem sabe, um dia, olhemos para trás e pensemos: "caramba, a gente fazia fantasia violando corpos animais?". Precisamos parar com essa cultura de exploração. Viva o carnaval com ética e respeito. No falar e no fazer.

Deus Thor me chamou, vou nessa viagem
Que felicidade, é vegan meu bem
Metade da minha fantasia é sem plumas
A outra metade é sem plumas também
(Unidos da Tijuca)

Tá na capa da revista, o meu pavilhão
E na cara dessa gente, o orgulho a emoção
Sem plumas de bicho no peito
Tem banca, moral, respeito
(Acadêmicos do Salgueiro)

Fantasia sem crueldade, é pra lá de bom
Ao som do fole, eu e você
A Vila vem plantar felicidade no amanhecer
(Unidos de Vila Isabel)

Sou coerente, meu amor
Um vencedor, meu limite é o céu
Eu vim brilhar com a Beija-Flor
Valente e guerreiro, vegano fiel
(Beija-Flor de Nilópolis)

Um animal que sente dor, sou eu
Vem cá, me dá, o que é meu, é meu
(Acadêmicos do Grande Rio)

Cai na folia sem pluma, meu bem, vem na fé
Na ilusão da fantasia
Tem consciência quem quer
(Portela)

Mangueira... o trem da emoção
Viaja na imaginação
Minha fantasia é sem pluma, matou ninguém não
É poesia que faço de coração
(Estação Primeira de Mangueira)

Onde anda você, "ararinha"?
Saudade mandou te buscar
A Ilha é vegan na avenida
Mais que nunca vou te respeitar
(União da Ilha)

Uma onda me embala, invade a alma
No peito explode a minha paixão
Um mundo melhor, que felicidade
Minha fantasia não tem crueldade
(Mocidade Independente)

No norte a estrela que vai me guiar
Exemplo pro mundo: Pará
O talismã do meu país
Sem plumas a Imperatriz
(Imperatriz Leopoldinense)

Olha quem chegou, tem caçador na mata
As aves estão fugindo desesperadas
Fantasia sem pena, por favor, minha gente
Na tela da São Clemente
(São Clemente)

Meu oriente é você
Vim mostrar o meu valor
Inocentes, as aves merecem viver
Boicote penas e plumas, amor
(Inocentes de Belford Roxo)
Exemplo de "resto de uma fantasia". Abaixo, vídeo mostrando exemplo de uma indústria de penas.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Análise Dos Sambas-Enredo Do Carnaval 2013 - Grupo Especial, Rio De Janeiro

Já virou tradição nesse blógui analisarmos os sambas-enredo das agremiações no Grupo Especial do Rio de Janeiro. Fizemos isso em 2010, em 2011, em 2012 e, pela quarta vez, estamos marcando presença para comentar as impressões a respeito de cada composição. Como esse tópico está sendo publicado antes dos ensaios técnicos na Sapucaí, não teremos vídeos como aqueles que foram vistos ano passado. De toda forma, espero que seja proveitosa a leitura.

Escola: Unidos da Tijuca
Enredo: "Desceu Num Raio, É Trovoada! O Deus Thor Pede Passagem Para Mostrar Nessa Viagem A Alemanha Encantada"
Trecho: Vai brilhar em cada cinema, um anjo sonhar / Em prosa e poema, se eternizar
Análise: O enredo é um passeio pela Alemanha, e o passeio é tão longo que pode ser considerado um mérito da escola o fato de o samba não ter ficado enfadonho. Pelo contrário. Tirando o refrão principal, que destoa pelo vazio de conteúdo, merece elogios a obra tijucana. E tudo deverá ficar ainda melhor quando se revelar cada ala e cada alegoria no desfile elaborado pelo genial Paulo Barros.

Escola: Acadêmicos do Salgueiro
Enredo: "Fama"
Trecho: Sou eu o artista, famoso sambista / Me chamo Salgueiro
Análise: É impressionante como qualquer coisa que caia nas mãos e no gogó do Quinho, dá samba. Se analisarmos friamente a letra do Salgueiro para 2013, a composição é muito abaixo da do ano passado. Mas a alegria é a mesma de sempre e dá aquela vontade de se mexer, de sambar sem parar quando se ouve essa parceria dos intérpretes com a Furiosa Bateria.

Escola: Unidos de Vila Isabel
Enredo: "A Vila Canta O Brasil Celeiro Do Mundo – Água No Feijão Que Chegou Mais Um…"
Trecho: Agradeço a Deus por ver o dia raiar / O sino da igrejinha vem anunciar
Análise: A Vila está se mostrando especialista em fazer samba que concilia poesia e empolgação. No meu entendimento, é isso o que se espera de um bom samba-enredo. Essa é a segunda ou terceira vez nos últimos quatro anos que vejo na escola de Noel Rosa a melhor composição da safra. Salve, Martinho! Parabéns, Tinga!

Escola: Beija-Flor
Enredo: "Amigo Fiel – Do Cavalo Do Amanhecer Ao Mangalarga Marchador"
Trecho: Eu vou cavalgar pra encontrar / A minha história nesse mundo de meu Deus
Análise: É a Era dos patrocínios. Exploradores de equinos derramaram dinheiro em Nilópolis e a escola resolveu falar sobre o "puro sangue". Estivéssemos no século dezenove, grandes seriam as possibilidades de algum grêmio recreativo escola de samba se prestar a promover a escravidão de pretos para honrar as verbas injetadas pelos senhores de engenho. E Neguinho, de tão "profissional", se prestaria a cantar. E sabe o que mais? Muitos sambariam...

Escola: Acadêmicos do Grande Rio
Enredo: "Amo O Rio E Vou À Luta: Ouro Negro Sem Disputa"
Trecho: Um Grande Rio de amor, sou eu / Vem cá, me dá, o que é meu, é meu
Análise: É a Era dos patrocínios... A Grande Rio, que "surgiu" como uma escola que dava um banho de cultura, passou a ser uma captadora de recursos sem critérios. Dessa vez, foram os royalties do petróleo que seduziram a agremiação caxiense. O pior não é nem isso: a letra é medonha e há inclusive comentários levianos sobre a extração do combustível fóssil. Levianos para não dizer falaciosos. A palavra "preservar" deveria ser proibida de ser colocada em vão. Fico eu aqui imaginando se Nêgo, que retornou à tricolor, não sente saudades daqueles tempos em os enredos da Grande Rio eram escolhidos com menos influência financeira do que filosófica.

Escola: Portela
Enredo: "Madureira… Onde O Meu Coração Se Deixou Levar"
Trecho: Cai na folia comigo, meu bem, vem na fé
Análise: O samba portelense desse ano me lembra muito o do ano passado. Gilsinho seguiu a mesma linha melódica de 2012 e, novamente, a escola virá com uma composição gostosa de se cantar. Dessa vez, o apelo aos torcedores da escola é maior, pois o enredo conta a história do bairro de Madureira. Ninguém me perguntou nada, mas preferi o samba do ano passado.

Escola: Estação Primeira de Mangueira
Enredo: "Cuiabá, Um Paraíso No Centro Da América"
Trecho: Meu samba é madeira, é Jequitibá / É poesia dedicada a Cuiabá
Análise: Achei interessante o fato de as rimas mangueirenses serem verso-a-verso, praticamente na totalidade da letra. Isso não é receita de sucesso, mas quando a melodia ajuda, facilita demais para o samba cair na boca do povo. E essa é a impressão que tenho: será um dos sambas mais cantados em 2013. Com as bênçãos da Surdo Um.

Escola: União da Ilha do Governador
Enredo: "Vinícius, No Plural. Paixão, Poesia E Carnaval"
Trecho: Onde anda você, "Poetinha"? / Saudade mandou te buscar
Análise: Não apenas gostei - e muito - do samba da Ilha como achei esse trecho acima um dos mais belos feitos nos últimos anos. É simples e profundo, direto e reflexivo. Ito Melodia, mais uma vez, acertou no tom. Na Era dos patrocínios, há que se valorizar um enredo autoral homenageando um "imortal". Dinheiro nenhum compra isso.

Escola: Mocidade Independente
Enredo: "Eu Vou De Mocidade Com Samba E Rock In Rio – Por Um Mundo Melhor"
Trecho: Um mundo melhor… que felicidade / No Rock in Rio eu vou de Mocidade
Análise: Sou suspeito pra falar de samba da Mocidade pois não sei precisamente onde fica a fronteira entre o analista e o apaixonado. E, somando-se a isso o fato de ser um apreciador do festival denominado Rock In Rio, o melhor a fazer seria ficar calado dada tamanha parcialidade. Mas há pelo menos duas coisas que não posso deixar de dizer. A primeira é que não achei um grande samba e muito disso se deve às limitações que o próprio enredo impõe. A segunda é que, apesar disso, acho que há grandes chances de o samba puxado pelo Luizinho Andanças casar com o desfile preparado pelo Alexandre Louzada. De toda forma, nada que possa se comparar com a poesia que se fez ao Portinari no carnaval passado.

Escola: Imperatriz Leopoldinense
Enredo: "Pará, O Muiraquitã Do Brasil"
Trecho: Oh! Mãe… Mesmo se um dia a força me faltar, / A luz que emana desse teu olhar / Vai me abençoar
Análise: Muito legal ver um samba nas vozes de Dominguinhos e Wander. E o samba da Imperatriz tem muito a cara deles, principalmente do Dominguinhos. Não sei como será o funcionamento disso na avenida, mas torço para que seja o melhor possível. O refrão principal me parece um pouco problemático no sentido de que pouco passa de mensagem. Mas o trecho que o antecede é de tamanha beleza que talvez consiga amenizar um eventual estrago.

Escola: São Clemente
Enredo: "Horário Nobre"
Trecho: Nem adianta me ligar agora / Eu estou grudado na tela
Análise: Tem a irreverência característica da São Clemente. Ano passado, o "bububu no bobobó" funcionou bem na Sapucaí, ajudando a agitar componentes e arquibancadas. Resta saber se, em 2013, nessa apologia noveleira, o resultado poderá ser semelhante. A letra não me agrada, mas em meio a uma safra tão fraquinha, esse samba está longe dos piores do ano.

Escola: Inocentes
Enredo: "As Sete Confluências Do Rio Han – 50 Anos Da Imigração Sul-coreana No Brasil"
Trecho: Coréia do Sul, suas águas cristalinas são o espelho / Na cadência da Baixada / Deságuam no meu Rio de Janeiro
Análise: Estreante no Grupo Especial, a Inocentes traz um samba com cara de Grupo de Acesso. Mas isso não é problema para quem tem um gogó como o do Wantuir puxando o samba da escola. A melodia até flui bem, mas sinto a falta de um suingue daqueles que ajudem a bateria a brincar um pouco na avenida. O trecho que antecede o refrão principal me parece o ponto alto da obra belford-roxense.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Que Democracia É Essa?

No Brasil, o voto é obrigatório. Chamam isso de "festa da democracia". Não é um direito, uma opção, uma escolha. É um dever.

As eleições acontecem nos anos pares, sendo realizadas no primeiro domingo de outubro (primeiro turno) e no último domingo do mesmo mês (segundo turno, quando necessário).

No dia primeiro de janeiro do ano seguinte, isto é, cerca de três meses depois do certame eleitoral, acontece a posse dos "escolhidos". Entre aspas porque nem sempre estes são os mais votados - existe um tal de coeficiente eleitoral no meio do caminho entre o eleitor e a urna eletrônica.

De toda forma, na suposta festa da suposta democracia, agendada para o primeiro dia do ano ímpar (caso de 2013), eis que são barrados na porta da Câmara Municipal... os eleitores! Sim, aqueles mesmos que eram saudados calorosamente pelos então candidatos, agora são figuras dispensáveis.

Quando um segurança pergunta para você se você vai "se manifestar ou assistir" para impedir ou liberar o acesso, como se fosse uma senha-não-secreta, estamos falando em democracia? Quem, num ambiente democrático, tem o poder ou mesmo o direito de proibir um cidadão de bem a assistir (ou se manifestar, por que não?) a cerimônia dos recém-empossados?

Se todo poder emana do povo e é o povo aquele que não tem acesso ao ambiente onde são tomadas as decisões, então não estamos falando do mesmo regime de governo. E talvez pior do que tiranos, déspotas e ditadores, que têm rosto, nome e sobrenome, é essa alguma coisa em que vivemos. Essa tem vários semblantes, diversas facetas e recebe o nome de democracia. Deve ser nome de fantasia.

No Rio de Janeiro, a militância em defesa da Aldeia Maracanã (antigo Museu do Índio), reivindica o tombamento de um prédio histórico a fim de preservar a manifestação legítima da cultura indigenista naquele território. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), o prefeito Eduardo Paes (PMDB) e aquilo que vem se chamando de "base aliada" (maioria da bancada na Câmara de Vereadores) prefere a idéia de transformar o local em estacionamento. Algo absolutamente contrário ao interesse da população e que afronta qualquer bom senso. Argumenta-se que a demolição do prédio será para atender recomendações da FIFA para a Copa do Mundo 2014. Acontece que a própria FIFA desmentiu essa informação, afirmando ser favorável à manutenção daquele espaço como centro cultural indígena. Alguém mente nessa história. E o povo, na festa da democracia, parece não ter direito a voz. Voz. Porque o voto, esse não é um direito. Esse é um dever.

sábado, 15 de dezembro de 2012

E O Padre Ficou Sem Argumentos...

A Igreja tem lá sua virtudes. Mas vamos combinar: tratar a Criação de Deus sob uma ótica utilitarista, onde só a vontade humana importa e a vida do outro é descartável na medida em que satisfaça os interesses da 'espécie dominante', não se trata de um sentimento cristão.

Mas a insituição católica, ainda hoje - e até quando? -, considera os animais não-humanos como sendo... como sendo... é, pelo visto acho que sequer os considera como algo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Para Onde - E Com Quem - Caminha O Movimento Ecológico?

De Sérgio Cabral Filho nenhuma conduta me surpreende mais. Nesses seis anos de governo estadual fluminense já foram expostos exemplos suficientes de quem se trata e para quem governa. É a antítese da democracia, a caricatura da ditadura a serviço do capital. Enoja a tal ponto que eu penso o que penso a respeito dos royalties.

Não bastasse tudo o que vem acontecendo com relação ao funcionalismo público, os direitos humanos, a onda privatizatória no melhor estilo entreguista - pra tucano nenhum botar defeito -, a novidade do momento (até que surja outra, até porque o tempo corre e os especuladores não querem esperar) é com relação ao EIA/RIMA. Um absurdo sem tamanho, talvez sem precedente no país (leia a notícia publicada no Jornal do Brasil).

Por coincidência ou não, fato é que venho nas últimas semanas estudando a legislação ambiental brasileira, incluindo aí o mecanismo do estudo prévio de impacto ambiental e o relatório de impacto sobre o meio ambiente - instrumento para minimizar a degradação proveniente de atividades potencial ou efetivamente poluidoras. Cabral quer "liberar geral".

Mas Cabral, tal como mencionei anteriormente, não me surpreende mais. Nesses seis anos de governo estadual fluminense já foram expostos exemplos suficientes de quem se trata e para quem governa. O que me causa maior espanto - atravessando para a fronteira da decepção - é ver que o senhor secretário do ambiente do estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc Baumfeld, caminha na mesma direção anti-ecológica.

Caro Carlos Minc, o que estás fazendo com a sua história de vida? Você, mais do que muitos, sabe o que representa esse Projeto de Lei esdrúxulo proposto pelo governador. Foste ministro do Meio Ambiente, sabes o quão fundamental é o cumprimento do artigo 225 da Constituição Federal. Não apenas por uma questão do Estado Democrático de Direito, mas sobretudo pelo zelo da integridade ambiental, que é o zelo pela qualidade de vida - vegetal e animal, humana e não-humana.

Em minha monografia, citei uma obra de sua autoria. Hoje vejo-o afrontar os princípios mais básicos da ecologia. Peço-o que não cometa essa traição. Não há dinheiro nenhum que possa recuperar um suicídio ideológico. Aliás, o nome da obra é "Como Fazer Movimento Ecológico", de 1985, ano em que nasci. Acho que naquela época você ainda não conhecia Sérgio Cabral Filho.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Índios Em Apuros No Mato Grosso Do Sul - Por Justiça!

Explorados desde o século XV, os indígenas brasileiros continuam sofrendo abusos por essas terras. Se antes era via colonialismo europeu, hoje em dia é por força da lei e ação de pistoleiros.

Compartilho abaixo uma carta de socorro da comunidade Guarani-Kaiowá, em vias de ser exterminada na cidade de Naviraí, no Mato Grosso do Sul.

“Nós (50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de despacho/ordem de nossa expulsão/despejo expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, em 29/09/2012.

Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay.

Assim, entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio/extermínio histórico de povo indígena/nativo/autóctone do MS/Brasil, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça Brasileira.

A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas?? Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados 50 metros de rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo 2 morreram por meio de suicídio, 2 morte em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um (01) ano, estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay.

De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais.

Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal, Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio pela justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo/indígena histórico, decidimos meramente em ser morto coletivamente aqui. Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.”

A todos que vêem necessidade de prestar solidariedade a essa causa, peço que assinem a petição "Salvemos os índios Guarani-Kaiowá - URGENTE!". Se possível, também faz-se de grande valia a presença no local, para fortalecer o movimento. Enfim, toda e qualquer forma de colaboração pode ser decisiva para o destino de pessoas inocentes e vítimas de uma Justiça que nem sempre é justa.

Com gratidão.

domingo, 7 de outubro de 2012

O Rio Que Queremos, Iremos Buscar

Eleger Rosinha Garotinho, César Maia, Sérgio Cabral e, agora, Eduardo Paes em primeiro turno são marcas negativas para o eleitor do Rio de Janeiro. Refletem a falta de consciência política e são alimentadas por uma (des)educação pública da (falta de) qualidade que é vista há algumas décadas, com o sucateamento dos CIEPs como uma das medidas para tentar perpetuar esse cenário.

Mas, animai-vos!, alguma coisa está acontecendo de positivo para a Cidade Maravilhosa. Os mais de 900.000 votos para Marcelo Freixo mostram um movimento contrário ao discurso dominante promovido pelo prefeito reeleito. Isso sem se falar nos centenas de milhares que optaram pela anulação do voto - o que me faz pensar que o voto nulo deveria ser, sim, um voto válido.

Precisamos caminhar para a frente, com cabeça erguida, e mostrar para o poder público que a cidade pertence à população que aqui habita. O império peemedebista, a serviço de empreiteiras, construtoras e especuladores, se fortaleceu. Mas está surgindo uma voz de resistência, alimentada pela votação maciça em Freixo para prefeito e nos vereadores do PSOL.

Acredite: o "pequenino" PSOL passa a ser o segundo partido de maior representação na Câmara Municipal, igualando-se ao PT com quatro cadeiras de vereadores. Pode parecer pouco diante dos treze nomes ostentados pelo PMDB, mas a verdade não precisa de muito para prevalecer. Ela precisa ser, primeiramente, dita. E é um Rio verdadeiramente democrático o que devemos buscar.

Afinal, nada deve parecer impossível de mudar.

Abaixo, listagem completa com os nomes dos vereadores eleitos e seus respectivos partidos, além do número de votos. Nosso papel como cidadão não termina com o pleito da eleição. Pelo contrário, diria que é ali que ele começa. Daqui em diante, nossa atuação precisa ser encarada como ferramenta legítima e inalienável para construirmos a cidade que queremos.

PMDB - Eleitos
ROSA FERNANDES 68.452
GUARANÁ 53.306
JORGE FELIPPE 37.520
CHIQUINHO BRAZÃO 35.644
ALEXANDRE ISQUIERDO 33.356
JORGE BRAZ 27.596
RAFAEL ALOISIO FREITAS 25.278
S. FERRAZ 21.982
JORGINHO DA SOS 20.625
WILLIAN COELHO 16.505
THIAGO K. RIBEIRO 16.096
LEILA DO FLAMENGO 14.304
PROF. UOSTON 13.452

PT - eleitos
REIMONT 18.014
MARCELO ARAR 16.756
ELTON BABU 12.630
EDSON ZANATA 12.120

PSOL - eleitos
PAULO PINHEIRO 28.539
ELIOMAR COELHO 23.662
RENATO CINCO 12.498
JEFFERSON MOURA 12.424

DEM - eleitos
CESAR MAIA 44.095
TIO CARLOS 21.378
CARLO CAIADO 15.148

PSDC - eleitos
LUIZ CARLOS RAMOS DO CHAPÉU 15.262
DR. JOÃO RICARDO 10.281
EDUARDÃO 10.209

PP - eleitos
VERA LINS 31.827
CARLOS BOLSONARO 23.679
MARCELO CID HERACLITO QUEIROZ 8.428

PRB - eleitos
JOÃO MENDES DE JESUS 24.973
TANIA BASTOS 24.850

PDT - eleitos
LEONEL BRIZOLA NETO 24.044
DR. JORGE MANAIA 15.812

PSB - eleitos
DR. CARLOS EDUARDO 33.894
MARCELINO D'ALMEIDA 23.239

PSDB - eleitos
JUNIOR DA LUCINHA 31.182
TERESA BERGHER 27.344

PSC - eleitos
JAIRINHO 43.181
DRº EDUARDO MOURA 17.869

PR - eleitos
VERONICA COSTA 31.515
MÁRCIO GARCIA 13.740

PTB - eleitos
CRISTIANE BRASIL 28.169
LAURA CARNEIRO 14.621

PHS - eleito
MARCELO PIUI 6.015

PSL - eleito
ÁTILA A. NUNES 13.252

PTN - eleito
DR. GILBERTO 9.780

PSD - eleito
ELISEU KESSLER 12.717

PV - eleito
PAULO MESSINA 10.112

PRTB - eleito
JIMMY PEREIRA 10.551

PTC - eleito
RENATO MOURA 15.775

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Minha Alma (Paes Que Eu Não Quero)

Estamos em época de eleições municipais pelo Brasil e aqui no Rio de Janeiro isso não é diferente. Com uma campanha milionária, o candidato Eduardo Paes, que tenta a reeleição com uma coligação gigantesca, tem como maior adversário o deputado estadual Marcelo Freixo, cuja candidatura pelo PSOL, humilde e sem aliados suspeitos, torna o duelo um tanto desigual. Uma desigualdade que diria ser inversamente proporcional na medida em que, enquanto um lado tem mais minutos no horário político e mais dinheiro na campanha, o outro apresenta a melhor proposta para caminharmos na direção de um Rio menos desigual. Afinal, de desigualdade basta a eleitoral.

Como "paz com voz, não é Paes, é Freixo", a música do Rappa, cujo antigo integrante Marcelo Yuka é candidato a vice com Freixo, acabou sendo a inspiração para essa postagem. Então, vamos a ela.

Minha Alma (Paes Que Eu Não Quero)

A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do prefeito
(Feito! Feito! Feito! Feito!)
Pois paz com voz, paz com voz
Não é Paes, é Freixo!
(Freixo! Freixo! Freixo! Freixo!)

Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz:

"É no Paes em quem não vou votar
Prá tentar ser feliz!"

As bases de UPP
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se não é outra forma de opressão

Me abrace e feche com Freixo,
Faça esse voto comigo!
Mas não deixe o Paes ser reeleito
No dia de domingo, domingo!

Procurando novas formas de cartel
Neste Rio sem sentido...
Eduardo Paes eu não quero seguir admitindo

É com o Paes que eu não quero seguir
É com o Paes que eu não quero seguir
Eduardo Paes eu não quero seguir admitindo

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 26

O Senhor desfrutava na companhia do Senhor Baladeva e dos outros vaqueirinhos, e às vezes sentava-Se com eles na mesma pedra. Juntos, eles comiam alimentos simples como arroz, dhal, vegetais, pão e coalhada, que tinham trazido de suas casas e que compartilhavam em intercâmbios amigáveis.

No Bhagavad-gita o Senhor expressou seu desejo de aceitar frutas, flores, folhas e água de Seus devotos quando oferecidas a Ele com afeição devocional. O Senhor pode comer toda e qualquer coisa, porque tudo não passa de uma transformação de Sua própria energia. Porém, quando surge a questão de se Lhe oferecer algo, os oferecimentos devem estar dentro da classe de alimentos que o Senhor exigiu. Não podemos oferecer ao Senhor algo que Ele não tenha pedido. Não se pode oferecer à Personalidade de Deus, Sri Krsna, nada que esteja fora da classe de comestíveis saudáveis como arroz, dahl, trigo, vegetais, leite, preparações lácteas e açúcar. Em Jagannatha Puri esses alimentos são oferecidos ao Senhor, e em todas as escrituras os mesmíssimos alimentos são mencionados em toda a parte.

O Senhor nunca está com fome, nem precisa de comida alguma para encher Seu estômago vazio. Ele é completo em Si mesmo. Entretanto, devido à Sua misericórdia, Ele sempre come os alimentos oferecidos com afeição sincera por Seus devotos. Os vaqueirinhos trouxeram alimentos simples de casa, e o Senhor, que é servido constantemente por centenas de milhares de deusas da fortuna, fica sempre alegre de aceitar tais alimentos simples de Seus amigos devotos. Todos os parentes do Senhor são apenas Seus devotos, e estão situados em diferentes sentimentos transcendentais como amigos, pais e amantes. O Senhor sente prazer transcendental em aceitar os serviços de Suas diversas classes de devotos, que estão situados em diversas classes de rasas. Essas rasas transcendentais refletem-se de maneira pervertida na atmosfera material. Assim, o ser vivo espiritual, devido apenas à ignorância, busca em vão a mesma bem-aventurança na matéria.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Festival De Cinema Francês 2012


Vamos aqui fazer breves considerações sobre os filmes assistidos, mais ou menos nos mesmos moldes de como analisamos ano passado e retrasado. Dessa vez, tive a felicidade de, durante os dezesseis dias de festival, assistir 14 dos 17 filmes exibidos (a grande maioria deles de altíssimo nível). Que venha a edição 2013. E viva o cinema francês!

E Agora, Aonde Vamos?
Vamos falar aqui de um filme maravilhoso. Ousado, trata de um tema delicado como o confilto entre cristãos e muçulmanos mesclando drama e comédia (e vice-versa). Prima pela sensibilidade na narração dos acontecimentos, sendo capaz de proporcionar risos e lágrimas. Ou seja, sucesso completo a obra assinada por Nadine Labaki. Imperdível.

O Barco Da Esperança

Retratando a realidade de uma travessia oceânica perigosa que parte de uma faminta África para um suposto paraíso europeu, O Barco Da Esperança navega por águas que conduzem o espectador a momentos de angústia e alívio. O diretor Moussa Touré conseguiu cumprir a proposta, mostrando ao mundo algo que não costuma aparecer nos noticiários.

Uma Garrafa No Mar De Gaza
Com o poder de debater sob uma ótica diferenciada a já banalizada guerra entre palestinos e israelenses em Gaza e adjacências, o filme consegue mergulhar no drama de uma família de cada lado "do muro". Com um roteiro muito bem amarrado, o desenrolar da história vai prendendo a atenção de um espectador que acaba se vendo condenado a torcer para que o encontro entre a bela Tal e o tal "Gazaman" aconteça. Surpreendente, o filme guarda o clímax para o final. Ou para depois dele.

A Filha Do Pai
Tinha todo o enredo para ser mais uma história de amor proibido daquelas que estamos cansados de assistir. Mas não. Eis um filme que capricha em cada sequência, em cada diálogo, em cada proposta de reflexão, fluindo num ritmo precisamente adequado para que a obra dialogue com o espectador da melhor maneira possível. Fiquei fã de Daniel Auteil, que deu aula de direção e de atuação. E também da bela Astrid Berges-Frisbey, protagonista que encanta e convence em sua interpretação. Vida longa a essa dupla!

Adeus Berthe Ou O Enterro Da Vovó
Como comédia, o filme funciona relativamente bem, com boas sacadas. Mas, no contexto geral, acaba deixando a impressão de que faltou (ou sobrou) alguma coisa para deixar a história melhor amarrada. Pode ser que o filme seja melhor do que a mim pareceu, mas assistí-lo depois dos dois filmes que tinha acabado de assistir talvez tenha pesado contra, pois definitivamente este não se encontra no mesmo nível daqueles anteriores.

Paris-Manhattan
A história cativa pela simplicidade, com a relação entre a protagonista e Woody Allen sendo um tempero especial que possibilita alguns risos e muitas reflexões. Embora tenha saído da sessão com a sensação de que alguma coisa não encaixou bem no filme, o agradável desenrolar da história e a própria personalidade de Alice (Alice Taglioni) compensam qualquer eventual falha.

Aqui Embaixo
Poderia indicar esse filme simplesmente pela espetacular atuação de Céline Sallette, irrepreensível na pele de Irmã Luce. Não bastasse isso, há que se enaltecer que a história (real) dessa religiosa foi um achado cinematográfico, tratada de maneira brilhante pelo diretor Jean-Pierre Denis. Filmaço.

Um Evento Feliz
A maternidade é tratada de maneira tão real que o filme parece conseguir a proeza de fazer o espectador se sentir um pouco mãe - no meu caso, foi perturbador "encarar" as cenas do parto, e naquele momento dava graças a Deus de ter nascido homem. As reflexões da protagonista e a química do casal principal são dois pontos fortes numa obra que abusa do poder de passar as emoções vividas pelos personagens.

Americano
Tinha tudo para ser um filme comum, mas, como num toque de mágica, a história ganha força e o que temos é um final arrebatador, daqueles para serem guardados na memória. Mas o nome disso não é mágica, não: é a ótima direção de Mathieu Demy.

O Monge 
Suspense com "S" maiúsculo, pra fazer acelerar os batimentos cardíacos, prender a respiração, arrancar o fôlego. Daqueles filmes que acompanham nossos pensamentos pra muito além do final da sessão, fazendo-nos (re)pensar muitas condições da existência humana. Com o perdão do trocadilho, a atuação de Vincent Cassel está impecável.

Abaixo, filmes assistidos durante o período de Repescagem.

Intocáveis
A obra dirigida por Olivier Nakache e Eric Toledano é conduzida de maneira magistral. Isso se deve não somente à exímia direção, mas também às ótimas músicas e, talvez principalmente, às irrepreensíveis atuações de François Cluzet e Omar Sy. Ao mesmo tempo cômico e comovente, este é daqueles filmes para rir muito e refletir bastante.

Polissia
Com cara de longa-metragem e alma de documentário, Polissia é um filme necessário. Pelo tema que aborda, já não há como ignorá-lo. E como se não bastasse a ousadia na narrativa, há um outro mérito exaltável na obra de Maiwenn (diretora e atriz): o de conseguir mergulhar no drama de praticamente todos os personagens que aparecem no filme, mesmo que presentes por apenas alguns segundos. O desfecho é exuberante, pra emocionar de tão perturbador e genial.


Alyah
No retrato da vida de Alex (Pio Marmai vai muito bem no papel, auxiliado pela atuação convincente de Cédric Kahn), o jovem de 27 anos que leva uma vida sem grandes projetos e aspirações acaba contagiando o próprio filme em si, que também acaba por parecer uma obra despretensiosa. Talvez esse seja justamente seu grande atrativo, embora, mesmo entre tantos encontros e desencontros, a história careça de emoção.


A Vida Vai Melhorar
Realista até dizer chega, o filme ilustra de maneira simples e direta aquilo que deve fazer parte do cotidiano da maioria dos seres humanos que vivem nas cidades: sonhos e poder aquistivo em grandezas inversamente proporcionais. Guillaume Canet brilha na pele do protagonista (o cozinheiro Yann) e, amparado pela ótima direção de Cédric Kahn, carrega o filme no colo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Tomar Partido E Fazer Política: Onde Estão Os Direitos Dos Animais?

2012 é ano de eleições municipais pelo Brasil e, embora o pleito seja realizado em outubro, em julho já vemos - e ouvimos - propagandas políticas de diversos candidatos.

Vivemos em um país pluripartidário, com dezenas de legendas diferentes e coligações bizarras, daquelas que fazem dividir o palanque dois sujeitos hoje abraçados e ontem inimigos declarados.

Recentemente, foi fundado o 30º partido (denominado PEN - Partido Ecológico Nacional). O nome é sugestivo e insere-se num contexto histórico onde o debate ambientalista é crescente em praticamente todos os cantos do mundo, notadamente pela ameaça global das mudanças climáticas.

Não sei, sinceramente, o que esperar do PEN no cenário nacional. E nem é meu objetivo especular isso nesse presente momento. Quero, isto sim, apresentar dois partidos políticos de fora do Brasil que colocam como tema central os direitos dos animais, algo que seria muito bem-vindo no país que mais exporta carne no mundo e que financia fortemente a pecuária (perceba como acaba se tratando, também, de uma questão ambiental).

Na Holanda, em 2002, surgiu o Partido pelos Animais (Partij voor de Dieren, em holandês), atualmente presidido pela ativista Marianne Thieme, figura simpaticíssima que tive a felicidade de conhecer em julho de 2009, no Festival Vegano Internacional, realizado no Rio de Janeiro. O trabalho que vem sendo realizado na Holanda é inspirador no sentido de que nós podemos - e devemos - aplicar algo dessa natureza nessa nação, onde a exploração animal concentra renda, degrada ecossistemas e tortura milhões de seres inocentes.

O outro exemplo ocorre em Portugal, país onde, em 2009, surgiu o PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza), que elegeu seu primeiro deputado nas eleições de 2011. Pode-se acompanhar as atividades desse partido através da rede social Facebook.

Vejo esses casos na Holanda e em Portugal como feixes de luz a iluminarem uma escuridão que assola os direitos dos animais. No Brasil, a legislação determina que nenhum animal deverá ser submetido à crueldade. Precisamos, portanto, fazer valer esse direito. Talvez seja necessário, para isso, criar um partido político focado nesse ideal de libertação animal. Pode ser que, com ele, nasça uma nova ética de respeito pela vida, que não vem sendo zelada como deveria pelos trinta partidos já existentes.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Luz Do Bhagavata - Verso 25

O Senhor reciprocava os sentimentos dos habitantes da floresta de Vrndavana. Quando a chuva caía, o Senhor Se refugiava aos pés das árvores ou nas cavernas e desfrutava o sabor de diferentes frutas com Seus associados eternos, os vaqueirinhos. Ele brincava com eles, sentava-Se com eles e comia frutas com eles.

Tornar-se uno com Deus nem sempre indica que o ser vivo tenha de se fundir na existência do Senhor. Tornar-se uno com Deus significa que a pessoa alcança sua qualidade espiritual original. A menos que obtenha essa qualidade espiritual, ela não poderá entrar no reino de Deus. Os membros da escola impersonalista explicam sua idéia de unidade através do exemplo da água do rio que se mistura com a água do mar. Contudo, devemos saber que dentro da água do mar existem seres vivos que não se fundem na existência da água, senão que conservam suas identidades separadas e gozam a vida dentro da água. Eles são unos com a água no sentido de que alcançaram capacidade de viver dentro da água. Analogamente, o mundo espiritual não está à parte de sua parafernália separada. O ser vivo pode conservar sua identidade espiritual distinta no reino espiritual e gozar a vida com o ser espiritual supremo, a Personalidade de Deus.

Em Vrndavana, todas as entidades espirituais - os vaqueiros, as vaqueirinhas, a floresta, as árvores, as colinas, a água, as frutas, as vacas etc - desfrutam a vida espiritual na associação do Senhor, Sri Krsna. Eles são simultaneamente unos com o Senhor e diferentes dEle. Mas, em última análise, eles são iguais em diferentes variedades.