segunda-feira, 28 de junho de 2010

Torço Pela Holanda!

É interessante, embora particularmente não me contagie, ver as pessoas fantasiadas de verde-e-amarelo. E mais: num período que não remete ao carnaval (pelo menos não no calendário).

Porém, como amante do futebol-arte e do jogo na dimensão do espetáculo e da atração, considero que o esporte mais popular do planeta tem uma dívida com a seleção holandesa. O país que revolucionou a modalidade com o conceito de "Futebol Total", levado à prática com o "Carrossel Holandês" merece mais que qualquer outro um título mundial.

Não, eu não era nascido naquela época. Mas, se estivesse encarnado naquele ano de 1974, certamente meu coração bateria diferente quando aquela Holanda jogava.

Um título nesse Mundial 2010 não substituiria, de forma alguma, a conquista que não veio 36 anos atrás. Mas seria, no mínimo, um fato que levaria o mundo da bola a recordar a gloriosa história holandesa, o que remeteria ao imortal Rinus Michels.

Nada contra a "onda patriótica" que se manifesta a cada 4 anos nas terras tupiniquins, mas não meço a brasilidade de ninguém pelo fato de torcer ou não pela seleção convocada pelo Dunga.

Tanto razão como emoção me convidam a torcer por Robben, Sneijder, van Persie e companhia. E eu, obediente, aceito o convite.

Vai, Holanda!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sangue Italiano Flui Na Veia

Como adepto do futebol arte, o "defensivista" estilo de jogo italiano não faz de mim um grande fã da Azzurra. Prefiro ver jogar a escola holandesa, a argentina, essa brilhante geração espanhola, por exemplo.

Mas, cá entre nós, hoje fiquei automaticamente arrepiado ao ouvir a execução do hino nacional italiano antes do início da estréia de Itália e Paraguai pela Copa do Mundo 2010. Acabo de perguntar para minha vó, curioso por saber qual o "galho" da árvore genealógica que mais me aproxima do "país da bota". Vovó é neta de italiano, ou seja, são 5 gerações de distância até esse que vos digita.

5 gerações? Que fique de lição: nunca subestime a força e o sentido de um arrepio!

Cannavaro e Iaquinta comemoram com De Rossi o gol italiano. Paraguaios lamentam.

Segue o hino nacional italiano. Vai treinando aí.

Fratelli d´Italia,
l´Italia s`è desta
dell´elmo di Scipio
s´è cinta la testa.
Dov´è la vittoria?
Le porga la chioma,
che schiava di Roma
Iddio la creò. Stringiamoci a coorte,
siam pronti alla morte.
Siam pronti alla morte,
l´Italia chiamò.
Stringiamoci a coorte,
siam pronti alla morte.
Siam pronti alla morte,
l´Italia chiamò, sì! Noi fummo da secoli
calpesti, derisi,
perchè non siam popoli,
perchè siam divisi.
Raccolgaci un´unica
bandiera, una speme:
di fonderci insieme
già l´ora suonò.
Uniamoci, uniamoci,
l´unione e l´amore
rivelano ai popoli
le vie del Signore.
Giuriamo far libero
il suolo natio:
uniti, per Dio,
chi vincer ci può?
Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.
Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò, sí!
Dall'Alpe a Sicilia,
Dovunque è Legnano;
Ogn'uom di Ferruccio
Ha il core e la mano;
I bimbi d'Italia
Si chiaman Balilla;
Il suon d'ogni squilla
I Vespri suonò.
Son giunchi che piegano
Le spade vendute;
Già l'Aquila d'Austria
Le penne ha perdute.
Il sangue d'Italia
E il sangue Polacco
Bevé col Cosacco,
Ma il cor le bruciò.
Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.
Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò, sí!

domingo, 13 de junho de 2010

Robert Green Ensina Como Preparar Um Frango

Não sou uma figura que se destaca pelos "dotes culinários", tampouco tenho grande interesse por receitas mirabolantes.

Mas ontem, assistindo ao encontro "the book is on the table" entre Inglaterra e Estados Unidos da América, pela primeira rodada da Copa do Mundo 2010, o goleiro Robert Green, do West Ham United e da seleção inglesa, ensinou para o mundo, em segundos, como se preparar um frango.

Veja a seguir o passo a passo.

E com a vantagem de que esse frango não financia a exploração animal, dispensa uso de confinamento e abate cruel. Mas, aviso, não deve ser nada fácil de digerir e pode custar 2 pontos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Terminou O Festival, Mas Começou A Copa

Assisti a 7 filmes no Festival de Cinema Francês, que exibiu 10 obras em 9 cidades brasileiras, entre os dias 2 e 10 de junho de 2010. Uma maravilha ver o grande nível do cinema da França na atualidade e muito gostoso poder assistir a debates com os atores, vê-los de perto etc. Ficou um sabor de "quero mais", além daquele desejo de aprender o idioma local. Os 3 filmes que ainda não assisti estão na minha lista, espero vê-los o quanto antes.

Comentarei, brevemente, os dois filmes que assisti anteontem. Ontem iria assistir mais um, mas o trânsito caótico me obrigou a mudar os planos e acabei tendo que me contentar em ver o "show de abertura" da Copa do Mundo (e nem deu tempo de ficar pra ver a Shakira...).

O Dia Da Saia
História muito, mas muito, mas muito bem proposta. O filme narra o dia de uma professora que experiencia a violência e o mau comportamento dentro de uma escola pública francesa. O desenrolar dos fatos impressiona, onde o diretor consegue a proeza de conciliar o trágico ao cômico, arrancado suspiros de tensão e risos de graça numa obra que reserva um final sensacional, muito profundo.

O Refúgio
Filme que acompanha a gravidez de uma mãe bonita, com conforto financeiro, mas que tem como principal adversidade na sua vida o fato de ser viciada em drogas. A história flui com ares melancólicos e tem uma transmutação quando a protagonista passa a se aproximar do irmão de seu falecido parceiro amoroso, pai da criança que carrega no ventre. Nasce uma relação interessante entre eles e o final do filme sugere uma reflexão bastante admirável no assunto "maternidade".

Merci beaucoup, França! Au revoir, amigos! Aller au cinéma!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Festival De Cinema Francês

Está rolando desde o dia 2 e irá até o próximo dia 10 o festival de cinema francês, presente em 9 capitais brasileiras. Tive a oportunidade de saborear 5 filmes desse festival e planejo ver mais (se possível, todos).

Vou aqui comentar brevemente sobre os filmes que assisti até o momento. E fica a dica: vá ao cinema!

Coco Chanel & Igor Stravinsky

Bom filme, que mostra como as emoções vividas pelas pessoas influenciam diretamente nos seus respectivos trabalhos. Stravinsky direcionava para suas composições uma genialidade que era moldada pelos seus sentimentos cotidianos. Um dos grandes momentos do filme é quando a esposa (traída) de Igor demonstra ter ciência do romance de seu marido com a estilista Coco Chanel, dizendo: “vejo muito mais paixão na sua música”. Quem não se apaixonaria pela música de Stravinsky? Ou pela beleza de Anna Mouglalis?

Hadewijch

A atuação da protagonista é algo de outro mundo. Se formos levar em consideração que é o primeiro papel cinematográfico da atriz Julie Sokolowski, chega a ser espantoso o quão convincente é o desempenho dela. O filme segue um ritmo que permite um diálogo entre diretor/espectador. E, quando parece que temos certeza do que vai sair dessa conversa, Hadewijch surpreende e emociona com um desfecho belíssimo. De altíssima sensibilidade narrativa, faço questão de colocar o nome de Bruno Dumont entre os grandes diretores da atualidade.

Faça-me Feliz

Comédia gostosa (sem fazer trocadilho com a bela atriz Frédérique Bel) e que flui muito bem. É verdade que a seqüência em que o protagonista está na festa na casa da filha do presidente lembre muito o filme “Um Convidado Bem Trapalhão” (com o lendário Peter Sellers), mas isso não tira a originalidade da obra de Emmanuel Mouret.

O Profeta


Filme muito bem dirigido, com atuação irrepreensível de Tahar Rahim e um roteiro que tira o fôlego e perturba. Certamente causará ainda muita polêmica. No cinema onde assisti (Unibanco Artelplex), a classificação etária estava como 12 anos. Absurdo. O próprio gerente do cinema reconheceu o erro e aumentará para 16 anos (“bondade” dele, era pra pelo menos 18). Aliás, se você tiver 20, 30, 40 ou o que for, só assista se for forte. A obra de Jacques Audiard é de deslocar da poltrona do cinema.

Oceanos

Assista-o. A abordagem sobre os oceanos é perfeita. A partir da exibição desse filme, você verá que qualquer obra sobre os mares pode ser qualificada como AO e DO – Antes de Oceanos e Depois de Oceanos. Tiro o meu chapéu para os diretores Jacques Perrin e Jacques Cluzaud.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ele Apenas Queria Comer

Saudações a cada indivíduo que faz essa leitura nesse momento.

Hoje aconteceu um fato que achei interessante relatar aqui. É verdade que tomei como hábito nesse blógui de postar os fatos de um determinado mês agrupados numa espécie de "balanço mensal", mas temo acontecer de esquecer-me disso que ocorreu algumas horas atrás e omitir algo que acho pertinente compartilhar com você(s). Sem mais delongas, vamos ao fato.

Acordei por volta das 6h, talvez meu recorde nesse ano de 2010. Havia combinado de levar o material para minha irmã fazer a aula de Música, que começaria às 8h. Como meus movimentos são meio lerdos de manhã, acordei com antecedência de duas horas para diminuir os riscos de atraso. Levantei, bebi um copo com água, separei o dito material, mexi no computador (etapa que me consumiu mais tempo) e fui andando para o destino (caminhada de uns 2 ou 3km, não conferi). Cheguei lás às 7:40h e logo depois chegaram mamãe e irmã. Tudo no esquema, etc e tal, minha mãe combinou de esperar pela minha irmã até que a aula acabasse. Então, fui pra rua tomar um açaí. Cheguei ao estabelecimento, pedi 500mL do precioso alimento, paguei os R$3,70 e fui aguardar no balcão de atendimento para que fosse processada a bendita e saborosa fruta.

Eis que surge um indivíduo provavelmente mendicante. Vestindo roupas aparentemente sujas, com um visual despojado, mas sem transmitir qualquer odor desagradável e portando-se civilizadamente, foi presenteado por um outro cliente com um pastel. O sujeito entrou no estabelecimento direcionando-se com a notinha para o balcão de atendimento. O mesmo procedimento que adotei segundos atrás e que a maioria dos clientes - senão sua totalidade - adotaria. Mas ele tinha aparência de mendigo, morador de rua. Unicamente por esse motivo, surge uma figura que aparentava ser o dono do estabelecimento e o obrigou a sair do local onde se encontrava. Nesse momento, o camarada que havia presenteado o ser-humano em extrema carência material interviu, já engrossando a voz:

- Não faz isso com ele não, eu paguei pra ele!

Ao que respondeu o suposto dono do estabelecimento:

- Não vamos criar confusão aqui não, ele come lá fora.

Não me contive em ser mero espectador e mandei o seguinte:

- Ele é tão cliente quanto a gente.

Veja você, em momento algum apelei para direitos humanos. Talvez fosse inclusive um pastel de carne e aí seria cabível apelar para os direitos animais. Apenas ressaltei que ele era tão cliente quanto qualquer um que pagasse pelo produto pedido.

Esse episódio - o qual lamento profundamente - muito me lembrou a excelente estréia do programa "A Liga", da Rede Bandeirantes de Televisão. Nesse programa, jornalistas "disfarçaram-se" de mendigos para experienciar um dia "na pele" desses tantos indivíduos anônimos - para não dizer invisíveis mesmo - que estão por todas as partes desse país.

Quero pedir a você, que por acaso tenha um negócio com fins lucrativos ou que trabalhe para alguém que gerencie algo dessa natureza, o seguinte. Olhe "o outro" como um ser vivente, capaz de experienciar alegria, prazer, dor, sofrimento. Talvez isso o convença de veganizar o estabelecimento, mas a proposta inicialmente nem é essa. É simplesmente que não aconteça episódios como esse que testemunhei hoje. Ou, do alto da minha inocência, apenas eu acho que aquele indivíduo de baixo poder aquisitivo é tão sujeito de direitos quanto eu? Reitero: ele estava pagando pelo que iria consumir.

Já vi em portas de estabelecimentos cartazes com dizeres do tipo "proibida a entrada de quaisquer animais". Não vou me alongar muito no quanto essa frase é absurda, pois, biologicamente, os seres humanos são todos eles animais. Só seria compreensível caso fosse um estabelecimento 100% robotizado, o que não era o caso. Torço para que não me depare, qualquer dia desses, com algo como "proibida a entrada de mendigos". Se bem que, infelizmente, isso na prática já ocorre.

Fraternais abraços.

P.S.: quanto ao desfecho do episódio, não fiquei pra ver. Preferi pegar o açaí e levá-lo para outro lugar, tomando-o pelo caminho.

sábado, 1 de maio de 2010

Balanço De Abril

Instalei o Google Analytics dia 1º e, com essa ferramenta, pude dar uma conferida nos acessos a esse blógui. Foram 118 visitas no mês, número que achei interessante (arredonda aí pra 4 visitas diárias, uma a cada 6 horas). Em homenagem à estatística que diz que a média é de 1 minuto e 20 segundos por acesso, tentarei digitar pouco o bastante para que você, estimado internauta, consiga desfrutar de tudo em meros 80 segundos.

Bom, vocês devem ter percebido que falo menos de futebol nesse espaço. Não! Meu interesse pelo esporte mais popular do Brasil e do mundo não diminuiu! É que, também no dia 1º de abril - não é mentira - abri um blógui pra tratar exclusivamente disso: www. jogadadefeito.blogspot.com.

Rolaram, em abril, algumas coisas maneiras. Por exemplo, voltei a andar de báiqui (e com o pneu traseiro um tanto vazio, prometo calibrá-lo na próxima empreitada ciclística), vi alguns bons filmes no cinema, sobrevivi são e salvo (redundância, eu sei) às fortes intempéries climáticas que contemplaram o Rio de Janeiro, esse tipo de coisa. Mas, o principal, o mais vibrante, foi o título do Botafogo no domingo 18! Aí você diz, em tom de queixa: "pô, tu não bolou um blógui pra falar de futebol? Vá tratar disso lá!". Mas é que aqui me dou maior liberdade de ser menos imparcial, tudo bem pra você? É campeão! É campeão! É campeão!

Blablablá, imagens valem mais que milhares de palavras.


Antes de entrar no estádio e já rolando a festa no intervalo.


Pode soltar o grito: "É campeão! É campeão! É campeão!".

Hoje, 1º de maio de 2010, completo 3 anos de vegano - veganismo intencional, pois considero que a prática nessa filosofia de vida esteja em constante construção, sobretudo se observarmos o fato de pagarmos impostos a um governo que financia a atividade pecuária, por exemplo. Não disse nem 1 nem 2, mas 3 anos no veganismo! E estou vivo, acredita? Pois é, um estilo de vida que boicote a exploração animal não é uma mera utopia. É plenamente possível, viável e o mais importante: é a escolha moralmente correta a fazermos. Aliás, se alguém quiser saber mais sobre veganismo, aproveite a internet e consulte. Vou parar a postagem por aqui para respeitar aqueles 80 segundos. Mas, prometo, caso alguém manifeste vontade de saber mais a respeito, volto a falar nesse tema. Pra mim, um prazer.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Luz Do Bhagavata - Verso 5

A noite da estação chuvosa é totalmente escura em todo o derredor. Não se vêem as estrelas cintilantes no firmamento nem a Lua confortante. Tudo fica coberto pelas nuvens. Os vaga-lumes insignificantes tornam-se preeminentes na ausência dos astros luminosos no céu aberto.

Assim como existem mudanças de estação dentro de um ano, existem também diferentes eras durante o período de manifestação deste cosmos. Estas eras sucessivas são denominadas yugas, ou períodos. Assim como existem três modos da natureza, existem várias eras predominadas por estes três modos. O período predominado pelo modo da bondade chama-se Satya-yuga, o período da paixão chama-se Treta-yuga, o período da paixão misturada com a ignorância chama-se Dvapara-yuga, e o período da escuridão e ignorância (o último período) chama-se Kali-yuga, ou a era das "desavenças". Kali-yuga é comparada à estação chuvosa visto que muitas dificuldades da vida são experimentadas durante esta estação úmida.

Na Kali-yuga existe uma falta de orientação adequada. À noite, podemos nos orientar pelas estrelas e pela Lua, mas na estação chuvosa a luz orientadora provém de vaga-lumes insignificantes. A verdadeira luz da vida é o conhecimento védico. O Bhagavad-gita afirma que o propósito de se estudar os Vedas é conhecer a onipotente Personalidade de Deus.

sarvasya caham hrdi sannivisto
mattah smrtir jnanam apohanam ca
vedais ca sarvair aham vedyo
vedanta-krd veda-vid eva caham

"Eu estou sentado nos corações de todos, e é de Mim que vêm a lembrança, o conhecimento e o esquecimento. Através de todos os Vedas, é a Mim que se deve conhecer. Na verdade, sou o compilador do Vedanta, e sou aquele que conhece os Vedas" (Bg. 15.15).

Porém, nesta era de desavenças existem discórdias até mesmo sobre a existência de Deus. Na civilização ateísta da era das desavenças há inúmeras sociedades, comunidades e seitas religiosas, a maioria das quais tenta eliminar Deus da religião. Os vaga-lumes procuram tornar-se preeminentes na ausência do Sol e das estrelas, e estes pequenos grupos que seguem várias concepções religiosas são como vaga-lumes tentando ser preeminentes diante dos olhos da massa de gente ignorante. Existe atualmente um grande número de pseudo-encarnações que as pessoas seguem sem a sanção das escrituras védicas, e existe competição regular entre o grupo de uma encarnação e o de outra.

O conhecimento védico, obedecendo a uma tradição, advém do mestre espiritual através da corrente de sucessão discipular, e deve-se adquirir o conhecimento por intermédio dessa corrente, sem quaisquer desvios. Na atual era das desavenças, a corrente tem sido quebrada de quando em quando, e assim os Vedas são agora interpretados por homens desautorizados que não têm nenhuma realização. Os falsos seguidores dos Vedas negam a existência de Deus, assim como na escuridão de uma noite nublada os vaga-lumes negam a existência da Lua e das estrelas. Pessoas mais sensatas não devem cair na emboscada desses homens inescrupulosos. O Bhagavad-gita é o resumo de todo o conhecimento védico porque foi falado pela própria Personalidade de Deus que revelou esse conhecimento ao coração de Brahma, o primeiro ser criado do Universo. O Srimad-Bhagavatam foi falado sobretudo para a orientação das pessoas desta era, a qual está coberta pela nuvem da ignorância.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Será Que Vale?

Recentemente a companhia Vale do Rio Doce, presidida pelo (bilionário empresário) botafoguense Eike Batista, fechou uma parceria com o Botafogo de Futebol e Regatas no âmbito dos esportes olímpicos. Equipes de atletismo alvinegras chamar-se-ão, pelo menos inicialmente, "Equipe Brasil Vale Ouro", em referência ao empreendedor.

Mas será que a Vale presta? Noutras palavras, será que a Vale... vale?

Tratando-se de uma companhia - outrora estatal, mas privatizada no governo Fernando Henrique Cardoso, do qual José Serra é partidário - com sérios envolvimentos com degradação socioambiental, é bom refletirmos bem e não nos deixarmos levar simplesmente pelas propagandas altamente carismáticas que pela companhia é veiculada.

A seguir, texto estraído de http://atingidospelavale.wordpress.com/.



Na manhã do hoje (12/4), um outdoor bem diferente passou a ocupar espaço na Avenida Presidente Vargas, uma das mais movimentadas da capital carioca. Nele, uma mensagem provocativa: “trabalhadores explorados, famílias despejadas, natureza destruída. Isso vale?”. Para nós, que integramos I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale, a resposta é não.

Essa contrapropaganda faz frente à visão massivamente veiculada pela empresa, que mostra funcionários sorridentes, trabalhando a serviço do “progresso” do país. Mas esse progresso serve a quem? É promovido a custo de quê?

Até o dia 15/4, organizações e movimentos sociais e sindicais, comunidades e populações de diversas partes do mundo permanecem reunidas para trocar experiências e vivências. Além de brasileiros de diversas partes do país, o encontro também conta com a presença de pessoas do Canadá, Chile, Argentina, Nova Caledônia, Indonésia, Peru e Moçambique. Todos têm em comum a vontade de protestar e propor alternativas ao atual modelo de desenvolvimento.

Hoje à tarde, os integrantes das Caravanas se unem aos pescadores e moradores do entorno da Baía de Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. A região sofre com a degradação socioambiental e o desrespeito aos diretos humanos provocados pela Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), uma parceria entre a alemã ThyssenKrupp e a Vale.

sábado, 3 de abril de 2010

A Páscoa Pro Coelho

Quatro dias santificados pela Igreja Católica. Um período historicamente marcante, onde um ser absolutamente iluminado (Jesus) passou por momentos adversos mas manteve-se triunfante sempre. Culminou com o advento da ressurreição, simbolizado no calendário cristão pelo domingo de Páscoa.

Pois é, mas o fundamentalismo econômico trata de desvirtuar as coisas, parecendo que trata-se do aniversário do coelho, assim como o Natal leva a crer ser uma data comemorativa para o Papai Noel.

Por falar em coelhos - uma espécie que por sinal não bota ovo - como será a Páscoa para os coelhos? Como são tratadas essas criaturas?

Abaixo, texto extraído de http://www.ddapelotas.blogspot.com/.



No Brasil, o objetivo principal da criação de coelhos é a produção da carne; entretanto, existe um montante considerável do subproduto pele que, ao ser aproveitado, representa uma renda complementar e evita o problema de descarte. Outros subprodutos como o cérebro, sangue, patas, orelhas e esterco são igualmente passíveis de ser utilizados, podendo, inclusive, ser considerados uma alternativa econômica da exploração da cunicultura e não o é por falta de informação.

O processo de abate engloba algumas etapas, como atordoamento, sangria, esfola e evisceração.

Quando o criador visa ao aproveitamento da pele, deverá ter alguns cuidados para obter um produto de boa qualidade, sem manchas, falhas ou gorduras. Sendo assim, apesar de a etapa da sangria ter vários métodos, é aconselhável adotar o método da extração do olho em que o subproduto se apresentará com menos manchas de sangue.

Trechos extraídos do "MANUAL DE UTILIZAÇÃO DE SUBPRODUTOS DE COELHOS", disponível em http://www.editora.ufla.br/BolExtensao/pdfBE/bol_89.pdf


Portanto, cabe refletirmos se temos alguma coisa a ver com essa história toda.

E, se temos, como devemos agir?

Abraços pascoais. E viva a vida!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Luz Do Bhagavata - Verso 4

Depois que caem chuvas pesadas, os campos e as florestas, em todas as direções, ficam verdes e saudáveis. Assim, eles se assemelham a um homem que se submeteu a rigorosas austeridades visando a algum ganho material e que alcançou seu objetivo, pois tal homem é forte, saudável e de boa aparência.

A folhagem da estação das chuvas não passa de um espetáculo temporário. Apesar de parecer muito agradável, devemos lembrar que não durará muito. De forma semelhante, há pessoas que se submetem a rigorosas austeridades visando a algum ganho material, mas aqueles que são equilibrados evitam isto. Austeridades rigorosas em troca de ganhos temporários não passam de um desperdício de tempo e energia. A perda e o ganho materiais são destinados de acordo com a formação de cada corpo específico. Existem 8.400.000 espécies de vida, e cada espécie de corpo está destinada a desfrutar e a sofrer de acordo com sua formação específica. Os desfrutes e sofrimentos corpóreos do filho de um homem rico são diferentes daqueles do filho de um homem pobre. Embora não nos submetamos a rigorosas austeridades para obter aflição, ela vem a nós sem ter sido chamada. Analogamente, a felicidade a que estamos destinados virá a nós, mesmo que não a tenhamos desejado.

Mesmo que consigamos evitar a aflição e desfrutar artificialmente alguma felicidade material por meio de realizações temporárias, isto não representa nenhum ganho real na vida. Nosso dever é atingir felicidade permanente e vida eterna, e é apenas com esse fim - visando ao ganho último - que devemos nos submeter a todo tipo de penitências e austeridades.

É possível atingir este ganho último sob a forma de vida humana. A felicidade permanente torna-se possível quando nos libertamos das fontes materiais de felicidades, pois a continuação do cativeiro material quer dizer continuação das três classes de misérias. A vida humana tem por objetivo dar fim a estas misérias.

Não devemos procurar ser belos como as flores ou a folhagem que florescem na estação das chuvas, mas murcham no inverno. Ficar animado com as nuvens da ignorância no céu e desfrutar a visão da folhagem temporária não é de forma alguma desejável. Devemos tentar viver no céu claro e ilimitado, inundado com os raios do sol e da lua. É isso o que realmente desejamos. Uma vida de liberdade em eternidade, em completo conhecimento e numa atmosfera de bem-aventurança é desejo íntimo de toda alma iluminada. Devemo-nos submeter a todo tipo de penitências e austeridades para alcançar essa fonte permanente de felicidade.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Balanço De Março

Cinemas, jogos, chuvas, moedas, show... esse mês de março foi que foi.

Assisti "Um Olhar Do Paraíso", "Ilha Do Medo", "Educação" e "Como Treinar O Seu Dragão". Quatro bons filmes, cada um à sua proposta.

Dia 3 fui ao Maracanã, arrastado por dois urubus, assistir Flamengo e Madureira. Partida horrorosa dentro de campo e público presente em números bisonhos: o clube da "maior torcida do mundo" levou pouco mais de duas mil pessoas a pagarem ingresso para vê-lo jogar. E eu, um mané por completo, era uma delas.

Dia 5 foi aniversário de mamãe, parabéns pra ela! (:

Dia 6 a chapa esquentou aqui em casa. Aliás, a chapa molhou - e como molhou - aqui em casa. Um plástico localizado (de forma suspeita) na calha fez com que a chuvarada que caiu dos céus entrasse pelo sóton e improvisasse um chuveiro em pleno corredor do segundo andar de onde moro. Foi muito sinistro, a casa ficou mais de uma semana com aquele cheiro de água impregnado (sim, água tem cheiro).


É o que parece: água caindo pelo teto.

Dia 9, um camarada e eu estabelecemos um novo recorde de troca de moedas por cédulas. Fomos a uma franquia do Mega Matte com centenas de moedas (valores de 50 centavos e 1 real), totalizando R$307,50. Foi o passatempo da noite da funcionária do caixa, que mantinha na face uma expressão de grande satisfação por estar renovando incrivelmente o seu estoque de troco. De nada.

Dia 14, Fogão e Olaria no Engenhão. Se na semana anterior havia pego chuva dentro de casa, dessa vez o banho foi na minha segunda casa. Caíram águas torrenciais e o estádio chegou a ficar às escuras por queda de energia. Não entendo uma parada: se a nossa matriz energética vem das hidro-elétricas, havendo muita hidro, como pode faltar a elétrica? O fato é que nem pude voltar de ônibus pra casa, pois o ponto tinha virado uma piscina - o piscinão do Engenhão. No meio de tanta água, sobrou pro telefone celular. Ele já vinha se comportando de forma suspeita, e depois desse episódio pediu arrêgo legal. Mas, no dia seguinte, como de forma sobrenatural, ele voltou a funcionar. Não é lá um funcionamento pleno (ele passou a estar "carregando" mesmo fora da tomada), mas é espantosa a resistência do aparelho.

Acabou o papo de chuva? Nada. Dois dias depois do jogo de pólo aquático na grama do Engenhão, São Pedro voltou a me contemplar com os seus serviços meteorológicos. As cadelas e eu, dando uma humilde volta no Maracanã, recebemos um dilúvio pra lavar até a alma. Elas podem se sacudir e espirrar água pra tudo que é lado, mas e eu?

Mas tranqüilo. A gente vivencia essas paradas numa boa. O "problema" está na interpretação, não na coisa em si. E, realmente, não havia problema nenhum. Estava por vir era algo maravilhoso: o show de Franz Ferdinand, na Fundição Progresso. Faltam-me adjetivos pra qualificar aquilo que testemunhei à altura do que o show merece. Vou me limitar a dizer que foi absolutamente Franztástico.


Momento em que o vocalista Alex Kapranos voa para a galera: fechando com chave-de-ouro.

Franz Ferdinand [20mar2010] Rio De Janeiro from 3DURLZ on Vimeo.



Na última segunda-feira, Armando Nogueira despediu-se do corpo físico. É uma figura que me faz lembrar de vovô, não apenas por ambos terem trabalhado juntos ou por ambos serem jornalistas ou por ambos amarem futebol e entenderem desse esporte como poucos. Acho que o que me faz recordar é o conjunto dessas características somados à simplicidade e singeleza com que expõem suas opiniões, engrandecendo o mais banal dos acontecimentos, como por exemplo um gol numa partida de futebol. Como colocou Chico Alencar através do Twitter:
'A morte não é o fim do mundo: quem morre muda, e quem muda melhora'. Do Armando Nogueira, que partiu hoje, no 1º dia da Semana Santa.
Vai ver todas as águas de março, fechando o verão, anunciavam a despedida desse poeta das crônicas esportivas.